Luna foi embora ontem. Duas semanas passaram voando, e agora que casa estava silenciosa demais, vazia demais. A saudade já apertava, como sempre acontecia quando ela ia embora.
Eu sabia que Melissa tinha mais tempo para cuidar dela. A vida dela era mais estável nesse sentido. A guarda definitiva ficou com ela porque, diferente de mim, que vivia mergulhado no trabalho, ela tinha a possibilidade de estar presente o tempo todo. Não foi uma briga judicial ou um processo difícil. Apenas um acordo natural entre nós.
Mas isso não tornava mais fácil a sensação de ter minha filha morando a milhares de quilômetros de distância. A gente se via por chamadas de vídeo, nas visitas mensais, mas nada substituía tê-la por perto todos os dias.
Eu tinha 29 anos quando descobri que seria pai e 30 quando segurei aquele serzinho nos braços pela primeira vez. Era tão pequena, tão frágil, que mais parecia um ratinho encolhido. E eu, um homem que sempre teve tudo sob controle, de repente, estava apavorado com a responsabilidade de ser o pai daquela menininha.
Meu caso com Melissa foi rápido, uma história sem grandes dramas ou promessas. Ela estava em intercâmbio aqui no Brasil, nos conhecemos, nos divertimos, e uma noite sem camisinha mudou tudo. Nove meses depois, lá estava eu, olhando para aquele bebê e percebendo que minha vida nunca mais seria a mesma.
Hoje, Luna tinha quase oito anos e era, sem dúvida, a melhor parte de mim. Eu faria qualquer coisa por ela.
Suspirei, encostando na cadeira e esfregando o rosto com as mãos. Precisava me concentrar no trabalho, mas minha cabeça estava uma bagunça. Entre a saudade da minha filha e a lembrança de Bianca, minha mente parecia determinada a não me deixar em paz.
E por falar em Bianca… A loira estava em Minas Gerais a trabalho. Pelo que vi, a viagem duraria algumas semanas, mas, pelo jeito, ela não estava apenas focada no trabalho.
Ela postava stories no Instagram se divertindo com os colegas de equipe—bares, paisagens, comidas típicas… Estava completamente imersa na experiência mineira. Parecia leve, descontraída, como se a noite que tivemos nem tivesse acontecido.
O que era bom. Pelo menos um de nós conseguia seguir normalmente.
Eu, por outro lado, não conseguia tirar aquela mulher da cabeça.
O dia seguiu no mesmo ritmo de sempre. Eu estava no trabalho, supervisionando alguns casos relacionados a bagagens que entravam e saíam do Brasil. Era uma parte do meu serviço que exigia atenção redobrada—contrabando, bagagens extraviadas, falsas declarações… sempre havia algo para resolver.
Tentei me concentrar, mas minha mente insistia em vagar. Entre um relatório e outro, peguei o celular e abri o Instagram. Instintivamente, fui parar no perfil de Bianca.
Outro story.
Dessa vez, ela estava em um restaurante mineiro, rindo com os colegas enquanto experimentava um prato típico. O cabelo preso em um coque bagunçado, a pele iluminada pela luz quente do ambiente.
Saí do aplicativo e joguei o celular na mesa, bufando.
Precisava espairecer.
Quando terminei o expediente, Gustavo mandou uma mensagem no grupo chamando para um bar. Dante e Torres confirmaram na hora. Eu nem hesitei antes de responder:
"Tô dentro."
Se Bianca estava se divertindo em Minas, eu também podia aproveitar a noite no Rio.
O bar estava lotado, como sempre. Música ao vivo tocava no fundo, e as mesas estavam cheias de gente bebendo e rindo alto. Dante, Gustavo e Torres já estavam em uma mesa perto do balcão quando cheguei.
— Finalmente, cara! — Gustavo levantou o copo em um brinde improvisado. — Já achei que ia dar pra trás.
— Como se eu fosse perder uma rodada por conta de trabalho — joguei a jaqueta na cadeira e sentei.
— Trabalho ou alguma loira em Minas Gerais? — Rafael provocou, sorrindo de canto.
Revirei os olhos e peguei a cerveja que Gustavo deslizou para mim.
— Eu tô bem tranquilo quanto a isso. Ela que se divirta por lá.
— Sei… — Matheus riu, descrente. — Tanto que a primeira coisa que fez ao chegar foi encher a cara.
Ignorei os comentários e me concentrei na bebida. A verdade era que eu não estava com cabeça para pensar em Bianca, mas toda vez que tentava me distrair, alguém tocava no assunto.
— Tá vendo aquela morena no balcão? — Gustavo apontou discretamente. — Ela não para de olhar pra cá.
Levantei os olhos e, de fato, a mulher lançou um olhar sugestivo. Ela era bonita, tinha um sorriso convidativo. Poderia muito bem me distrair com ela esta noite.
