Acordo abraçada ao Asumi mas algo está muito estranho quando o olho. Ela parece bem menor, tanto em tamanho quanto em peso, pelo menos metade dele está faltando.
Vou até o banheiro e faço minha higiene matinal. Um pouco antes de me vestir Valquíria bateu na porta mas eu não a deixei entrar dispensei e pedi que trouxesse o café da manhã.
Ultimamente eu só uso preto, por isso hoje eu faço o mesmo. Não me parece certo usar cores alegres se Rui e Carlos não estão aqui. Coloco um vestido todo preto e cheiro o meu braço, eu tenho um complexo com meu cheiro porque depois que Valquíria e eu terminamos de cozinhar as coisas ontem eu perguntei como eles fazem para no reconhecer e ela disse que é pelo cheiro.
Aparentemente é comum as pessoas afetadas pelo gerin impura em Nyur e Maram tenham um olfato aguçado e é por esse motivo que todos os sabonetes, olhos, perfumes e etc têm um cheiro muito forte - quase ninguém tem o mesmo cheiro que outros.
Eu perguntei que cheiro eu tinha então e ela disse que eu cheirava ao Rui e que desde que eu cheguei o meu cheiro se mistura ao dele, o que significa que todos imaginam que a minha relação com o Rui é tão profunda que nos leva a "dormir" junto.
Tudo isso se deve ao fato de Rui ter o melhor cheiro e o mais forte também, assim até plebeus pode reconhecer ele a distância. Ou seja, eu dormir aqui nesse quarto é o mesmo para pedir para ser contaminada.
-Puo! - Asumi veio correndo, ele comeu tudo o que Valquíria trouxe e parece um pouco menor e suas penas estão marrons, agora é mais um urso de pelúcia que qualquer outra coisa.
- Eu queria te levar para fora mas... - eu me abaixei e peguei ele no colo enquanto lhe fazia cafuné.- Eu acho que não é uma boa ideia te mostrar em público.
- Amélia, temos... - Valquíria abriu a porta sem bater e me flagrou com Asumi.
- N-não é o que parece! - eu fiquei meio apavorada.
- Que você gosta de galinhas? - ela deu uma risadinha.- Mas não é bom prende-la aqui, seria melhor se você a soltasse.
- Puo... - eu o ajeitei nos meus braços.
- Ele vai ficar comigo, ele não quer ir embora. - Asumi soltou uma expressão que prefiro interpretar como um consentimento.
- Você tem certeza...? - ela parecia na dúvida, mas comecei a andar para fora com Asumi nos braços.
Ele combina bem com uma galinha desse tamanhozinho, apesar de que as galinhas são bem diferentes para mim do que para Ana, já que elas aparentemente são bem estranhas.
Muitas pessoas me olharam estranho, mas eu não me importei. Asumi estava quieto olhando tudo em volta maravilhado e soltando uns "puo" hora ou outra, meu medo é ele ficar do tamanho de um elefante de novo em cima do meu ombro.
Eu preciso receber os representantes dos nobres para discutir a administração de cada território. Eles seriam como os assistentes de prefeitos, ou algo assim? Eu passei por todas as reuniões e estava exausta, em certo momento Asumi pulou no meu colo e dormiu enquanto eu mexia na cabecinha dele, sinto muita falta de como ele era antes.
-Boa tarde, senhorita. - um rapaz alto de cabelos pretos e olhos castanhos se inclinou para me cumprimentar. O cabelo dele não é nem de longe tão bonito quanto o de Rui mas vamos ignorar isso e parar um momento para ouvir.
-Boa tarde, você é...? - perguntei bocejando, o rapaz sorri mas seu sorriso não é nem de longe tão bonito quanto o de Rui.
Por que eu estou pensando nele agora? Mas que saco, ele está a literalmente um mundo de distância mas eu não consigo parar de pensar nele. E por que eu fico o comparando com esse cara que nem tem nada a ver com o assunto?
Como se entendesse minha irritação, Asumi acordou e ficou me olhando. Opa, eu sinto que ele está um pouco mais pesado, será que...
-Puo! - ele parecia meio irritado, o que é que ele quer?
-Eu sou Raul, representante do Sr. Jhonatan. - o rapaz me respondeu mas estou mais preocupada com a aura assassina que Asumi emana.
Fiz um sinal para Ana, que me acompanhou durante toda a conferência, e pedi que trouxesse comida.
-Sr. Jhonatan? - eu franzi o cenho, onde eu já tinha ouvido esse nome?
-Meu senhor pede perdão pelos transtornos causados à família da sua amiga, ele enviou um presente de desculpas. - ele sorriu um pouco e ergueu a mão, as serventes abriram as portas.
Oh sim, Jhonatan é o nome do cara que controla o território onde Ana morava, lembro de ter ouvido do pai dela.
-Que merda é...- eu arregalou os olhos e engasguei com o ar.
-A senhorita está bem?! - a pessoa recém chegada perguntou. - Eu sou Kazuki, é um prazer lhe servir.
