O barulho do despertador tocou, mas eu já estava acordado. Tinha me acostumado a madrugar por causa do trabalho, então, mesmo em um dia de folga, meu corpo não sabia o que era dormir até tarde.
Peguei o celular e vi várias notificações de mensagens. Luna.
Sorri antes mesmo de abrir. Minha filha era uma tagarela, mesmo por texto.
Luna: Papai, não esquece de dar comida pros meus peixinhos, tá?
Luna: E limpa o aquário também. O Tutu merece um ambiente limpo!
Luna: Manda foto deles pra eu ver!
Luna: Te amo, papai!
A última mensagem vinha acompanhada de uma foto. Luna, banguela, com uma tiara da Disney na cabeça.
Soltei uma risada baixa. Ela e a mãe estavam em Orlando, realizando um dos sonhos da pequena. Eu queria ter ido junto, mas o trabalho não permitiu.
Respondi as mensagens antes de sair da cama.
Eu: Bom dia, princesa! Vou cuidar do Tutu e dos outros peixinhos direitinho, prometo. Vou mandar fotos pra você!
Levantei e fui direto para a academia. Era um dos poucos momentos do dia em que eu podia desligar a cabeça, focar no treino e esquecer o trabalho. E, principalmente, esquecer a mulher teimosa que quase me fez perder a paciência na delegacia ontem.
Mas era difícil esquecer Bianca Paganini.
Eu já tinha lidado com muita gente tentando bancar o inocente, mas ela? O tremor nas mãos, a raiva nos olhos, o tom indignado… algo me dizia que ela realmente não sabia de nada.
E, merda, eu podia até ter sido mais compreensivo, mas ela não ajudou em nada também.
Depois do treino, passei no mercado e comprei algumas coisas antes de voltar para casa. O dia era de folga, mas minha rotina não parava.
Fui direto cuidar dos peixes de Luna. Ela os tratava como se fossem filhos. Enquanto limpava o aquário, tirei uma foto e mandei para ela.
Eu: Tutu e os amigos mandaram um oi pra você!
Quase na mesma hora, ela respondeu.
Luna: Aaaaaaaah! Diz pra eles que eu tô com saudades!
Sorri e balancei a cabeça. Minha filha era a melhor parte da minha vida.
Agora, o resto do dia seria tranquilo. Ou pelo menos, assim eu esperava.
Peguei uma garrafa de água na geladeira e fui até o sofá, jogando o corpo ali enquanto mexia no celular. O grupo dos caras estava movimentado.
Matheus: Churras na casa do Gustavo hoje. Quem topa?
Dante: Tô dentro!
Torres: Nem precisa perguntar duas vezes!
Os outros começaram a responder, mas como sempre, o grupo descambou pra baixaria em menos de um minuto.
Rafael: Vai ter carne de qualidade ou só linguiça murcha?
Dante: Linguiça não pode faltar, irmão.
Matheus: Se for a sua, pode guardar, que ninguém quer.
Torres: Kkkkkkkkkk
Gustavo: O problema é que ele gosta de dividir!
Rafael: Se eu sou generoso, vocês que lutem!
E aí pronto, a baixaria se instalou. O grupo virou uma sequência de piadas de duplo sentido, áudios duvidosos e emojis suspeitos.
Até que Manuela, a única mulher ali, resolveu se pronunciar.
Manuela: Vocês são um bando de primatas. Juro, é impressionante. Se alguém ouvir esse grupo no viva-voz, capaz de achar que vocês tão em um boteco às três da manhã depois de dez cervejas.
Torres: E o que tem de errado nisso?
Manuela: O fato de ser NOVE DA MANHÃ, SEU ANIMAL!
Eu não aguentei e soltei uma risada. Manu era a única que conseguia colocar ordem na bagunça… Ou pelo menos tentava.
Eu: Vocês tão muito animados pra essa hora, hein?
Dante: Não enrola, Arthur. Bora ou não?
Parei por um instante. Eu queria um dia de descanso, mas um churrasco com os caras também não era uma má ideia.
Eu: Tô dentro.
Gustavo: É isso! Avisa a Luna que o pai dela vai beber uma cervejinha hoje!
