O hotel onde Carlos e Rui estavam hospedados era o maior e mais famoso da nossa cidade, não foi novidade quando Rui tentou pegar um quarto para mim e não havia mais nenhum disponível. Ele deu um sermão na recepcionista, mas isso não faria com que um quarto ficasse livre, por isso decidi pedir que ele fosse mais gentil.
-Me desculpe, senhor, nós realmente sentimos muito! - ela se desculpou parecendo nervosa.
-Rui, tudo bem, eu posso ficar no mesmo quarto que você. - falei tentando encerrar a discussão.
Seria menos estranho se eu ficasse no mesmo quarto que o meu suposto irmão, mas descobri no carro que Ana havia vindo junto e que ela e Carlos estão no mesmo quarto, não quero atrapalhar os dois.
-Tem certeza? - ele me olhou com certa preocupação. - O meu quarto não é lá aquelas coisas, quero que você se sinta confortável...
-Tudo bem! - eu só queria ir logo tomar um banho e capotar na cama.
-D-desculpe, senhor, mas o seu quarto é a nossa melhor suíte. - a recepcionista debateu meio insegura de como falar.
-Maldito burguês! - praguejei pegando a chave que ela nos estendeu e lhe lançando um olhar de reprovação, ele não parece entender que aqui o padrão dele de "bom" é bem difícil de alcançar.
Eu sempre quis ver a suíte daqui, vários famosos e pessoas importantes se hospedam nesse lugar e tem comerciais sobre esse "paraíso na Terra", então não há uma pessoa que não tenha sonhado em espiar o quarto mais simples, que custa cerca de cem mil por dia... não quero nem saber o quanto a suíte custa.
Bom, se parar para pensar, acho bem difícil que algo supere o quarto Amélia, mas a suíte daqui é um sonho, afinal.
-Obrigada. Desculpe pelo transtorno. - falei para a recepcionista puxando Rui pela mão. Suíte, lá vou eu!
Pegamos o elevador junto com uma garota ruiva de nariz empinado e um casal de idosos que eu já vi em algum lugar na TV.
- Você é...? Um ator, talvez? - A ruiva perguntou lançando um olhar suspeito pala Rui. - Nunca te vi antes.
- Eu não sou daqui. - ele respondeu a olhando dos pés a cabeça sem muito interesse.
- De onde? Talvez eu conheça. - ela sorriu provocando e se aproximou dele.
- Não, você não conhece. - Rui segurou minha mão, parece que ele é inocente mas também pode notar uma caça-macho.
- Oh, vocês estão juntos? - ela me olhou com desdém.
- Sim, ela é minha noiva.
A garota arregalou um pouco os olhos, incrédula. Dei uma piscadela para ela, provocando, mas ela apenas desviou os olhos e desceu no 49° andar.
Logo o elevador parou no último andar, o andar da nossa suíte e, quando abri aquela porta, pensei que fosse chorar.
O quarto Amélia é digno de uma rainha, mas ainda assim um quarto tão maduro e moderno me encanta. Os móveis devem ser tão caros quanto dois anos de salário de uma pessoa comum, a TV é tão grande que poderia substituir a tela de um cinema (tá, exagerei um pouco), a cama de casal é tão grande quanto a de Rui e as cores dominantes são o cinza, o branco e o vermelho, criando uma atmosfera incrível no quarto, também tem uma jacúzi na varanda, eu quero MUITO entrar nela, mas não posso ficar nua com Rui aqui e não tenho roupa de banho ou algo assim.
-Você está com fome? Vou pedir o serviço de quarto. - ele falou indo até o telefone.
-Hm... Okay. - eu falei indo direto para o banheiro.
Tomei um banho quente MUITO demorado. O banheiro é enorme e tão chique que parece de mentira, há vários shampoos e sabonetes diferentes, alguns são até importados.
Eu saí do banheiro me sentindo uma nova pessoa, mas Rui não estvq em parte nenhuma. Eu esqueci a questão da roupa, eu não posso dormir de calça jeans!
Fui até o armário e encontrei algumas roupas novas, acho que Carlos obrigou Rui a comprar roupas atuais para não chamar atenção. Peguei uma camisa social e a vesti, também emprestei uma cueca. Me sinto incomodada estando desse jeito sendo que Rui vai dormir comigo, mas que outra opção eu tenho?
-Eu ia mandar Ana comprar alguma coisa para você, mas vejo que já deu um jeito. - Rui apareceu, parece que ele estava na varanda, fazendo sabe-se lá o que.
-Eu tive que pegar umas coisas suas emprestadas...
-Sabe, isso ficou muito bom em você. - ele se aproximou e depositou um beijo na parte exposta do meu ombro. Ele não pensa nos meus sentimentos? Nesse momento eu sinto que meu rosto poderia fritar um ovo, de tão quente. - Tão... minha.
