Passei a manhã afundado em relatórios e reuniões, mas minha mente estava em outro lugar.
Luna chegava hoje ao Brasil, e eu já tinha tudo planejado para recebê-la. Depois do susto que ela me deu com aquele braço quebrado, eu queria compensar cada segundo longe dela.
Mas, além disso, eu ainda estava esperando uma resposta de Bianca.
Peguei o celular entre uma pausa e outra. Nenhuma mensagem dela.
Suspirei.
Bianca era teimosa. Mas eu também era.
Torres entrou na sala e jogou um papel na minha mesa.
— Tá com essa cara de bunda por quê?
— Problema nenhum.
Ele riu.
— Até parece. Isso tem nome e sobrenome: Bianca Paganini.
— Sei que ela não vai facilitar as coisas, mas pelo menos podia responder.
— Talvez ela esteja gostando de te deixar no vácuo.
Revirei os olhos e voltei a encarar o celular.
Nada.
Luna pousava em três horas. E eu tinha mais uma missão antes de buscá-la: fazer Bianca finalmente me responder.
Passei o dia inteiro na alfândega, resolvendo casos, analisando bagagens suspeitas e tentando manter a paciência. Mas entre um relatório e outro, minha mente sempre voltava para o celular no bolso.
Bianca ainda não tinha respondido.
Eu já tinha mandado dezoito mensagens.
Isso era um recorde. Eu não insistia com ninguém assim. Mas ela me ignorava como se eu fosse um qualquer.
Eu estava prestes a desistir quando, finalmente, o celular vibrou.
Bianca: Tá bom, Arthur. Onde e que horas?
Sorri de canto. Finalmente.
Arthur: Amanhã, às 19h. Escolhe o lugar.
Demorou mais uns minutos, mas a resposta veio.
Bianca: Eu escolho? Ótimo. Vou te levar num lugar que combina contigo.
Arthur: Isso deveria me deixar preocupado?
Bianca: Sim.
Ri baixinho. Essa mulher…
Torres passou ao meu lado e notou meu sorriso.
— Ela finalmente cedeu?
— Cedeu.
— E o preço disso?
— Ainda não sei, mas desconfio que vai valer a pena.
O celular vibrou de novo, e quando abri a mensagem de Bianca, soltei uma risada incrédula.
Bianca: Nosso jantar vai ser no Le Ciel. Reserva no seu nome, às 19h.
O Le Ciel era, sem sombra de dúvidas, o restaurante mais caro do Rio de Janeiro. Eu já tinha ido lá uma vez, numa ocasião especial, e sabia que um jantar para dois ali não saía por menos de uma pequena fortuna.
Ela estava querendo me testar. Ou me provocar.
Sorri. Tudo bem, Bianca. Pode jogar sujo.
Arthur: Ótima escolha. Te vejo lá.
Guardei o celular e chequei o relógio. O voo de Luna já tinha pousado. Saí da alfândega direto para a área de desembarque internacional, o coração acelerando só de pensar em ver minha filha depois de semanas.
Quando a vi, com aquele sorriso enorme e o braço engessado decorado com adesivos da Disney, senti o peito aquecer.
— Papai! — ela correu na minha direção, e eu a peguei no colo com cuidado.
— Oi, princesa! Como tá esse braço aí?
— Melhor! Mas ainda dói um pouquinho.
Beijei sua testa e olhei para Melissa, que vinha logo atrás, puxando uma mala.
— Melissa.
— Arthur. — Ela me deu um olhar cansado, mas sem hostilidade. — O voo foi tranquilo. Ela está animada pra passar os dias com você.
— E eu estou animado pra passar os dias com ela.
Luna se aconchegou nos meus braços e sorriu.
— Papai, a gente pode comer pizza hoje?
— Claro que pode. Hoje é dia de comemorar que você tá aqui comigo.
Melissa suspirou e ajeitou a bolsa no ombro.
— Bem, eu já vou indo. Qualquer coisa, me avisa.
— Pode deixar.
Ela se despediu de Luna com um beijo e seguiu para a saída.
Quando olhei para minha filha, ela estava me encarando com aqueles olhinhos brilhantes.
— Papai, você tá feliz?
— Muito. Por quê?
— Porque você tá sorrindo daquele jeito bobo.
Ri, balançando a cabeça.
Se eu estava sorrindo feito um bobo, era culpa de duas loiras na minha vida: uma delas estava nos meus braços.
E a outra estava esperando para me dar um prejuízo enorme no Le Ciel amanhã.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Telma Brito
Eita seguido de eita, esses dois prometem
2025-02-13
1
Sônia Ribeiro
Esses dois vão pegar fogo ❤️🔥🔥🔥 ui 😂😂❤️❤️👏👏👏👏
2025-02-13
1
Ivanete Rozati
este jantar vai render muito
2025-02-13
1