Cap. 19 (sem revisão)

-Puo! - ouvi meio distante Asumi dizer enquanto me bicava.

Acordei e me virei para trás, porém Rui não estava mais lá. Só não considero a possibilidade de ter sido um sonho porque o cheiro diferente que ele trás consigo está impregnado na roupa de cama e em mim.

Faz sentido que ele tenha trocado o perfume, já que está se passando por outra pessoa e essa é a melhor maneira de enganar os Nyurianos.

Em todo caso, ele precisava sair sem mim?

Me levantei e fui fazer a minha higiene matinal, como sempre. Por que ele não me acordou?

Asumi está tão gordo quanto antes, então o largo trancado no quarto e vou para a mesa do café, eu nunca como mas quero ver se Rui está lá (o que é improvável visto que ele está se passando por um escravo).

-Bom dia! - Valquíria diz enquanto coloca a mesa, não há nada além de pratos e talheres.

-Oi. - respondi mais seca do que planejava enquanto me sentava à mesa.

-Está tudo bem? - ela perguntou se aproximando e colando sua testa na minha para sentir a temperatura. - Com febre você não está...

-Deve ser ressaca por ontem. - alguma das serventes atrás de mim comentou e a outra riu.- Ela não tem nem vergonha de expor que está com um homem.

Hein?

Valquíria olhou inconscientemente para o meu pescoço. Aquele infeliz!

Quer saber? Caguei.

-Eu pensei que elas não pudessem notar coisas pequenas assim. - comentei mais para mim mesma.

-As serventes na sua maioria são as que enxergam melhor no país, mesmo que não tanto quanto o mestre.- Valquíria falou em um tom estranho, a olhei e ela sorriu. - Mas ainda temos dificuldades para reconhecer o rosto das pessoas, aprendemos a confiar mais em outros detalhes.

-Então como me reconheceram? - perguntei curiosa.

-Apesar de algumas diferenças na sua aparência, o seu modo de falar e seu nome continuam os mesmos, além do seu modo de agir. - ela deu de ombros.

-Ela deve estar achando que é alguma coisa, quando o mestre voltar...

-O que?! - interrompi a conversa das duas serventes, elas me olharam assustadas e reconheci aquela que falou algo sobre suborno da última vez.- Vocês são idiotas de pensar que ele irá voltar.

Notei com o canto do olho que Rui entrava na sala trazendo a comida. Idiota!

-Se eu vê-lo novamente, vou tratar de terminar o que comecei.- peguei uma faca em cima da mesa e a fiquei com força na mesma, as garotas pareciam muito mais assustadas e eu sorri.- Oh, e não se preocupem, assim que isso acontecer, vou me livrar do lixo que me incomoda.

-C-com licença. - as duas falaram ao mesmo tempo e saíram rapidamente do salão.

Valquíria segurou o riso, ela sabe sobre a minha relação com o Rui e provavelmente não acredita que eu esteja falando sério sobre o ferir.

Me sentei novamente e encarei tudo o que Rui deixou na mesa, ele está me olhando sem expressão e eu tento não ceder e ser a primeira a falar algo. Não que eu esteja chateada por ter que acordar sozinha depois de vários dias sem vê-lo.

Deixei os pães e o bolo de lado e peguei só uma caneca de café, não sinto fome.

-A senhorita deve comer algo.-ele falou formalmente, provavelmente por estarmos perto de Valquíria.

-Não tente ditar o que eu devo ou não fazer. - respondi virando o rosto evitando olha-lo.

-Me desculpe, essa não foi minha intenção. - ele se aproximou rapidamente de mim e colocou os lábios na minha testa, posso sentir o meu rosto ficando vermelho.

-O que você...?! - eu afastei minha cadeira e consequentemente dele também.

-A senhorita não parece estar com febre. - ele deu um sorrisinho ao me olhar da cabeça aos pés e demorar um pouco mais no meu pescoço.

Não o respondi, apenas me levantei e fui para a sala de audiências terminar o que não tinha conseguido antes, aparentemente há mais uns doze representantes para receber.

Raul voltou para a casa do senhor dele e levou uma convocação minha que deveria ser respondida em três dias no máximo. Vamos ver quem é esse homem que está desobedecendo as leis tão descaradamente.

Entrei no meu quarto massageando as têmporas, eu detesto ter que passar tanto tempo sendo útil. Sentar e não fazer nada é mais a minha cara.

Rui está deitado na minha cama com os cabelos molhados e novamente sem camisa, que indecência toda é essa?

Eu sinto que ele está me olhando mas o ignoro solenemente e vou tomar o meu banho. Preparo a banheira enquanto começo a me despir e preparar os shampoos, eu estou fazendo o meu melhor para manter meu platinado platinado e não verde, mas está difícil achar produtos aqui para cuidar bem dele.

-Por que está brava comigo? - ouço a voz de Rui e tento controlar o meu coração, que disparou por causa do susto.

Pelo espelho consigo ver ele encostado no batente da porta, tento não dar a ele o gostinho de mostrar que ele me envergonha, sem deixar de notar que ele evitava olhar o meu corpo, talvez para não me deixar sem graça. Não funcionou.

-Não estou brava. - respondi desligando as torneiras e jogando alguns sais de banho na banheira.

Fiz um sinal para ele, que se virou de costas , eu me desenrolei da toalha e entrei na banheira tranquilamente, senti meu corpo todo relaxar ao entrar em contato com a água morna.

-Não minta para mim de novo. - ele voltou a me olhar.