-Ahn?! - perguntei antes de ele me dar outro beijo.
-Não sei, mas quando te olho, sinto que não quero que ninguém mais o faça. - ele se afastou. - Mas infelizmente eu não posso controlar isso.
-Mas você é a única pessoa que importa, se você me olhar não ligo para mais ninguém! - okay, alguém me diz de onde saiu isso, por favor? Ele me olhou com um sorriso indecifrável e eu pude sentir meu rosto ficar ainda mais quente.
-Não me provoque, senhorita Lua. - ele colocou as mãos na minha cintura e me puxou para si, roubando um beijo logo em seguida (é roubo se eu contribuir? Não sei, acho que ninguém que vai ser roubado entrega mais do que o ladrão pede, então eu não posso culpar ele).
Ele parou o beijo aos poucos, mas não tirou as mãos da minha cintura.
Eu acho melhor a gente ir comer, você parece cansada. - ele me puxou até uma área da varanda onde uma mesa estava posta com tanta comida que eu me senti no paraíso.
Nós comemos enquanto ele me contava como havia sido a viagem atrás da fronteira imaginaria, parece que toda a situação só fez ficar pior o seu receio em usar a tecnologia mais moderna de Maram.
-Eu vou te levar para lá qualquer dia, é muito parecido com isso, mas um pouco melhor. - Ele olhou para a cidade lá em baixo pela varanda.
-Eu não preciso, só quero ficar com você. - dei de ombros fazendo o mesmo, a vista daqui é maravilhosa.
-Eu acho que isso me deixa feliz. - ele se levantou e veio até mim. - Mas não é assim que funciona, se eu não te levar lá pode ser que seus pais se sintam pressionados a declarar que você é minha refém e começar uma guerra. Diferente de mim, eles não tem poder absoluto sobre o povo.
- Mas... - ele estendeu a mão para mim e eu aceitei, me levantando e o acompanhando até o parapeito da varanda. A proteção pode ser feita de vidro e me dar uma visão boa de onde estou sentada mas olhar de longe não chega nem perto do quão incrível é estar olhando do parapeito.
Lá em baixo as luzes dos carros e das casas brilham tanto que, como sempre, eu não posso ver as estrelas.
-Eu quero a vista daquele pátio...- comentei me lembrando o quão incrivelmente bonitas são as estrelas no outro mundo.
- Nós não devemos voltar agora, mas eu te prometo que logo você irá ter aquela vista de novo. - ele me abraçou e eu me aconcheguei em seus braços, como o abraço dele pode ser tão bom?
- Por que não podemos voltar ainda?
- Por que eu estou esperando as pessoas que armaram contra você fazerem um movimento. Atualmente o país está sem um governante, eles vão tentar tomar o poder. - eu quero tanto dormir que quase não entendo o que ele diz. - Eu já dei um jeito na maioria deles, mas eu tenho certeza de que tem um cabeça por de trás disso, só esperando a oportunidade.
Ele notou que eu estou com sono e me carregou até a cama, eu protestaria, mas não estou com disposição o suficiente. Ele me colocou deitada e cobriu até a cintura com o edredom, apesar não parece que ele vá dormir agora.
-Você não vai deitar? - perguntei bocejando.
-Temo que com você do meu lado, não conseguiria dormir nem que quisesse. - ele sorriu gentilmente e acariciou minha bochecha.
-Mas eu não quero que você fique acordado, você também parece bem cansado. - eu peguei sua mão.
- Se eu deitar agora ao seu lado, não me culpe se algo acontecer...
_______________💕POV Rui💕________________
Ela fechou os olhos lentamente e deu de ombros, é impossível não amar essa garota.
-Eu não ligo. - ela respondeu claramente sem entender o que eu quis dizer. - Mas se você não deitar aqui também eu não durmo!
Ela se sentou de repente, mal conseguia abrir os olhos de tanto sono. Ela fica realmente muito atraente nessa camisa, foi bem imprudente da parte dela se vestir assim quando está no mesmo quarto que um homem. Eu sei que para ela e o resto das pessoas a minha volta eu sou inocente de mais, mas ainda assim sou um homem!
Eu fui apagar a luz, a única coisa que continuou ligada eram as luminárias nas mesas de cabeceira, dos dois lados da cama.
-Você vai deitar comigo? - ela parecia feliz. Caminhei até a cama e a fiz deitar, ficando por cima dela. De repente seus olhos ficaram bem abertos. - Ei...
-Eu te avisei, não avisei? - perguntei no ouvido dela, ela só concordou lentamente com a cabeça. Eu não estou a prendendo de modo que ela não possa escapar, mas duvido muito que ela vá tentar.
Eu lhe dei um beijo na testa e sorri para a cara de confusão dela.
