Positivo para o Amor

Positivo para o Amor

Capítulo 01

Aviso: Bem-vindo(a)! Antes de iniciar a leitura, é importante saber que este livro contém cenas de sexo explícito, linguagem imprópria, uso de drogas e bebidas alcoólicas, além de temas como traumas e conflitos. Tudo nesta obra é puramente fictício — nomes, lugares e eventos não têm qualquer relação com a realidade. Boa leitura!

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...Bianca Paganini...

...Arthur De Angelis...

...Luna De Angelis...

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Aeroporto internacional da Alemanha.

Eu deveria estar em um avião agora, não encostada nessa cadeira dura do aeroporto de Frankfurt, ouvindo um anúncio incompreensível em alemão e tentando não surtar.

— Você só pode estar brincando comigo... — murmurei, apertando o celular contra a orelha enquanto esperava a resposta da atendente.

A voz robótica da companhia aérea repetiu pela terceira vez que todos os atendentes estavam ocupados. Meu voo de volta para o Brasil estava atrasado há horas, e a cada novo anúncio, o tempo estimado de embarque parecia se distanciar ainda mais.

Fechei os olhos e respirei fundo, contando até dez. Precisava manter a calma. Tudo que eu queria era sair daquele país, apagar da minha memória os últimos meses e recomeçar. Mas parecia que até o destino estava conspirando contra mim.

— Desculpe, senhorita, mas não temos previsão de embarque no momento — informou a mulher do guichê da companhia aérea, em um inglês impecável e com um sorriso treinado para parecer empático.

— Como assim sem previsão? Meu voo já está atrasado há três horas! — reclamei, tentando manter a compostura, mas sentindo a irritação crescer.

— Estamos aguardando informações da equipe técnica. Houve um problema com a aeronave, mas estamos trabalhando para resolver o mais rápido possível. Podemos oferecer um voucher para alimentação enquanto aguarda.

Ótimo. Porque um sanduíche frio de aeroporto ia mesmo resolver meu problema.

Suspirei e peguei o voucher sem discutir. A última coisa que eu precisava era chamar atenção. Depois de tudo que aconteceu nos últimos meses, meu plano era voltar ao Brasil de forma discreta e começar de novo, bem longe de certas pessoas.

Caminhei pelo terminal em busca de um café decente, puxando minha mala de rodinhas atrás de mim. Olhei as mensagens no celular e ignorei as que não queria responder. Apenas um nome me chamou atenção.

Manu: E aí? Sobreviveu?

Soltei uma risada baixa e digitei rapidamente:

Eu: Mal cheguei e já quero fugir. Meu voo tá um caos.

O celular vibrou quase imediatamente.

Manu: Isso é um sinal. Volta nadando, mas volta logo!

Sorri, balançando a cabeça.

Mal sabia ela que eu também estava considerando essa opção.

Soltei um suspiro longo e joguei o celular dentro da bolsa. Nem precisava responder. Manu sabia que, se dependesse de mim, eu já estaria a milhares de quilômetros daqui.

Parei na fila de um café e olhei o menu sem muito interesse. O cheiro forte de espresso se misturava com o cansaço do dia, e tudo que eu queria era um bilhete dourado que me levasse direto para casa. Mas não, eu estava presa em Frankfurt, sentindo que o universo fazia questão de prolongar meu martírio.

Meus olhos vagaram pelo aeroporto, observando os viajantes apressados indo e vindo, como se suas vidas estivessem perfeitamente organizadas. Um contraste absurdo com o caos que foram os meus últimos meses.

Fechei os olhos por um instante, sentindo aquela raiva amarga voltar a subir. Eu tinha vindo para a Europa cheia de expectativas, achando que seria uma mudança necessária. Que bom, que burra. No final, tudo tinha desmoronado como um castelo de cartas.

Primeiro, o emprego promissor que, na prática, era um pesadelo disfarçado. Um chefe insuportável, colegas competitivos ao extremo e uma pressão sufocante que drenava minha energia um dia após o outro. A única coisa que me fazia esquecer daquilo era ele.

Alessandro.

O nome ainda tinha peso nos meus pensamentos, mas agora não era mais de saudade. Era de raiva. De frustração. De vergonha.

Eu tinha sido ingênua o bastante para acreditar que ele era diferente. Que o charme italiano e as promessas sussurradas ao pé do ouvido eram genuínas. Mas no final, ele era só mais um babaca narcisista, viciado em joguinhos emocionais e no controle absoluto de tudo ao redor.

E eu fui a idiota que caiu.

Por meses, fui arrastada num ciclo tóxico de promessas vazias e manipulação. Sempre com aquela sensação de que algo estava errado, mas incapaz de me libertar completamente. Até que um dia eu vi—com meus próprios olhos—que não era a única na vida dele.

Foi humilhante. Foi o choque que eu precisava. E foi naquele instante que decidi: acabou.