-Por que eu estaria brava com você?- Enchi as bochechas de ar e desviei os olhos para a parede.- Eu estou perfeitamente bem e normal.

-Você declarou publicamente que tentou me matar. - ele ergueu as sobrancelhas.- Isso pode ajudar o plano a dar mais certo mas te faz perder a credibilidade na casa. Se esse boato vazar muitos não vão mais te aceitar tão bem.

-Eu não estou aqui para ser amada e sim para te ajudar. - eu respondi brincando com a espuma da banheira.

Eu nunca parei para pensar de verdade no assunto mas se as pessoas que me enviaram para o outro mundo queria o lugar de Rui, significa que foram as mesmas pessoas que mataram seus pais, certo?

Ele sempre parece estar calmo quando diz sobre pegar os culpados mas isso é bem impressionante. Eu não me lembro dos meus pais verdadeiros mas se lembrasse e eles fossem assassinados, nem sei o que eu faria. Aliás...

-Onde está o meu irmão? - ele ficou nervoso de repente e evitou olhar nos meus olhos.

-Ele está arrumando um jeito de trazer seus pais adotivos para cá.

Oi?

O que foi que aconteceu?

Isso é RIDÍCULO.

-Tá, pode parar com a piada. - falei me levantando inconcientemente, ele me olhou de cima a baixo e ficou vermelho.

Até eu estou vermelha, apesar de ter voltado para a água assim que notei o que estava fazendo.

Nós evitamos nos olhar e eu tentei pensar em algo que não fosse essa vergonha que tinha acabado de passar, o que é meio difícil. Você é idiota, Luna? Quem levanta da banheira no meio de uma discussão?

-Desculpa. - pedi tentando não morrer, minha cara deve estar muito vermelha agora.

-Tudo bem. Você é minha noiva afinal. - ele tentou me confortar. Ele é péssimo nisso.

-Que papo é esse de trazer meus tios para cá?- perguntei tentando mudar de assunto o mais rápido o possível.

-Eles encontraram com Carlos e eu na rua e reconheceram que Carlos é a sua cara. Eles acham que Carlos é rico e seus pais verdadeiros também, por isso queriam você de volta o mais rápido o possível.- ele entrou no banheiro e sentou sobre a tampa fechada da privada.- Eles chamaram a polícia e com alguns contatos transformaram seu sumiço em um caso conhecido nacionalmente. Para acabar com tudo isso resolvemos mostrar a eles que você está bem e que não vai deixar eles tirarem vantagem de você.

-Quando eles vão vim? - perguntei sentindo um nó na garganta.

-Daqui a uns três dias...

-O que?! Esse é o dia em que Jhonatan vai vim e também chamei...- ele me olhou desconfiado quando me detive. Sorri o mais inocentemente o possível.

-Quem você chamou? -eu fiquei em silêncio.- Lua... não me diga que chamou aqueles piratas!

-Talvez eu tenha chamado sim... - tentei parecer indiferente.

-Lua! - ele gritou.

-Eu! - gritei também.- Sai daqui que eu quero terminar me banho!

-Você... - ele se levantou e levou a mão à cabeça, rindo incrédulo.- Você é impossível!

Ele saiu do banheiro depois do fazer uma careta amarga e bateu a porta. Okay, agora quem tem motivo para estar irritado é ele?!

Idiota.

Qual o problema de chamar meus amigos?

O nosso maior problema é que aqueles dois inúteis vão trazer meus tios aqui! Como vamos explicar a falta de tecnologia, as serventes e, agora, a presença de piratas e do Jhonatan?!

Eu só quero me afogar na privada agora.

Quando saio do banheiro vestida, Asumi está encarando a porta com melancolia. Provavelmente Rui o deixou para trás, já que não o vi mais por aqui. Oh, ele realmente surtou.

-Puo! - Asumi veio até mim e depois olhou para a porta.

-Eu não vou falar com ele! - okay, agora estou discutindo com uma ave gorda.

-Puo...- ele reclamou, me deixando realmente irritada.

-Se quer, vá você consolar ele! - O empurrei até a porta conjugada e o joguei lá.

Encostei na porta fechada e ouvi o som das suas asas me confortando sobre se ele teria se machucado. Aparentemente ele pousou em segurança.

Tudo bem, eu realmente deveria tentar entender Rui, eu fiquei muito tempo longe dele e estou com muita vontade de dormir novamente com ele mas... não serei eu quem vou dar o braço a torcer dessa vez.

O que eu fiz de errado? Exatamente, nada.

A única explicação lógica para tudo isso é ciúmes mas mesmo que meu coração seja dele, ele não pode mandar em mim e controlar minhas ações. Pelo menos algumas delas.

Me jogo na cama e posso sentir o cheiro irritante do perfume que ele trouxe do meu mundo, estou com saudade do seu cheiro antigo.

Retiro toda a roupa de cama e jogo no chão, esse cheiro me deixa mais irritada do que tudo o que pode ter acontecido nas últimas semanas.

Agora que paro para pensar, o que será que aconteceu depois que eu vim embora? Não tive chances de perguntar a Rui.

Será que alguém mais chamou a atenção dele? Claro que eu não tenho o direito de fazer nada a respeito, mas gostaria de saber.

Eu posso estar apaixonada por ele (não nego isso depois de sentir meu coração disparar tantas vezes) mas sempre fui especialista em agir pela razão. Eu estou lutando pela dita felicidade mas não quero obrigar ele a me fazer feliz.

Sei que nada mais faz sentido mas eu também estou confusa, então não posso fazer nada.

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