-Meu senhor pensou muito e concluiu que se os nobres gostam de se entrerter com uma selvagem, as mulheres também devem se interessar nisso, por isso comprou esse escravo como presente. - Eu sinto meu sangue ferver mas o cara não cala a boca.- Ele sabe pintar, cantar, tocar vários instrumentos e ouvi também que é muito bom em outras áreas.
Isso é nojento em tantas formas diferentes que quase esqueci o principal motivo que tenho para estar surpresa. Isso é claramente um insulto, uma provocação ou sei lá o que! Aquele bastardo deve saber que eu sou uma viajante e que no meu mundo escravidão é um ato criminoso. Ainda por cima usa o termo "selvagem" para descrever o suposto escravo, uma coisa que todos consideram que eu sou.
- Isso é um insulto! - eu falei irritada mas fui distraída por Asumi, que pulou do meu colo e correu até "Kazuki". - Asu...
- Tudo bem! - ele me interrompeu, pegando Asumi no colo e o acariciando. Asumi estava claramente feliz, quase tanto quanto quando o encontrei.
-Tanto faz! - droga! Eu fiz um sinal para os guardas. - Leve Raul daqui, eu vou...
Os olhos de "Kazuki" me firaram de um jeito que fez meu coração disparar como um louco, acho que contraí uma alergia a eles.
-... dêem um quarto a Raul, ele deve estar cansado da viagem. - completei sentindo um gosto amargo na boca. O que eu quero mesmo é que Jhonatan e Raul sejam presos, mas aparentemente essa seria a decisão errada.
Em menos de dois minutos, eu e Raul acabamos com as formalidades e eu fiquei sozinha com "Kazuki".
-Você deve ter se sentido triste enquanto eu estive fora. - Rui disse ao Asumi com um sorriso lindo nos lábios.- Isso vale para você também.
Ele colocou Asumi no chão e caminhou até mim com uma expressão séria. Rui está com o cabelo curto e todo bagunçado, suas roupas são simples mas eu podia reconhecer seus ombros largos e seus olhos pretos em qualquer lugar.
-Você me desobedeceu. - ele acusou apoiando as mãos nos apoios ao lado do trono e se inclinando na minha direção.
Eu dispensei todos os guardas e serventes, temo que não tenha sido uma boa escolha. Temo que as batidas do meu coração façam eco nesse enorme salão.
Sinto saudades dos cabelos cumpridos de Rui, mas ele está tão mais maduro com esse corte que agradeço por não estar de pé, ou minhas pernas me traíriam e eu poderia cair.
Quero perguntar que papo é esse de "Kazuki"mas o que mais me preocupa é a sua clavícula, abri os botões superiores da sua camisa e afastei o bastante para ver o lugar onde a marca de escravo foi cravada.
-Desculpa. - passei a ponta dos dedos na cicatriz.
- Isso não foi culpa sua. - ele ergueu meu queixo com uma das mãos.
-Como não se...
-Você está tentando fugir? - ele me interrompeu parecendo achar o assunto desnecessário para o momento.
-De que? - perguntei confusa.
-Do castigo por fazer as coisas pelas minhas costas.- ele respondeu com um sorriso nada inocente ao encarar meus lábios. - Se bem que acho que só isso não compensa o que você fez. Eu fiquei tão preocupado quando descobri...
-Eu não achei que... - ele me interrompeu com um beijo.
Eu posso colocar uma nota de rodapé dizendo que senti muita saudades da boca dele?
Rui me beijou sem sequer se importar em ser delicado, foi um beijo selvagem e desesperado que quase me fez perder o juízo desde o momento em que seus lábios tocaram no meu até o momento que eles deixaram os meus para distribuir beijos no meu pescoço e ombro expostos.
A eu do passado sentiria vergonha da eu depravada que permite e até gosta disso.
- Rui...
- Hm? - ele perguntou parando de me beijar e me olhou, me arrependi de o interromper mas sei que foi o certo.
- Qualquer pessoa pode entrar aqui e nos ver agora, você não quer ser visto como corno. - brinquei fingindo que não o interrompi por estar perdendo o pouquinho do juízo que consigo ter perto dele.
Ele concordou e se afastou, Asumi nos observava de longe mas se aproximou feliz assim que percebeu uma brecha.
-Você precisa ter cuidado com como me chama de agora em diante. - Rui avisou me olhando de um modo que me fez ficar envergonhada por querer agarra-lo de novo. - Para eles eu ainda estou no seu mundo e provavelmente acreditam que eu não posso voltar tão cedo.
-Ahn? - eu peguei Asumi no colo, Valquíria entrou quase no mesmo momento com um carrinho de comida.
-Quem é esse? - ela perguntou olhando para Rui, é estranho pensar que para ela ele é só um borrão bonito (digo "bonito" porque duvido que Rui fique feio, mesmo embaçado).
