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- Lua, você ouviu falar que no jardim tem uma passagem secreta? - ouvi uma voz falar no meu ouvido.
- Sério?! Eu quero ver a passagem!
- Shhh! O papai não sabe que eu sei! - me advertiu.- Não é só porque sou filha do capitão da guarda pessoas dos Maram que posso me safar da bronca.
- Me desculpa! - pedi arrependida, minhas mãos gordinhas foram pegas por um garoto mais ou menos da minha idade e "ele" me arrastou para fora.
Para falar a verdade, é uma garota muito parecida com um garoto. Nós fomos para o jardim escondidas e depois de duas horas procurando, nos sentamos de baixo de um cedro velho para descansar.
- Um dia, eu vou te levar lá! - ela prometeu. - Por favor, seja minha amiga até lá!
- Claro, nós sempre seremos melhores ami...
- Lua! - alguém interrompeu me chamando, vi meu vô nos observando de certa distância e corri para o abraçar. Ele olhou de um modo esnobe para a garota que estava comigo, mas eu não fiz nada. - Por quê está brincando com essa... garota?
- E-eu... vou indo. - ela se levantou e correu de volta para a mansão.
Eu me arrependo muito por não ter a defendido, depois daquilo ela continuou ao meu lado mas a culpa me impedia de ser próxima dela. Ao poucos nós nós afastamos porque eu passava muito tempo em Nyur e depois disso nunca mais a vi.
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Sabe quando você quer simplesmente sumir? Era o que eu queria ao ver o olhar que Rui me lançou quando eu e Carlos falamos sobre eu ir para Nyur cuidar de Ana.
Quando voltei para o nosso quarto, ele reclamou de eu ter saído sem ele e no momento em que dissemos que eu queria voltar, ele pareceu prestes a explodir.
- Não, você não vai voltar sem mim! - ele me segurou pelo pulso, como se eu fosse escapar a qualquer instante, e checou meu dispositivo de viagem no tempo (desde que voltei deixei ele no meu braço) que estava obviamente desligado, não sou nem louca de correr o risco de aparecer em qualquer lugar.
- Você não manda em mim! - falei puxando meu braço e arrumando melhor a touca, tenho certeza que ele surtar ia mais ainda a visse meu cabelo.
- Você disse que ia ficar comigo. - ele parecia prestes a entrar em desespero. - Eu não posso te deixar ir. Se Ana precisa de tratamento, eu vou, mas você tem que ficar aqui.
- Você não pode. - Carlos interrompeu, mas Rui o ignorou e fez um sinal para ele sair do quarto.
Meu suposto irmão hesitou, mas eu fiz um sinal concordando que ele fosse. Rui me olhou demoradamente e eu me senti estranha, como uma criança sendo repreendida pelos pais.
- Eu não posso te perder de novo... - ele admitiu transtornado. - Por favor, fica.
Eu senti o meu coração apertar com a expressão no rosto dele, a idéia não era o deixar preocupado. Mesmo que doa o ver assim, ainda fico feliz em saber que importo para ele.
Eu me aproximei dele, seus olhos negros me olhavam tão intensamente que eu quase não consegui esconder minhas verdadeiras intenções voltando sozinha para Nyur. Coloquei minhas mãos nas suas bochechas e fiquei na ponta dos pés para alcançar sua testa.
- Não precisa se preocupar. Afinal, eu sou uma pirata. - lhe dei um beijo na testa, mas quando planejei voltar a ficar direito em pé, ele envolveu minha cintura e me abraçou forte.
- Eu te amo. - ele falou com a voz abafada no meu pescoço, meus olhos se encheram de lágrimas. Eu estou com medo, muito medo de perder todo esse quadro bonito pintado especialmente para mim, não quero ficar sem fazer nada e correr o risco de ver tudo desmoronando aos poucos.
- Você nem me conhece direito. - argumentei passando meus braços em volta do seu pescoço.- Você conhece uma garotinha de oito anos que não existe mais. Talvez ela esteja aqui dentro, em algum lugar, mas eu e ela não somos mais a mesma pessoa.
- Eu amo aquela garotinha.
Eu mordi o lábio inferior por causa de tamanha franqueza. Claro que eu sei que ele não me enxerga como eu realmente sou, mas ouvir ele dizer isso magoa um pouco.
- Mas também amo esse mulher que está me abraçando. - ele deslizou uma mão pelas minhas costas e a colocou na minha nuca. - Eu realmente ainda não conheço ela direito, mas ainda assim sinto que o pouco que sei sobre ela é o bastante e que o que ainda posso aprender só vai fazer eu me apaixonar mais.
Ele se afastou um pouco para me olhar nos olhos, como se pudesse ler todos os meus pensamentos.
Seria realmente problemático se ele fizer isso, afinal eu estou tramando me tornar a maior vilã do mundo dele. Duvido que ele deixaria eu "me sacrificar" pelo plano deles.
A ideia inicial era apenas negligenciar o governo até a pessoa por de trás de tudo tentar tomar conta do governo sob o pretexto de que Rui os abandonou, mas se eu não ir lá impedir que gerin e aquela tal droga seja usada, talvez essa estratégia dê errado.
