Capítulo 07

Manuela chegou assim que Dante saiu, com aquele jeito agitado de sempre. Antes mesmo de fechar a porta, me puxou para um abraço apertado.

— Amiga, pelo amor de Deus, me conta essa história direito! Dante tá puto, minha curiosidade tá nas alturas e você tá aí toda blasé.

Soltei um suspiro e fui até a cozinha, pegando uma garrafa de água antes de começar.

— Não tem muito o que contar, Manu. Me prenderam injustamente, me trataram como criminosa e ainda duvidaram da minha palavra.

— "Não tem muito o que contar"? Você foi algemada, levada pra delegacia e quase acusada de tráfico! Isso é o tipo de coisa que rende um barraco histórico e uma indenização milionária! — Ela cruzou os braços. — Me diz que já tá planejando ferrar esse infeliz na justiça.

Bebi um gole d’água e dei de ombros.

— Óbvio. Mas antes disso, quero deixar ele bem ciente da merda que fez.

Manuela sorriu de lado, aquele sorriso maldoso que só aparecia quando ela tinha alguma ideia.

— Amiga, tô sentindo que isso vai ser divertido. E, por falar nisso… quem foi o infeliz?

Mordi o lábio, hesitante. Não queria dar esse gostinho a ela tão rápido.

— Um auditor fiscal.

— E o nome dele, Bianca? — Ela se inclinou para frente, como se fosse arrancar a resposta de mim à força.

Abaixei a garrafa e soltei lentamente:

— Arthur De Angelis.

O sorriso dela sumiu no mesmo instante. Seus olhos se arregalaram e ela ficou estática por alguns segundos.

— Pera aí… — Ela piscou, como se processasse a informação. — Arthur De Angelis? O amigo do Dante?

Fechei os olhos e bufei.

— Exato.

Manuela levou a mão à boca e depois jogou a cabeça para trás, gargalhando.

— Ai, amiga… — Ela enxugou uma lágrima que escorreu do riso. — Isso tá melhor do que novela da Globo! Você foi presa injustamente pelo melhor amigo do seu irmão!

Revirei os olhos.

— Engraçadíssimo, né? Tô me matando de ódio e você achando graça.

— Mas é hilário! — Ela se abanou, ainda rindo. — E melhor ainda é saber que Arthur não faz ideia de quem você é. Ele nem sonha que Dante vai infernizar a vida dele por causa disso.

Dei um meio sorriso, mas logo me recompus.

— Bem, ele vai descobrir da pior forma. Porque eu não vou deixar isso passar barato.

Manuela ergueu a taça imaginária.

— E eu faço questão de estar na primeira fileira pra assistir.

Manuela ainda ria enquanto pegava um refrigerante na geladeira, claramente se divertindo mais do que deveria com a minha desgraça.

— Mas enfim, já que cê tá de volta, bora pro churrasco hoje? O pessoal tá todo animado.

— Que pessoal? — perguntei, desconfiada.

Ela deu de ombros, como quem não quer nada.

— Dante, Torres, a galera do grupo… e Arthur.

Meu olhar endureceu na hora.

— Então a resposta é não.

— Ah, Bianca! Não vai dar uma de infantil agora. — Ela me olhou com falsa indignação. — Dante vai estar lá, eu também… você pode simplesmente ignorar o Arthur.

Cruzei os braços.

— Ou posso fazer melhor e evitar a fadiga.

Manuela revirou os olhos, mas antes que ela insistisse mais, rebati:

— Que tal a gente ir ao shopping? Faz séculos que não saímos juntas. Podemos almoçar, fazer compras… e aproveitar que tô precisando renovar meu guarda-roupa.

Os olhos dela brilharam de imediato.

— Compras?

— Compras.

Ela estalou os dedos e apontou para mim.

— Gostei. Muito melhor do que churrasco com aquele bando de macho falando besteira.

Sorri, satisfeita.

— Exatamente. Agora vou me arrumar, porque eu quero sair antes do shopping lotar.

Eu me recusava a passar meu dia de volta no Brasil lidando com Arthur De Angelis.

Ele que me aguardasse. Mas não hoje.

