Saí do tribunal com a respiração curta, o estômago revirado e os ombros tensos. Eu deveria me sentir vitoriosa por ter conseguido expor a injustiça que sofri, mas, em vez disso, só sentia cansaço. Como se reviver tudo aquilo tivesse sugado minhas energias.
Manuela caminhava ao meu lado, mexendo no celular, provavelmente mandando alguma mensagem nada educada sobre Arthur no nosso grupo de amigas.
— Você mandou bem, Bia. Não deixou ele te intimidar.
Bufei, jogando minha bolsa no banco do passageiro assim que entrei no carro.
— Eu não queria só "mandar bem", queria que ele admitisse que errou. Mas ele não é esse tipo de cara, né? Prefere se esconder atrás de protocolo.
Manu deu de ombros, afivelando o cinto.
— Orgulho masculino, amiga. É mais fácil quebrar uma rocha do que fazer um cara assim admitir que cagou no trabalho.
Liguei o carro e saí do estacionamento do tribunal, tentando ignorar a imagem de Arthur na minha cabeça. Ele tinha me encarado de um jeito diferente hoje. Menos arrogante, mais... atento. Como se, pela primeira vez, estivesse realmente me ouvindo.
Mas dane-se. Tarde demais para isso.
— Vamos almoçar? Estou morrendo de fome.
— Por mim, sim. Mas antes, preciso passar na farmácia.
— Farmácia? Tá doente?
Ela sorriu de canto.
— Cólica. Mas também quero comprar um teste de gravidez.
Quase pisei no freio no meio da avenida.
— O quê?
— Calma, só quero tirar a dúvida. E antes que pergunte, sim, é do seu irmão.
Soltei um longo suspiro e parei no sinal vermelho.
— Manu, vocês precisam se resolver logo. Ou ficam juntos de vez, ou seguem em frente.
— Você falando isso como se fosse um exemplo de desapego emocional. Ainda sonhando em se vingar do De Angelis?
— Isso não é vingança. É justiça.
Ela revirou os olhos.
— Se você diz... Agora anda, vamos logo comprar esse teste antes que eu desista.
Pisei no acelerador assim que o sinal abriu. Entre um possível sobrinho a caminho e a guerra contra Arthur, parecia que minha vida nunca ia entrar nos eixos.
...(...)...
Saímos da farmácia com o teste de gravidez dentro da sacola, e Manuela parecia mais nervosa do que nunca.
— Você quer fazer agora? — perguntei, já entrando no carro.
— Depois do almoço. Se for positivo, pelo menos não estarei de estômago vazio para surtar.
Ri baixo e liguei o carro. Estava prestes a sair quando meu celular vibrou no painel. Olhei de relance e travei a mandíbula ao ver o nome dele.
Arthur De Angelis.
Suspirei e destravei o celular, lendo a mensagem com uma expressão impassível.
Arthur: Bianca, podemos conversar?
Bufei. O que mais ele queria? O julgamento já tinha acabado. Eu não precisava mais olhar na cara dele.
Respondi seca:
Bianca: Não temos mais nada para falar.
Assim que apertei "enviar", outra mensagem dele apareceu na tela quase que imediatamente.
Arthur: Acho que começamos com o pé esquerdo. Por que não tentamos uma trégua? Posso te levar para jantar e conversamos com calma.
Franzi o cenho. Trégua? Jantar? Ele só podia estar brincando.
Mostrei a tela para Manu, que arregalou os olhos.
— Pera aí... ele tá te chamando pra um jantar?
— Pois é.
Ela abriu um sorriso malicioso.
— Se eu fosse você, ia.
— Você não é eu.
— Bia... ele é gostoso.
— Ele me ALGEMOU, Manu.
— É... tem esse detalhe.
Guardei o celular na bolsa e pisei no acelerador, ignorando a mensagem dele. Se Arthur De Angelis achava que um jantar resolveria tudo, estava muito enganado.
Se ele queria tanto falar comigo, ia ter que tentar muito mais do que isso.
Meu celular vibrou novamente enquanto eu dirigia. Suspirei, já sabendo quem era.
— Manu, vê o que ele quer agora.
Ela pegou o celular e leu as mensagens em voz alta:
Arthur: Bianca, nossos amigos são os mesmos. Não tem por que a gente ficar nesse clima de guerra.
Arthur: Não gosto de estar de mal com alguém que convive perto de mim.
Arthur: Podemos pelo menos tentar uma conversa civilizada?
Bufei, mantendo os olhos na estrada.
— O que eu respondo? — Manu perguntou, já pronta para digitar.
— Nada.
— Bia, ele tá tentando resolver as coisas...
— Tarde demais.
Manu suspirou e jogou o celular no colo.
— Você é muito cabeça dura.
— Sou justa. Ele me tratou como criminosa, me algemou, humilhou... agora quer bancar o bom moço? Não mesmo.
O celular vibrou de novo.
Arthur: Vou insistir até você aceitar.
Revirei os olhos.
— Acho que ele não vai desistir tão fácil. — Manu riu.
— Problema dele.
No fundo, eu sabia que Arthur não ia desistir tão fácil. E eu odiava admitir que isso me incomodava.
Chegamos no shopping e Manuela, como sempre, queria entrar em todas as lojas. Eu tentava me distrair, mas meu celular vibrava a cada dez minutos.
Mais mensagens dele.
Arthur: Se não quiser jantar, podemos tomar um café. Cinco minutos, só pra você xingar tudo o que tem vontade.
Arthur: Dante vai fazer um churrasco no sábado. Sei que você vai. Vai continuar me evitando?
Arthur: Bianca, estou tentando ser justo aqui.
Bufei, guardando o celular na bolsa com força.
— Ele ainda tá insistindo? — Manu perguntou, segurando um vestido contra o corpo.
— Sim, e tá começando a me irritar.
Ela riu.
— Ou tá começando a te fazer pensar no assunto?
Fiz uma careta.
— Nem a pau.
— Bia, você pode odiar ele à vontade, mas a verdade é que ele já faz parte da sua vida, querendo ou não.
Suspirei. O problema era exatamente esse. Arthur estava se infiltrando aos poucos, através dos nossos amigos, das mensagens insistentes… e da minha própria mente.
Eu não ia facilitar. Mas talvez… só talvez… ele estivesse certo.
E isso me irritava mais do que tudo.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Dulce Gama
essa briga vai virar doce de mel 😄😄😄❤️❤️❤️❤️🌹🌹🌹🌹🎁🎁🎁🎁🎁👍👍👍👍🙏
2025-02-15
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