Cap. 16 (sem revisão)

Pode fazer menos de duas semanas que saí daqui, mas o ar dentro da mansão está muito melancólico. As serventes continuam andando para lá e para cá mas estão meio perdidas.

Subi até o meu quarto e me joguei na cama, eu preciso muito descansar, me sinto tão moída... Stephanie disse que ia fazer algo que Carlos mandou e sumiu assim que entramos; não me importei muito com isso.

Quando cheguei perguntei a qualquer uma das serventes sobre a Valquíria, porém ninguém sabe onde ela está. Pelo que Carlos me disse ela é uma das informantes de Rui, o outro provavelmente é Li mas não o vejo faz bastante tempo.

Levantei contragosto e fui tomar um banho quente de banheira, eu mesma o preparei apesar de poder ter usado o Anel Amélia para pedir que alguém fizesse por mim.

Como será que Rui está? O que será que ele está fazendo?

É estranho pensar nele enquanto estou relaxando na banheira mas não consigo evitar de me preocupar. Fecho os olhos e jogo a cabeça para trás, me lembrando daquele sonho estranho que tive na carruagem.

Faz um tempo que me pergunto se há possibilidades de esses sonhos estranhos serem memórias, já que só os tive depois de ter vindo parar aqui. Se isso for verdade, eu e Rui temos um lugar secreto? Se sim, onde? Gostaria de me lembrar mas quanto mais penso nisso, mais minha cabeça dói.

Terminei meu banho, vesti uma camisola e voltei a me jogar na cama. Acabei dormindo por muitas horas, quando eu acordei o sol já estava alto no céu, deve ser um pouco mais de meio dia.

Ouvi batidas na porta e pedi para a pessoa entrar enquanto bocejava, era Valquíria.

- Você realmente voltou! - ela sorriu e veio até mim. - Eu pensei que você fosse cuidar da Ana...

- Eu ia, mas tem coisas que eu preciso fazer. - me levantei meio grogue e caminhei até o banheiro. - Você pode convocar todos os nobres para estarem aqui em uma hora?

- Tão rápido?! - ela ficou pálida.- E-eu acho que sim...

- Então chame todos, por favor. - eu não disse mais nada e me tranquei no banheiro.

Eu usei uma touca até para dormir, ainda não era hora de mostrar o meu cabelo para ninguém, mas receio que não posso mais fugir. Não sei qual é a implicância dessa turma com cabelo mas aposto que eles vão amar (ironia aqui) meu novo estilo.

Tomei outro banho, dessa vez bem rápido e fui para o closet sem me preocupar com o fato de nunca ter estado lá antes, já que quem me veste é Ana e Valquíria.

Ele é enorme, tem diversos vestidos nas cores mais variadas possíveis. Até onde eu sei isso tudo era da mãe de Rui, por isso não sei ao certo se posso úsalos a vontade.

Toquei uma fileira de vestidos vermelhos, começava com um bem clarinho e terminava quase no vinho. Puxei um vermelho sangue para fora; ele tem mangas 3/4 de renda cashmere vermelha, o decote das costas chega até a cintura (deixando boa parte das costas exposta), o busto está também coberto pela renda por cima do tecido vermelho e o decote é quadrado (imagino que se eu o vestisse perto de Rui ele piraria e não me deixaria sair do quarto), por último a saia tule longa tem tantas camadas que depois de vestir sozinha o vestido com muito sacrifício, me sinto uma dessas princesas de filme da Disney.

Optei por colocar meus All Stars (não quero morrer em um salto) e fiz uma maquiagem bem básica, passando apenas rímel, lápis de olho e um batom vermelho que talvez não combine com a minha personalidade, mas me deixa combinando com o vestido. Meus cabelos agora tingidos em um platinado e com algumas ondas, resolvi desistir da química antes que meu cabelo fique uma porcaria por falta de secador.

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(Imagem Ilustrativa só para vocês terem mais ou menos uma ideia)

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Ouço Valquíria bater na porta novamente e dou uma última olhada no espelho.

Espero conseguir agir na frente de tantas pessoas. Eu sei o que é como devo fazer mas se vou ou não conseguir é outro assunto.

