Capítulo 19

— E foi isso que aconteceu, Manu. — finalizei, enquanto dobrava a última peça de roupa e a colocava na mala.

Manuela me olhava de boca aberta, como se ainda estivesse processando tudo o que eu tinha acabado de contar.

Eu partiria para Minas Gerais em poucas horas, uma viagem a trabalho que duraria no máximo três semanas. A emissora tinha um projeto grande a ser executado dentro do prazo, e minha equipe e eu éramos responsáveis por garantir que tudo saísse conforme o planejado.

O melhor de tudo? Tudo pago pela redação. O único detalhe era que, se quiséssemos fazer passeios por conta própria, aí teríamos que bancar.

— VOCÊS TRANSARAM! AI. MEU. DEUS!

Manuela praticamente gritou, seus olhos arregalados brilhando de animação.

— Fala baixo, Manuela! Dante vai ouvir! — sibilei, olhando para a porta como se meu irmão pudesse aparecer a qualquer momento.

— E daí? Ele precisa saber que sua irmãzinha não é nenhum anjo!

Revirei os olhos e joguei uma almofada nela, que desviou rindo.

— Mas agora me conta... — ela continuou, se jogando na minha cama. — Como foi?

— Manu!

— Ah, qual é! Você sabe que eu adoro uma fofoca. E esse é o tipo de coisa que PRECISO saber!

Suspirei, fechando a mala e sentando ao lado dela.

— Foi... intenso.

— Intenso tipo ‘foi só uma noite e acabou’ ou intenso tipo ‘vocês vão repetir a dose’?

Mordi o lábio, hesitante.

— Foi só uma noite. Casual. Sem significado.

Manuela arqueou a sobrancelha.

— Uhum, claro. Até parece que Arthur vai aceitar isso numa boa...

Engoli em seco. Eu esperava que sim. Eu precisava que sim.

Dante apareceu na porta com um sorriso debochado, os braços cruzados enquanto nos encarava.

— O que vocês tanto cochicham aí? — perguntou, entrando no quarto sem cerimônia.

Antes que Manuela pudesse responder, ele se jogou na cama ao nosso lado e, com um movimento rápido, puxou-a para seus braços, capturando sua boca em um beijo.

— Dante! — ela protestou, mas não fez esforço algum para se afastar.

Revirei os olhos e me levantei.

— Ah, pelo amor de Deus! Vocês dois queiram se retirar e ir transar no seu quarto, por favor!

Manuela soltou um gemido de indignação, se afastando rapidamente de Dante, que apenas riu. Seu rosto estava vermelho como um tomate.

— Bianca! — ela me repreendeu, cobrindo o rosto com as mãos.

Dante, por outro lado, parecia estar se divertindo muito com a situação.

— Relaxa, amor, ela só tá com inveja. — Ele piscou para mim e eu joguei um travesseiro na cabeça dele.

— Some daqui, Dante! — reclamei, apontando para a porta.

Ele riu puxando Manu para ir com ele.

...(...)...

Algumas horas depois, eu estava finalmente em solo mineiro. O avião havia pousado há pouco tempo, e eu já sentia o peso da viagem em meus ombros. O clima estava um pouco mais frio do que eu esperava, e o vento que cortava a pista do aeroporto fez com que eu me abraçasse involuntariamente.

Peguei minha mala na esteira e segui para o saguão onde minha equipe já me esperava. Como líder do projeto, eu precisava manter a postura profissional, mas, por dentro, minha cabeça ainda estava um caos. Entre a confusão dos últimos dias e a viagem repentina, eu não tinha tido tempo para realmente processar nada.

— Finalmente, Bianca! Achei que ia ficar perdida no avião — brincou Lucas, um dos fotógrafos da equipe.

— Eu que lute para me livrar de você por alguns dias, né? — respondi com um sorriso de canto.

— Nem tente, já grudamos feito chiclete — ele rebateu, piscando.

Depois de nos organizarmos, seguimos para o hotel que a emissora havia reservado para a equipe. O lugar era sofisticado, e meu quarto tinha uma vista incrível da cidade iluminada.

Soltei um suspiro longo ao cair na cama, sentindo meus músculos relaxarem. Mas, como sempre, a paz durou pouco. Meu celular vibrou ao lado da bolsa peguei o celular ao sentir a vibração e vi que era uma mensagem de Dante.

Dante: "Já chegou, hermanita?

Revirei os olhos e soltei um riso baixo. Era típico dele me chamar assim. Apesar de implicar comigo o tempo todo, eu sabia que era o jeito dele de demonstrar preocupação.

Eu: "Sim, já estou no hotel. Cheguei inteira, pode parar de surtar."

Quase imediatamente, ele respondeu.

Dante: "Ótimo. Agora posso dormir em paz sabendo que você não foi sequestrada e nem presa no aeroporto. Não faça merda, Bianca."