Eu notei hoje mais cedo que o mundo de Carlos e Rui é muito inocente em comparação ao meu, que lá não há coisas como um massacre das massas por mais poder e que para eles, o bem estar dos cidadãos comuns é mais valioso do que para nós. Se esse mundo macular a pureza de Nyur, Maram e qualquer outro país que possa existir do outro lado, eu não vou poder me perdoar.
Gerin é tão valiosa aqui quanto em Nyur e se descobrirem que ela vem de um lugar onde eles não conhecem o verdadeiro terror da guerra, duvido que vão hesitar em exterminar milhares. Quem quer que seja a ponte entre os dois mundos, deve ser parado antes que se torne público algo que vá mudar a história de todo o povo de Carlos e Rui... do meu povo.
- Não faça nada perigoso. - ele pediu me dando um selinho suave. - Se eu perder você de novo, não vou ter mais motivos para viver.
Eu não planejo morrer, porque se eu morrer vai ser Game Over, a pessoa que está por de trás de tudo isso só precisaria me derrubar e Rui também estaria fora da jogada. Mas acho que é possível eu invocar aquele poder oculto em mim (posso falar assim, mas se parar para pensar só sei balançar espadas provavelmente por algum extinto de quando era criança) e me defender sozinha. Se eu ver que não posso dar conta, eu vou ir embora imediatamente.
- Não exagere, ainda existe milhares de pessoas que precisam de você. - virei meu rosto, envergonhada. Desde quando é tão normal que ele me beije assim do nada?
- Eu não escolhi proteger milhares de pessoas (nasci com esse dever), mas escolhi proteger você e, apesar de tudo, você é mais importante para mim do que qualquer outra pessoa. - ele colocou a mão no meu rosto e me fez olhar para ele. - Prometa que não vai fazer nada por conta própria.
Nha, eu meio que já estou fazendo, mas não preciso dizer isso a ele.
Desde que me lembro eu sempre fui uma criança rejeitada. No orfanato ninguém queria brincar comigo e na hora das refeições, misteriosamente alguma coisa do pratos deles voava na minha cara; quando fui adotada, minha "mãe" disse que queria que eu não a chamasse disso e até mesmo "tia" era uma palavra proibida, eu podia apanhar se a chamasse assim; na escola todos os alunos pegavam no meu pé, com excessão de Eduardo; se eu falava um pouco mais alto, se eu ria estranho, se eu tirava notas baixas, dissesse que não sei fazer algo ou parava para assistir TV por alguns minutos, tinha que pagar o preço por ser uma garota má.
Agora que conheço o que é ser "livre" para sentir e fazer coisas como rir e chorar, não posso perder do nada.
Com o tempo eu deixei de me importar e sempre que achava a oportunidade de fazer propositalmente coisas que irritaria meus tios, comecei a ser a melhor na escola para fazer as pessoas que me desprezavam ficarem com raiva e até mesmo me tornei a "favoritinha" de todos os professores.
Bom, agora é hora de fazer tuda essa experiência ser útil para alguma coisa. Vou voltar para Nyur e conseguir descobrir quem é essa pessoa horrível por de trás de tudo isso.
- Okay, eu prometo que volto se achar que não dou conta, já que você não vive sem mim. - era para ser brincadeira, mas ele parece concordar. - Agora eu vou...
... eu ia ir para a praça para poder usar o dispositivo, mas Rui me interrompeu com um beijo desesperado. Ele me encostou na parede mais próxima e senti suas mãos se apertarem na minha cintura.
- É tão difícil me controlar quando penso que não vou te ver por um tempo. - ele ele sussurrou no meu ouvido, fazendo eu me arrepiar toda.
- Eu... sinceramente não sei o que dizer. - escorreguei minhas mãos da sua nuca para o seu peito e o empurrei gentilmente. - Preciso ir.
Ele concordou e me deu um beijo no topo da cabeça antes de me deixar sair. Corri até o elevador, antes que mudasse de idéia e escolhesse ficar para sempre no seu abraço.
Eu sempre pensei que me apaixonar não era para mim. Eu queria ser tão independente quanto pudesse: eu ia estudar em uma faculdade boa, conseguir um emprego, ir embora e ter sucesso o bastante para conseguir preencher qualquer vazio com dinheiro, sei lá.
Dizem que dinheiro não compra felicidade mas eu ficava imaginando a satisfação de comprar um conversível, ter um closet cheio de All Stars e a geladeira com açaí a vontade. Isso seria bem legal também.
Agora, depois de tudo o que aconteceu nas últimas duas semanas, tudo que eu consegui pensar é em como seria acordar todos os dias ao lado de Rui, o acompanhar em bailes e talvez até ter nossos filhos. Será que eles nasceriam com cabelos e olhos escuros ou claros?
Eu sei que Rui pode muito bem me proteger, mas esses dez anos fizeram de mim uma garota que se salva sozinha e não espera que outros venham por ela. Se eu posso lutar pela minha felicidade, pelo homem que faz meu coração bater mais rápido, eu vou fazer o que estiver ao meu alcance.
_________________💕Nota💕__________________
A primeira parte, das "lembranças" da Luna não é nada que ela lembrou específicamente agora, é apenas algo que ela se lembra vagamente desde quase sempre.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Gegê 😜
lança mais por favor ,eu amo muito essa história
2020-01-27
4
Sarah Nunes
Ameiiii
2020-01-26
4