No caminho para o shopping, Manuela dirigia animada, cantarolando a música que tocava no rádio, enquanto eu mexia no celular, revisando algumas mensagens e salvando o contato de um advogado que minha mãe recomendou.

— E aí, já decidiu como vai ferrar o Arthur? — Manu perguntou, tirando um chiclete da bolsa e me oferecendo.

Peguei um e suspirei.

— Primeiro, vou processar a companhia aérea. Eles trocaram minha mala e me colocaram nessa situação absurda. É inadmissível um erro desse nível.

Manuela assentiu.

— Apoiadíssima. Agora, e quanto ao fiscal bonitão?

Revirei os olhos.

— Arthur? Ele que me aguarde. Vou processá-lo também.

— Por quê? — Ela arqueou a sobrancelha.

— Porque ele sequer verificou meu cartão de despacho! Eu embarquei com o nome Bianca Paganini, que é o sobrenome da minha mãe. Mas a mala registrada estava como Bianca Fernandes. Se ele tivesse olhado o comprovante direito, nada disso teria acontecido!

Manuela soltou um assobio.

— Caramba, Bianca… Você tá armando uma guerra.

— Isso não é guerra. Isso é justiça.

Ela riu, balançando a cabeça.

— Sabe o que eu acho?

— O quê?

— Que você tá puta com ele por outros motivos também.

Olhei para ela, desconfiada.

— Que motivos, Manuela?

Ela abriu um sorriso presunçoso.

— Amiga, você não é de perder tanto tempo pensando em alguém que não te interessa.

Bufei e virei o rosto para a janela.

— Vai se ferrar.

Ela gargalhou.

— Só tô dizendo… Mas ok, bora fazer compras e gastar essa energia processual com roupas novas.

Não respondi, apenas assenti, porque, no fundo, talvez Manu tivesse um pingo de razão. Mas eu jamais admitiria.

Assim que estacionamos no shopping, Manuela puxou a chave do contato e virou para mim com um sorriso curioso.

— Tá, agora que já falamos do fiscal gato, vamos ao próximo tópico: Alessandro.

Meu corpo enrijeceu na hora.

— Próximo tópico? — Cruzei os braços, estreitando os olhos para ela.

— Sim, né? Eu quero saber como foi seu rolo com ele lá na Europa. Você nunca deu detalhes.

— Porque não tem detalhes. — Soltei um suspiro, abrindo a porta do carro. — E foi uma péssima ideia trazer esse nome à tona.

Ela me seguiu pelo estacionamento, claramente mais interessada do que deveria.

— Ih, pelo jeito, não terminou bem. O que ele fez?

Parei de andar e olhei para ela.

— O que todo homem faz, Manuela. Ele mentiu. Ele me fez confiar nele, e na primeira oportunidade, jogou tudo no lixo.

Manuela fez uma careta.

— Que tipo de mentira?

— Ele era casado.

Os olhos dela se arregalaram.

— O quê?!

— Pois é. Casado, com filhos, e a esposa grávida de outro.

— Puta merda, Bianca.

— Exato. — Cruzei os braços, sentindo a raiva voltar com força. — Ele me fez de idiota por meses, Manu. E o pior? Não se arrependeu. Não pediu desculpas. Simplesmente agiu como se eu fosse só mais uma.

Ela balançou a cabeça, indignada.

— Cretino do caralho.

— Nem me fale.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, até que ela suspirou e deu um tapinha no meu ombro.

— Então, mais um motivo pra gente entrar nesse shopping e torrar um bom dinheiro. Vamos renovar seu guarda-roupa e sua energia, porque homem nenhum vale o seu estresse.

Concordei com um meio sorriso.

— Pela primeira vez, disse algo inteligente.

Ela riu e me puxou para dentro do shopping. Eu precisava esquecer Alessandro, Arthur e qualquer outro homem que cruzasse meu caminho.

Mas, no fundo, algo me dizia que o universo ainda não tinha terminado de me testar.

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Comments

Dulce Gama

Dulce Gama

Que situação esse Alessandro é um homem idiota mesmo além de trair é corno TBM KKK gostei 🎁🎁🎁🎁🎁🌹🌹🌹🌹🌹👍👍👍👍👍

2025-02-12

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