-Não se preocupe, eu não vou fazer nada.- ela me encarou com os olhos cheios de algo que talvez seja desejo.
-Por que? - ela perguntou tão decepcionada que quase mudei de ideia.
-Eu não quero que você tenha nenhuma insegurança por estar comigo, antes de pensar em qualquer coisa, quero me casar com você. - expliquei pacientemente. - Assim você e eu estaremos amarrados e você não vai ter dúvidas de que é e sempre vai ser a única garota que eu amo.
-Isso é bem incomum de se dizer, mas acho que entendo. - ela colocou as palmas da mão no meu peito e me empurrou para o lado, deitei na cama e fiquei virado para ela, que fez o mesmo. - Não é uma má ideia te amarrar a mim.
-Oh? - perguntei rindo, do modo como ela falou poderia ser um pouco mal interpretado, mas ela não parece ter notado.
-Eu posso te contar um segredo? - ela pediu parecendo novamente mais sonolenta.
-Claro. - ela se aproximou do meu ouvido.
-Eu acho que te amo. - ela sussurrou e se afastou com um sorriso travesso, depois disso dormiu.
-Não me provoque, Lua. - falei ciente de que ela não estava mais me ouvindo.
É tão bom ver o rosto dela perto do meu. Ela era muito pequena quando fomos separados, mas ainda vejo alguns poucos traços daquela garotinha de antigamente nessa atual mulher, que capturou meu coração apenas por aparecer.
Eu nunca gostei dela romanticamente, nós éramos crianças e mesmo que eu já tivesse doze anos, eu tinha consciência de que nós dois ainda éramos muito novos, principalmente ela.
Eu havia concordado com aquele casamento porque me parecia uma boa acabar com todas as possibilidades de uma guerra com Maram e porque parecia algo que meus pais apoiariam, um casamento com a filha dos melhores amigos deles.
Quando a vi naquele vestido verde, com os cabelos soltos e um sorriso petulante, não consegui deixar de relacionar as duas. Eu tinha medo de que fosse apenas coisa da minha cabeça, algo que eu criei para fingir que ainda tinha ela ao meu lado.
Só pensar que aquela garota selvagem e a Lua eram a mesma, todo o meu corpo reagiu de modo estranho, minha mente começou a procurar a probabilidade de que elas fossem a mesma pessoa.
Apesar de ser uma pequena possibilidade, eu fiquei louco, quando a vi dar atenção a outros caras, me perguntei o porquê ela fazia isso e fiquei mais irritado que o de costume. Era o direito dela gostar, olhar e falar sobre quem quisesse, mas eu sentia que se deixasse ela fazer isso, minhas esperanças seriam frustradas.
Quando a vi ao lado de Carlos, eu tive certeza que era ela. Não sei como consegui manter a calma, queria conversar com ela mas era óbvio que ela não tinha mais as memórias dela. Para falar a verdade, eu já sabia disso por causa dos relatórios vindos desse mundo, mas às vezes eu pensava que talvez fosse uma mentira para não me fazer enlouquecer com a notícia de que ela estava morta mesmo.
Maram já sabia onde ela estava e até a protegia nas sombras, mas nunca me deixaram saber disso. Só descobri recentemente, acho que era bem perigoso trazer ela de volta e se tentassem me contar a localização dela, eu sem dúvidas iria buscá-la.
Eu tinha quase certeza de que ela estava morta. Mesmo que não estivesse, como ela teria ido parar ali? Não constava nada nos relatórios.
Ainda era tudo muito suspeito, eu precisava Observer e esperar. E eu observei.
Observei o quão bonita a pele dela era, o quão lindo era seu sorriso, observei que cada gesto seu era cheio de graça e independência, observei suas curvas, sua boca e também a sua inteligência e criatividade. Sempre que comprava algo na capital, ela sorria de um modo tão caloroso e agradecia aos vendedores de modo tão terno que não vi um deles não sorrir de volta.
Tão linda. Tão... ela.
Agora ela está deitada aqui ao meu lado, em toda a sua perfeição.
Não acredito ainda que ela aceitou voltar comigo, que ela está ao meu lado e aparentemente pretendende continuar comigo por mais tempo.
Eu acho que se ela me pedisse aqui e agora a coisa mais absurda do mundo, eu faria. Eu faria tudo para tê-la ao meu lado.
Faz pouco tempo que conheço a atual Lua, mas ela já conseguiu roubar completamente meu coração e ocupar todos os meus pensamentos.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Lorena Ribeiro
romance rápido, romance desenrolado, romance bom. 👍 gosto assim
2020-02-24
5
Sarah Nunes
eu não consigo viver sem esse romance, que tento até imaginar o que está por vim. tô amando muito.
2020-01-20
8
Gegê 😜
q fofo mano
2020-01-20
10