Manuela: Se ele beber igual a última vez, a Luna que vai ter que cuidar dele.
Revirei os olhos e ri.
Torres: Bora, galera! Hoje é dia de churras e resenha!
Eu só esperava que a resenha não envolvesse outro barraco no aeroporto.
Depois de confirmar minha presença, deixei o celular de lado e fui tomar um banho. Se era pra ir pro churrasco, pelo menos eu ia chegar com dignidade.
Enquanto a água quente caía sobre mim, minha mente, teimosa, voltou para a noite anterior. Bianca Paganini.
Eu já tinha lidado com muita gente barraqueira no meu trabalho, mas ela conseguiu se destacar. O jeito que bateu de frente comigo, os olhos faiscando de raiva, a postura desafiadora…
E a forma como ela saiu da delegacia, me lançando aquele olhar mortal e prometendo um processo?
Não sei por que, mas achei graça.
Saí do banho, me vesti de forma simples — camiseta preta e bermuda jeans — e chequei o celular.
Dante: Passo aí em 15 minutos. Se atrasa não, porque não sou motorista particular.
Eu: Tô pronto, só esperando você. Meu carro estava na oficina.
Respondi e fui até a cozinha pegar algo pra comer antes de sair. Não era bom ir pra churrasco de estômago vazio, senão a cerveja batia mais rápido.
Assim que terminei, ouvi a buzina de Dante lá fora. Peguei minha carteira e celular e saí, trancando a porta atrás de mim.
Dante estava no carro, óculos escuros no rosto e um sorriso de quem já estava no clima.
— Bora, cara. Hoje é dia de esquecer trabalho e só curtir.
Assenti e entrei no carro.
O carro seguia pela avenida, e Dante, que até então estava tranquilo, mudou o tom da conversa.
— Falando nisso, Arthur… cê realmente acha que aquela loira tava metida com tráfico?
Cruzei os braços e olhei pra ele de canto de olho.
— A gente segue protocolo, Dante. A mala estava no nome dela e deu positivo pra droga. O que você queria que eu fizesse?
Dante apertou o volante com mais força e soltou uma risada seca.
— Queria que você tivesse um pouco mais de discernimento. Porque aquela loira, a que você tratou como criminosa, é a minha irmã.
Meu corpo enrijeceu no mesmo instante.
— O quê?
— Isso mesmo que você ouviu. Bianca Paganini é Bianca Fernandes Paganini. Minha irmã.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo um gosto amargo na boca. Merda.
— Eu não sabia, Dante.
— É, mas agora sabe. E quer saber? Ela tá puta da vida. Tá falando em te processar e tudo mais. E, sinceramente? Eu não tiro a razão dela.
Soltei um suspiro pesado.
— Ela tava no lugar errado, na hora errada. Mas eu tava fazendo o meu trabalho, cara. Você sabe como essas coisas funcionam. Se eu aliviasse pra ela sem seguir o procedimento, aí sim seria errado.
Dante esfregou o rosto com a mão, claramente irritado, mas sem argumento contra isso.
— Tá, eu entendo. Mas podia ter sido menos babaca.
— Eu não fui babaca.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Chamou minha irmã de criminosa, algemou ela e ainda duvidou da palavra dela mesmo com o comprovante da mala. E tu acha que não foi babaca?
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Quando ele colocava dessa forma, não parecia tão bom pra mim.
— Eu segui o protocolo.
— Seguiu, mas agora vai ter que lidar com as consequências.
Bufei e passei a mão pelo cabelo.
— Então ela realmente vai me processar?
Dante deu um sorrisinho.
— Se eu conheço a Bianca, ela vai fazer questão de te infernizar antes de qualquer processo.
Ótimo. Meu dia de folga prometia ser mais longo do que eu esperava.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Sônia Ribeiro
Uhuuuuuu esse casal promete.❤️❤️👏👏👏👏🥰
2025-02-10
2
Suelana Azevedo
mais é ➕️ capítulos autora /Heart/
2025-02-10
1
Dulce Gama
idiota otario agora aguenta as consequências KKK 👍👍👍👍👍🌹🌹🌹🌹🌹🎁🎁🎁🎁🎁
2025-02-12
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