Mas, porra, tudo o que eu conseguia lembrar era do gosto de vinho nos lábios de Bianca.
Dei um gole na cerveja, tentando afastar a lembrança de Bianca da minha mente. Gustavo continuava falando sobre a morena do balcão, mas eu não estava prestando atenção de verdade.
— Você vai lá ou eu vou? — ele perguntou, arqueando a sobrancelha.
— Pode ir — dei de ombros.
Torres riu.
— Cara, o que tá acontecendo com você? Não é do seu feitio dispensar uma mulher que claramente tá te dando mole.
— Tô cansado — menti.
— Ah, tá — Dante cruzou os braços. — Cansado, né? Nada a ver com uma certa loira que foi pra Minas Gerais e parece estar se divertindo horrores sem você?
Bufei, passando a mão pelo cabelo.
— Vocês estão obcecados nessa história. Bianca e eu transamos, foi bom, acabou. Simples assim.
— Sei… — Torres debochou. — Então se ela te mandasse uma mensagem agora, chamando pra um repeteco, você diria não?
Peguei o celular e o coloquei sobre a mesa.
— Não tem mensagem nenhuma dela, então a questão nem se aplica.
Matheus e Torres trocaram um olhar cúmplice, mas não falaram mais nada. Gustavo já tinha se levantado e ido atrás da morena do balcão, enquanto eu ficava ali, encarando minha cerveja como se ela tivesse todas as respostas.
A verdade?
Eu não sabia por que caralhos Bianca ainda estava na minha cabeça.
A noite seguiu seu curso, e depois de mais algumas cervejas e provocações dos meus amigos, decidi que precisava tirar Bianca da cabeça de uma vez por todas. Foi aí que meus olhos encontraram uma ruiva no balcão.
Ela era bonita, do tipo que chamava atenção sem precisar fazer esforço. Cabelos longos, olhos verdes, um sorriso provocante. E, mais importante, parecia interessada em mim.
Levantei-me e fui até ela, apoiando o braço no balcão.
— Posso pagar um drink?
Ela me olhou de cima a baixo, mordendo o canto do lábio.
— Depende. Você só paga ou me faz companhia também?
Sorri de lado.
— O que preferir.
Ela riu e aceitou o drink. A conversa fluiu fácil, e eu sabia onde aquilo ia dar. Ela se aproximava cada vez mais, tocava meu braço enquanto falava, brincava com o canudo do copo de um jeito sugestivo.
E eu estava disposto a seguir com aquilo.
Quando saímos do bar, já estava decidido. Chamei um carro, e no caminho até um hotel, a ruiva — Júlia, como se apresentou — não perdeu tempo. Suas mãos exploravam meu peito por cima da camisa, e seu perfume doce preenchia o espaço.
Assim que entramos no quarto, ela me puxou pela gola da camisa e me beijou com vontade. Minhas mãos deslizaram por sua cintura, apertando-a contra mim.
Eu queria esquecer Bianca.
E essa parecia ser a melhor maneira de fazer isso.
...(...)...
Acordei cedo, ainda com o gosto amargo de mais uma noite de tentativas frustradas de apagar Bianca da minha mente. Júlia foi... satisfatória. Mas não foi o suficiente. Nem de longe.
Levantei, passei as mãos pelo rosto e fui direto para o banheiro. Um banho gelado ajudaria a espantar a ressaca moral. O espelho refletia um olhar cansado, e não era apenas pelo álcool.
Me vesti rapidamente e segui para o trabalho. Na alfândega, o ritmo era intenso como sempre. Malas de todos os tamanhos, remessas suspeitas, supervisão minuciosa. Eu me jogava na rotina, tentando me perder no caos para evitar pensar em qualquer outra coisa. Mas no fundo, sabia que era impossível fugir por muito tempo.
A sensação de estar sendo vigiado nunca sumia completamente. Era parte do trabalho, parte do jogo. Quem tentava entrar ou sair do país com algo ilegal sabia que estava na mira, e eu estava ali para impedir que passassem despercebidos.
Chequei o relógio. Droga. Outra vez atrasado para a reunião de supervisão. Passei as mãos pelos cabelos e respirei fundo. Ultimamente, minha paciência para formalidades estava no limite. Mas os casos de contrabando estavam cada vez mais sofisticados e exigiam minha total atenção.
Ainda assim, Bianca continuava rondando meus pensamentos como uma sombra persistente.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Telma Brito
Coitado do homem, vai enlouquecer kkkkkkkkk, a Bianca acabou com a estrutura dele, mas fica tranquilo viu porque ela está no msm patamar, e agora me lembrei de um certo enjoo matinal, será!? 🤔🤔🤔
2025-02-22
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Dulce Gama
É Arthur vai brincar com doce de.mel que vc não conhece kkk da nisso 🎁🎁🎁🎁🎁👍👍👍👍👍🌹🌹🌹🌹🌹❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️
2025-03-04
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