O Anel Amélia brilha no meu dedo, feito de gerin ele possui uma meia-lua encrustada com diamante. Quando disse que ele era feio, estava obviamente mentindo, ele é tão maravilhoso que sinto que não deveria usar mas Rui insistiu tanto que eu tive que aceitar. Respiro fundo uma última vez e saí do quarto.

Valquíria me olhou boquiaberta e perdeu a fala por alguns segundos.

- Uau! A senhorita está... incrível...- ela falou sorrindo ao final, depois começou a me seguir pelo corredor. - Todos já estão esperando.

- Muito obrigada, Val. - sorri para ela, a olhando por cima do ombro, ela desviou os olhos com um pequeno sorriso.

Entrei no "salão de audiências" depois de ser anunciada por Valquíria. Vários dos homens presentes começaram a murmurar coisas sobre minha aparência, sobre minha presença ou sobre a estranheza do convite.

Eu ignorei a todos e caminhei triunfante mente até o pódio onde o trono de Rui fica, fiquei em pé com a minha melhor postura e olhei para todos de cabeça erguida e com tanto orgulho quanto podia.

- Boa tarde, senhores. - saudei, eles hesitaram um pouco antes de inclinarem minimamente suas cabeças na minha direção. - Vocês devem estar se perguntando o porquê de estarem aqui.

- Com todo o respeito, acho que foi muito rude sermos convocados tão de repente. - Um homem barbudo se pronunciou com um sorriso arrogante. - Agora, onde está o mestre para nos dizer logo o que deve dizer? Não estamos aqui para te admirar, por mais bonita que seja.

- Acredito que devo tomar isso como um elogio, Sr... ? - esperei ele me dizer seu nome.

- Wilian. - ele se apresentou esnobe, acho que espera que eu tema seu nome mas para a infelicidade dele não sou daqui para conhecer qualquer fama que ele possa ter. - A senhorita pode tomar isso como desejar.

- Oh, prefiro não fazer inimigos tão cedo. - ele ficou confuso, assim como o resto da sala. - Bom, eu tenho um anúncio a fazer.

Dei um sorriso inocente enquanto fitava cada rosto presente. Será incrível ver a reação deles, que estão tão cheios de si, depois de ouvir minhas próximas palavras.

- Vocês podem se fazerem de sonsos, mas sabem que nem Rui e muito menos Carlos estão aqui. - eu caminhei lentamente em volta do trono e por fim parei encarando toda sua maestría. - É dever do "mestre" proteger os cidadãos e tomar decisões boas para o país mas lugar está vazio e eu declaro que, a partir de hoje, ele é meu.

Eu me sentei, fechando minha afronta com chave de outro e ouvi as vozes de todos se elevarem em protesto. Ergui uma mão, pedindo silêncio e propositalmente expondo meu anel. Aposto que eles ficaram em silêncio mais por ter visto o Anel Amélia do que por respeito a mim como pessoa.

- Antes de partir Rui me deixou a cargo dos assuntos militares e, nesse exato momento, existem centenas de soldados lá fora, apenas esperando meu sinal. - vi parte deles ficarem pálidos e parte ficarem roxos de raiva. - Se alguém tiver algo contra eu estar aqui, pode tentar a sorte.

Lambi os lábios dando meu melhor sorriso cruel. Ah, é tão bom ser vilão! Agora entendo porque os melhores personagens quase sempre são vilões.

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Sentada abraçada as minhas próprias pernas, no parapeito do pátio que Rui me trouxe na nossa última noite juntos em Nyur, eu encaro aquelas luzes novamente.

Eu me sinto tão melancólica...

Estou usando meus jeans e meu moletom de novo. Estou usando o capuz da blusa porque sinto que seria errado aparecer desse jeito em um lugar onde Rui me deixou claro que não queria que eu fizesse mudanças por aqueles nobres. É como manchar uma boa memória, mesmo que seja idiotice pensar nisso.

As luzes hoje parecem indiferentes ao fato de que Rui se foi, diferente de mim que ainda espero ouvir sua voz rouca sussurrar qualquer idiotice no meu ouvido.

Mas ele não está aqui, eu sei muito bem. Será que aquela nojenta está aproveitando que eu estou longe para tentar seduzir ele? Sequer me lembro o nome dela, daquela que se acha toda importante... Oh, que ironia, aqui estou eu sendo governante temporária de um país inteiro.

