Acordei com a cama vazia e um cheiro suave de perfume ainda impregnado nos lençóis. Porra.
Esfreguei o rosto, tentando afastar a frustração. Bianca tinha saído sem dizer nada, sem nem ao menos me acordar. Isso deveria ser um sinal claro de que para ela foi só uma noite qualquer. Mas, caralho... não era só isso.
Levantei e fui direto para o chuveiro, deixando a água gelada despencar sobre meu corpo. Tentei ignorar a sensação dela ainda grudada em mim, o gosto dela na minha boca, o jeito que ela se arqueava toda vez que eu a puxava para mais perto.
Depois de me vestir, fui para a cozinha e peguei um café. Meu celular vibrava na bancada com mensagens no grupo dos caras, mas eu ignorei. Minha mente ainda estava em Bianca.
Peguei o telefone e, sem pensar muito, mandei uma mensagem.
"Foi bom acordar e perceber que você fugiu de mim. Bem coisa de quem diz que tem pose, mas na verdade está só fugindo do que sente."
Esperei alguns minutos, mas nada de resposta.
Revirei os olhos, bufando.
"Se não quer responder, beleza. Mas pelo menos diz se chegou bem. Não precisa me ignorar como se eu tivesse feito algo errado."
Nada.
Aquela mulher estava me tirando do sério. Eu não era de correr atrás, nunca fui. Mas algo em Bianca me fazia querer provocá-la, entender o que passava naquela cabeça.
Terminei o café, joguei as chaves do carro no bolso e saí de casa.
Hoje o dia prometia ser longo, mas eu não conseguia me concentrar em mais nada além dela.
Passei o caminho todo até a casa dos meus pais tentando tirar Bianca da cabeça. Sem sucesso.
Ela tinha fugido de manhã como se tivéssemos feito algo errado. Mas, caralho, não fizemos nada além do que os dois queriam. E agora estava me ignorando como se eu fosse um erro.
Suspirei, tentando não deixar isso me afetar enquanto parava o carro na frente da casa dos meus pais. Antes de sair, olhei o celular. Nenhuma resposta dela.
Ótimo.
Desci do carro e toquei a campainha. Minha mãe atendeu com um sorriso caloroso e me puxou para um abraço.
— Bom dia, filho! Luna já está prontinha. Ela está ansiosa para te ver.
Sorri de canto. Luna era a única certeza boa que eu tinha na vida.
— Cadê minha pequena? — perguntei, entrando na casa.
Antes que minha mãe respondesse, ouvi o barulho de passinhos correndo e, em segundos, Luna surgiu na sala, vestindo um vestido azul claro e segurando um dos seus bichinhos de pelúcia.
— Papai!
Me abaixei e a peguei no colo, girando com ela no ar.
— Princesa! Sentiu saudades?
— Sim! Muito! — ela disse animada, segurando meu rosto com as mãozinhas. — Você cuidou dos meus peixinhos direitinho?
Ri. Ela tinha deixado uma lista detalhada de como eu deveria cuidar de cada um.
— Claro que sim. Eles estão bem e te esperando.
— Obaaa!
Minha mãe observava a cena com um sorriso, mas então estreitou os olhos para mim, analisando meu rosto.
— Você está com uma cara de quem não dormiu bem, Arthur.
Revirei os olhos, desconversando. Eu dormir muito bem.
— Só uma noite agitada, mãe. Nada demais.
Ela arqueou a sobrancelha, claramente não acreditando, mas não insistiu.
— Tá bom. Mas se precisar conversar, sabe que estou aqui.
Assenti, soltando Luna no chão.
— Obrigado, mãe. Mas está tudo bem. Agora vamos, princesa?
Luna assentiu animada, se despedindo da avó com um beijo. Peguei a mochila dela e saímos para o carro.
Enquanto dirigia de volta para casa, Luna tagarelava sobre a viagem para Orlando, contando cada detalhe com empolgação.
E, por um tempo, consegui focar apenas nela.
Até meu celular vibrar no painel.
Uma mensagem de Bianca.
Finalmente.
Li a mensagem rapidamente enquanto esperava o semáforo abrir.
Bianca:
"Estou no trabalho. E só para deixar claro… foi só uma noite casual, né?"
Soltei uma risada curta e incrédula.
Então era assim? Depois de me ignorar a manhã inteira, agora vinha confirmar que não significou nada?
Arthur:
"Foi o que pareceu para você?"