-Um escravo que me deram de presente. - falei enojada com a ideia, mas ao mesmo tempo penso que não seria tão ruim assim ter um escravo como ele.
-Quem fez isso?! - ela falou revoltada, arregaçando as mangas.
-O tal Jhonatan. - respondi sorrindo por causa do seu jeitinho.- Mas não se preocupe, eu sei lidar com isso.
Ela concordou contragosto e se retirou depois de ser dispensada. Asumi comeu ferozmente tudo o que tínhamos carrinho e Rui me impediu de comer quando peguei um pão.
-Você deve comer coisas mais saudáveis. - ele olhou para Asumi e o separou do que tinha restado da comida. - E o senhor deve manerar.
- Você já o conhecia? - perguntei sorrindo com a cena, um perto do outro Asumi e Rui se parecem ainda mais, não sei o que me faz comparar os dois mas talvez seja a inocência que Rui apenas aparenta ter e Asumi realmente tem.
-Claro, o Asumi é meu amigo. - ele sorriu me olhando de um modo estranho.- Desde que eu tinha uns dois anos eu o tenho, vi o ovo dele quebrar e esse morto de fome nascer. A espécie dos Asu são conquistados com brincadeiras e comida humana, por isso quase todos os meus descendentes tem um ao seu lado.
-Isso é tão legal!
-O problema é que eles se apegam de mais aos donos e muitos morrem junto com eles. - ele olhou de um modo triste para Asumi.
-Puo! - ele fechou os olhinhos e inclinou a cabeça em direção a mão de Rui, que lhe fez um cafuné, logo ele dormiu.
- Vimos para o quarto. - Rui chamou e eu me levantei.
Seguimos em silêncio por um tempo, Rui parecia tão cansado que não ousei o incomodar com assuntos frívolos. Eu dispensei todos oa guardas e bloqueei a passagem até o meu quarto, mesmo que não fosse ficar em segredo que eu e "Kazuki" fomos para o meu quarto.
Chegamos no meu quarto (faz tanto tempo que não entro aqui que quase nem lembrava dele e Rui largou Asumi na cama e saiu de novo, sem nem me dizer nada.
Eu não sei muito bem o que sentir mas meu coração diz que é felicidade. Eu me sinto bem mais leve agora que estou com ele por perto e tento não pensar em quão estranha e confusa é a situação. Não sei porque ou quando os planos mudaram, mas ele não parece ter o objetivo de me "destronar" e se isso realmente for o melhor eu não me importo de continuar o teatro.
Pensar em Rui me lembra do nosso beijo e isso me deixa tão... estranha, que decidi pegar algo para ler.
Depois do uns minutos olhando para a mesma página e ainda relembrando de quão bom são os lábios de Rui, ele entrou no quarto com arroz, feijão, salada de tomate e carne de boi frita. Trinta pedreiros comem menos do que isso que ele colocou no meu prato.
- Sinto que você está mais magra, por isso coma tudo sem reclamar. - ele tirou a camisa, tentei desviar meus olhos mas foi impossível não babar quando ele se virou para mim.- Eu vou tomar um banho.
Eu só concordei e o vi entrar no banheiro. Alguns minutos depois eu já havia comido metade do que ele me deu e dado a outra metade a Asumi.
Rui saiu do banheiro com os cabelos molhados escorridos na testa e usando apenas uma calça preta de dormir, ele se deitou ao lado de onde eu estava sentada e ficou me encarando enquanto eu tentava ler meu livro para não pensar nele sem camisa ao meu lado.
- Pode parar de ler esse livro de ponta cabeça e deitar comigo um pouco? - ele pediu me fazendo corar.
Eu só notei agora que o livro está de ponta cabeça.
-Não sei se...
-Eu só quero dormir, prometo que não vou fazer nada além de te abraçar.- ele pediu com os olhos inocentes me implorando, eu tô falando que tenho alergia a esses olhos; meu coração disparou de novo.
Por que estou decepcionada com a certeza que ele deu?
Coloquei o livro no criadomudo e me deitei de frente para ele.
-Você voltou mais cedo. - falei por falta de assunto.
-Eu estava preocupado, então resolvi arrumar com Carlos para que ganhasse a confiança de Jhonatan... eu sempre desconfiei de que ele tem uma forte ligação com a pessoa que esteve por trás de tudo o que aconteceu oito anos atrás. - ele sorriu para mim e eu resolvi me virar de costas para ele, ou eu não resisti a todo esse charme.
Ele passou seu braço em volta da minha cintura e colou nossos corpos, eu posso sentir seu hálito quente na minha nuca.
-Eu senti saudades. - ele murmurou.
-Eu também. - falei baixo, Asumi estava ao meu lado, deitado na minha fé
tente e ainda dormia.
- Te amo. - senti sua respiração normalizar logo após ele dizer essas palavras.
Sorri comigo mesma e levou apenas alguns segundo para também dormir.
Eu também o amo, por mais que me assuste confessar isso.
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Atualizado até capítulo 46
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