Certo, eu tecnicamente também sou "mestre" de Maram mas isso não conta tanto. Quando Carlos diz que é mestre de Maram é só no título mesmo, porque quem toma todas as decisões é a nossa mãe. Por ser um país matriarcal, os "mestres" do sexo masculino são apenas peões da antiga meste e só são nomeados com mestres se tiverem dezoito anos e forem fértil, assim quando ele tiver uma filha ela poderá governar. Por sorte, nunca aconteceu de algum dos nossos ser incapaz de te filhos, então nossa linhagem se mantém "pura".

Aqueles vermes nem tentaram protestar, embora tivessem tentado se opor com o argumento de que sou mulher, ao que respondi que tenho mais atitude que eles, visto que quem está sentada no trono sou eu, e também mais poder militar, se eles quisessem se rebelar, podiam se unir todos e ainda não iam conseguir homens o suficiente.

Como Carlos supôs, por causa do anúncio de Rui os soldados e os capitães não se importam com nada que eu faço, as ordens de Rui são para que eles me obedeçam e ele mesmo deixou claro que não importava a situação eles deviam me apoiar. Então, aqui estou eu dando um suposto golpe de estado, e eles me seguem igual a cães leais.

Aliás, eu convoquei um dos capitães e pedi para que levasse seu batalhão para o ponto menos improvável de ser usado como rota para o tráfico de escravos, e ele me disse que o porto ao norte era onde ficava um dos maiores fortes da marinha (que inclusive, também é minha jurisdição) e ninguém ousaria usá-lo.

Mas... Bem, o Luffy não invadiu o suposto forte mais impenetrável de Marinha quando saiu de Skypea? Se ele está vivo para lutar contra o Kaito, porque aquele desgraçados da carruagem não pode ter encontrado um jeito de sair do país mesmo sob o olhar do Capitão Poe, suposto capitão mais temido do universo?

O mandei investigar principalmente no lado norte e ele obedeceu sem mais refutar.

Eu gostaria de ver Rui agora mas sei que se voltar não vou conseguir o encarar carregando a mentira. Sim, é para o bem dele e para o de todos mas ele é tão cabeça oca que não entenderia o que estou fazendo simplesmente por querer que eu fique "segura".

Gostaria de ajustar agora me relógio e voltar para o outro mundo só para vê-lo mas sei que não seria tão fácil. Cada ponto desse mundo corresponde a algum do meu mundo, mas como vou saber exatamente onde tenho que estar para aparecer perto dele? Se a mansão corresponde à praça perto do meu, onde teria que estar para brotar no hotel? Eu cheguei ao vilarejo de Ana por estar em um beco na cidade vizinha (Carlos quem recomendou), então não sei onde teria ido parar caso tivesse sido do hotel.

Aliás, soube que Eduardo também voltou para a vida dele, o tiraram da prisão em troca de um meio de irem atrás de mim e ele concordou feliz. Não que ele precisasse sair da cela para voltar mas ele se mantinha preso porque queria de volta o direito de ir e vim sem precisar estar preso, ele queria que Rui o perdoasse e desse passe livre.

Eu ainda não sei como exatamente é possível conseguir um desses braceletes mas pelo que ouvi de Carlos você precisa ter uma licença especial tanto para possuir quanto para usar o bracelete, Eduardo tem certa influência sobre a organização que controla as viagens entre os dois mundos.

Giro o bracelete no meu pulso enquanto pondero sobre tentar voltar mesmo que seja fora dos planos mas antes que eu tome uma decisão, Valquíria veio me alertar sobre os perigos de ficar até tão tarde da noite aqui fora e sobre o quanto dormir faria bem para a minha saúde.

Respirei fundo e, depois de lançar um último olhar para a paisagem, entrei direto para o meu quarto.

O único cheiro nos meus lençóis é o de eucalipto mas eu gostaria muito de sentir o cheiro do perfume de Rui aqui, talvez faça eu me sentir melhor...

Vou sorrateira até seu quarto e me jogo em sua cama, aqui o cheiro dele é tão presente que me faz sentir ainda mais saudades... acabo dormindo abraçada a um dos seus travesseiros.

Faltam 25 dias para ele voltar.

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