Enviei a mensagem antes que pudesse pensar melhor. O sinal abriu, e segui dirigindo, tentando não deixar aquilo me incomodar.
— Papai, a gente pode ir no shopping? Quero comprar um presente pra mamãe! — Luna pediu, me olhando com aqueles olhinhos brilhantes.
Sorri para ela pelo retrovisor.
— Claro, princesa. Podemos ir agora.
Dirigi até o shopping, me forçando a focar no momento com Luna e não na mensagem de Bianca.
Assim que chegamos, Luna me puxou animada para dentro das lojas, analisando cada presente possível para Melissa. Enquanto isso, meu celular vibrou novamente.
Bianca:
"Sim. E acho que você também, né?"
Apertei a mandíbula. Se ela queria que fosse assim, então beleza.
Arthur:
"Exatamente."
Enviei a resposta e guardei o celular no bolso.
— Vamos escolher esse colar aqui pra mamãe? — perguntei a Luna, mostrando uma opção bonita que combinava com Melissa.
— Sim! Ela vai adorar! — Luna sorriu.
Fizemos a compra e passamos um tempo passeando, comendo um sorvete e vendo os peixinhos no aquário do shopping.
E, pela primeira vez no dia, consegui esquecer Bianca.
Ou pelo menos tentei.
Luna escolheu um filme infantil para assistirmos, e eu comprei os ingressos enquanto ela segurava o balde enorme de pipoca quase do tamanho dela.
Na fila do cinema, senti um olhar fixo em mim.
Levantei o olhar e vi uma mulher morena, de vestido justo, me encarando com um sorrisinho malicioso.
— Você gosta de filmes infantis ou foi coagido? — ela perguntou, brincalhona, sem tirar os olhos de mim.
— Meu gosto não importa, só preciso acompanhar essa figurinha aqui — respondi, apontando para Luna, que estava concentrada na pipoca.
A mulher sorriu, mas sua expressão mudou quando Luna olhou para mim e disse:
— Papai, segura minha pipoca um pouquinho?
Vi a surpresa passar pelo rosto dela, seguida por um sorriso educado.
— Ah… que fofo. Sua filha?
— Sim.
Ela soltou uma risada baixa, ajeitou a bolsa no ombro e desviou o olhar.
Foi bom enquanto durou, pensei. Algumas mulheres perdiam o interesse assim que descobriam que eu era pai. Outras, no entanto, viam isso como um charme a mais.
Mas eu não estava interessado em nada disso.
Minha cabeça ainda estava presa na mensagem de Bianca.
"Foi só uma noite casual, né?"
Porra, aquilo me irritava mais do que deveria.
Respirei fundo quando finalmente entramos na sala de cinema. Luna se acomodou na cadeira, empolgada com o filme, enquanto eu tentava focar na tela e não na lembrança da noite com Bianca.
Mas era impossível.
Quando os créditos começaram a subir, olhei para o lado e vi Luna completamente apagada, a cabeça caída para o lado e a respiração tranquila.
Sorri. Ela sempre insistia que conseguia ficar acordada até tarde, mas bastava um ambiente escuro e confortável para ela desmaiar.
Com cuidado, a peguei no colo e saí da sala. O shopping já estava praticamente vazio. Algumas lojas estavam fechando, os funcionários limpando o chão, e poucas pessoas andavam pelos corredores.
Caminhei até o estacionamento, abrindo a porta do carro sem esforço, apesar de carregar Luna nos braços. Coloquei-a na cadeirinha com todo o cuidado para não acordá-la, ajustei o cinto e fechei a porta.
Antes de entrar no carro, soltei um longo suspiro.
O dia tinha sido tranquilo, mas minha mente estava uma bagunça.
Bianca.
Essa mulher estava me deixando mais inquieto do que eu gostaria de admitir.
Sacudi a cabeça, tentando afastar esses pensamentos. Dei a partida no carro e segui para casa, o silêncio do veículo sendo quebrado apenas pela respiração calma de Luna no banco de trás.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Telma Brito
Ah eu boiando de novo, tio!? 😂😂😂
2025-02-21
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Dulce Gama
É Arthur vc diz que nunca correu atrás das meninas agora vai correr atrás de Bianca kkkkk 🎁🎁🎁🎁🎁👍👍👍👍👍🌹🌹🌹🌹🌹❤️❤️❤️❤️❤️❤️
2025-03-04
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