Arrumei minhas malas e voltei para minha dignidade, pronta para deixar essa fase podre para trás. Mas agora, aqui estava eu, presa num aeroporto lotado, como se o universo estivesse me dando tempo extra para refletir sobre todas as minhas péssimas escolhas.

— Senhorita?

A voz impaciente do atendente me tirou dos pensamentos. Eu nem tinha percebido que já era minha vez no balcão.

— Um café grande, por favor — pedi rapidamente, entregando um dos vouchers.

Peguei o copo quente e me afastei, encontrando um canto mais isolado para me sentar. Encostei a cabeça na parede e soltei um longo suspiro.

Não importava o quanto meu voo atrasasse. Assim que pisasse no Brasil, eu ia apagar esse capítulo da minha vida. Para sempre.

E fiz uma promessa silenciosa: nunca mais. Nunca mais iria me permitir confiar em alguém dessa forma. Nunca mais baixaria a guarda para um homem. Eu confiei naquele desgraçado, entreguei a ele o benefício da dúvida, e na primeira oportunidade, ele jogou minha confiança no lixo.

Mas, no fundo, já era de se esperar. Homens são assim. Sempre foram. Meu pai era a prova viva disso.

Eu o amo, claro. Ele é meu pai. Mas se tem uma certeza que carrego comigo, é que não quero um homem como ele na minha vida.

Ele traiu minha mãe, como se o amor dela fosse descartável. Como se sua família fosse um detalhe insignificante diante dos próprios desejos. E não parou por aí—engravidou outra mulher, depois outra, e hoje tem três filhos de casamentos diferentes, todos desfeitos pelo mesmo motivo: traição.

Minha mãe chorou. As outras choraram. Todas foram deixadas para trás enquanto ele seguia em frente, colecionando histórias e justificativas vazias.

E eu? Eu cresci assistindo a esse ciclo se repetir.

Então, talvez o problema tenha sido meu. Talvez eu tenha sido idiota de acreditar, por um instante, que Alessandro poderia ser diferente. Que existiam exceções. Mas agora eu sabia a verdade.

Homens são todos iguais.

O alto-falante ecoou pelo aeroporto, anunciando a liberação do meu voo, e eu soltei um suspiro aliviado. Finalmente.

Levantei da cadeira com pressa, ignorando a dor incômoda nas costas depois de tantas horas esperando. Ajeitei a alça da bolsa no ombro e puxei minha mala de rodinhas em direção ao balcão de check-in.

— Nome? — perguntou a atendente, com um sorriso profissional.

— Bianca Paganini Fernandes.

Ela digitou algumas coisas no sistema e assentiu.

— Tudo certo, senhorita Paganini. Alguma mala para despachar?

— Sim. — Empurrei minha mala maior para o lado dela, sentindo um alívio imediato por me livrar daquele peso.

A atendente colou a etiqueta de identificação na bagagem e me entregou meu bilhete de embarque.

— Aqui está. Seu assento é na primeira classe.

Sorri ao ver a marcação no cartão de embarque. Primeira classe.

Eu nunca tinha sido do tipo que gastava dinheiro com luxos desnecessários, mas hoje… hoje eu merecia. Depois dos últimos meses, depois das horas infernais presa nesse aeroporto, depois de tudo que Alessandro me fez passar, eu precisava de um pouco de paz.

E se isso significava gastar uma quantia absurda para me isolar do resto dos passageiros e tomar uma taça de champanhe a dez mil metros de altura, então que fosse.

Passei pela segurança sem problemas e segui para o portão de embarque. As pessoas ainda se agitavam pelo terminal, algumas reclamando do atraso, outras correndo para não perder o voo. Eu apenas apertei o casaco contra o corpo e continuei andando.

Assim que chamaram a primeira classe para embarque, fui uma das primeiras a entrar no avião.

O comissário de bordo me recebeu com um sorriso simpático, guiando-me até meu assento espaçoso. A poltrona reclinava completamente, tinha um travesseiro confortável e uma manta fofinha me esperando. Já valia cada centavo gasto.

Me acomodei e fechei os olhos por um momento, sentindo o cansaço pesar. Assim que a decolagem terminasse, eu dormiria o resto do voo.

Tudo que eu queria era acordar em casa e esquecer que esses últimos meses sequer aconteceram.

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Comments

F Valeria Feliciano

F Valeria Feliciano

oi @Melissa, amando a nova história!! e o livro "Ligados pela escolha"? pretende terminar qndo?

2025-02-12

1

Dulce Gama

Dulce Gama

já estou gostando ❤️❤️❤️❤️❤️🎁🎁🎁🎁🎁🌹🌹🌹🌹🌹👍👍👍👍👍

2025-02-12

1

Sônia Ribeiro

Sônia Ribeiro

Já gostando! ❤️👏👏👏🥰

2025-02-10

2

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