Eu: "Olha quem fala, né? Vai dormir, Dante."

Larguei o celular na mesinha ao lado e me espreguicei, sentindo o cansaço pesar sobre mim. O dia tinha sido longo, e amanhã prometia ser ainda mais. Fechei os olhos, pronta para desligar minha mente de tudo.

Pelo menos por algumas horas.

Na manhã seguinte, o despertador tocou às seis em ponto. Eu gemi de frustração, me enterrando no travesseiro por mais alguns segundos antes de finalmente reunir forças para levantar.

O sol já entrava pelas frestas da cortina, iluminando o quarto do hotel com uma luz suave. Me espreguicei e fui direto para o banheiro, onde tomei uma ducha rápida para despertar de vez.

Depois de me arrumar, peguei meu celular e vi algumas mensagens no grupo da equipe, confirmando o horário da reunião na emissora. Também havia outra de Manuela.

Manuela: "Boa sorte no primeiro dia, loira! Arrasa!"

Sorri e respondi rapidamente antes de descer para o café da manhã.

No restaurante do hotel, peguei um café forte e algumas frutas. Enquanto comia, fiquei observando o movimento ao redor. Era sempre interessante notar como cada cidade tinha sua própria energia.

Depois de terminar, segui para o carro que nos levaria até a emissora. Assim que chegamos, minha mente entrou no modo profissional. Eu estava ali para trabalhar, e faria isso da melhor maneira possível.

O dia seria longo, mas eu estava pronta.

Os dias se passaram, e eu já me sentia cada vez mais acostumada com o clima e as tradições mineiras. No começo, estranhei o sotaque carregado e a maneira como tudo parecia acontecer em um ritmo mais tranquilo, mas agora já me pegava falando um "uai" ou um "trem" sem nem perceber.

Minha rotina era intensa, dividida entre reuniões, gravações e algumas saídas com a equipe. O café sempre forte e os famosos quitutes mineiros se tornaram parte do meu dia a dia. Pão de queijo pela manhã, doce de leite depois do almoço e um torresminho no fim do expediente. Eu até tentava manter a dieta, mas como resistir?

Em uma das noites, minha equipe me levou para um bar tradicional da cidade. O clima era animado, com música ao vivo e gente conversando em todas as mesas. Eu estava começando a gostar daquela atmosfera.

— E aí, Bianca, tá curtindo Minas ou tá contando os dias pra voltar? — perguntou Diego, um dos jornalistas do projeto.

— Tô gostando, confesso. Mas ainda não me acostumei a chamar qualquer coisa de "trem" — brinquei, arrancando risadas da equipe.

A viagem estava sendo mais interessante do que eu esperava. O trabalho fluía bem, e eu até conseguia aproveitar um pouco do tempo livre.

Mas, no fundo, algo ainda me incomodava. Algo que eu tentava ignorar, mas que sempre voltava quando eu pegava o celular e via uma notificação que não era dele. Arthur.

Desde que saí do Rio, ele não mandou mais mensagens. E por que isso me incomodava? Não éramos nada, foi apenas uma noite casual. Mas, mesmo assim, meu pensamento insistia em voltar para aquele jantar, para o carro, para a casa dele…

Balancei a cabeça, tentando afastar aqueles pensamentos. Eu estava ali para trabalhar, não para ficar remoendo o passado.

Assim que chegamos ao hotel, fui direto para o banho. A água quente escorria pelo meu corpo, relaxando meus músculos cansados. Fechei os olhos, aproveitando a sensação, mas não por muito tempo.

O cansaço parecia ter se tornado um companheiro constante nos últimos dias, e junto com ele vinham umas cólicas insuportáveis. Se eu ficasse muito tempo em pé, elas vinham. Se ficasse muito tempo sentada, a dor também dava as caras. Um ciclo interminável e exaustivo.

Terminei o banho e me joguei na cama, sentindo meu corpo finalmente ceder ao peso do dia. O colchão macio parecia um abraço bem-vindo, mas o incômodo na barriga não me deixava descansar por completo.

Soltei um suspiro frustrado e virei para o lado, abraçando um dos travesseiros. Talvez fosse apenas o estresse da rotina intensa e da viagem. Ou talvez meu corpo estivesse exigindo uma pausa que eu não podia dar no momento.

Fechei os olhos, tentando ignorar tudo. Amanhã seria um novo dia, e eu precisava estar disposta.

.........

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Comments

Dulce Gama

Dulce Gama

sua história está muito linda eu lá abaixei o Amazon só não sei usar por isso que não leio no Amazon ❤️❤️❤️❤️❤️🌹🌹🌹🌹🌹👍👍👍👍👍🎁🎁🎁🎁🎁

2025-03-04

1

Evania Pimentel

Evania Pimentel

Legal autora

2025-02-21

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