Passei na casa da minha mãe para buscar o meu carro. Ela ficou surpresa por eu aparecer tão cedo, mas não fez muitas perguntas—o que era um alívio. Depois de um café rápido e algumas recomendações maternas sobre ter paciência e não processar todo mundo, segui para o meu próximo destino.
Dirigi até o jornal onde havia enviado meu currículo. Para minha surpresa, eles tinham me chamado para uma entrevista de emprego. A oportunidade tinha surgido enquanto eu ainda estava na Europa, mas só agora, de volta ao Brasil, eu poderia finalmente aproveitar.
Estacionei em frente ao prédio imponente e respirei fundo antes de sair do carro. Esse emprego era importante para mim. Depois de tudo que passei nos últimos meses, eu precisava de algo estável, algo que me desse um propósito além de simplesmente recomeçar.
Entrei na recepção e avisei que tinha horário marcado. Enquanto aguardava, fiquei observando o movimento intenso do local. Repórteres indo e vindo, telefones tocando, pessoas discutindo manchetes e prazos apertados.
Aquilo me trouxe uma adrenalina boa.
— Bianca Paganini? — Uma mulher de terno bem cortado chamou meu nome.
Levantei-me e sorri confiante.
— Sou eu.
Era hora de mostrar que, apesar do caos recente, eu ainda era uma profissional qualificada e pronta para essa nova fase da minha vida.
Fui conduzida até uma sala de reuniões envidraçada, onde um homem de meia-idade com cabelos grisalhos revisava alguns papéis. Ele ergueu os olhos quando entrei e sorriu educadamente.
— Bianca Paganini, certo? — estendeu a mão.
— Sim, senhor. — Apertei sua mão com firmeza e me sentei na cadeira à sua frente.
Ele analisou meu currículo por alguns segundos antes de falar.
— Seu histórico é impressionante. Você trabalhou em jornais renomados na Europa, cobriu pautas importantes e tem uma escrita envolvente. Podemos saber por que decidiu voltar ao Brasil?
Respirei fundo, mantendo a postura profissional.
— Por questões pessoais. Senti que era hora de voltar para casa e contribuir com o jornalismo daqui. Além disso, o Brasil é um país cheio de histórias que merecem ser contadas.
Ele assentiu, parecendo satisfeito com minha resposta.
— Nós estamos precisando de alguém com sua experiência para a editoria investigativa. É uma área desafiadora, mas pelo que vi no seu currículo, você tem o perfil certo para isso.
Minhas sobrancelhas se arquearam levemente. Jornalismo investigativo? Eu já tinha trabalhado com isso antes, mas depois do inferno que passei nos últimos meses, tinha planejado algo mais leve.
— Confesso que esperava algo na editoria de cultura ou cotidiano, mas estou aberta a desafios.
Ele sorriu.
— Bom, desafios não vão faltar. Mas posso te dar um tempo para pensar. Sei que acabou de voltar ao país e talvez queira se reestabelecer antes de mergulhar em algo tão intenso.
Respirei fundo. Minha primeira reação era dizer não, mas… será que isso não era exatamente o que eu precisava? Uma forma de redirecionar minha vida, de encontrar um novo propósito?
Sorri, sentindo a adrenalina de uma boa história já pulsando nas veias.
— Na verdade, eu gosto de desafios. Quando posso começar?
Ele sorriu, satisfeito.
— Bem-vinda ao time, Bianca.
Saí do prédio do jornal sentindo um misto de animação e nervosismo. Conseguir o emprego era uma grande vitória, mas saber que voltaria ao jornalismo investigativo me deixava alerta. Eu queria recomeçar, não mergulhar de novo em confusões.
Mas confusão parecia gostar de mim.
Assim que entrei no carro, peguei o celular e disquei o número do meu advogado. Ele atendeu no segundo toque.
— Doutor Henrique, bom dia. Podemos nos encontrar pessoalmente?
— Bianca, claro. Aconteceu alguma coisa? — A voz dele demonstrava preocupação.
— Além da injustiça que eu sofri? Não. Mas quero saber como anda o processo e alinhar algumas coisas. Pode ser hoje?
— Sim, sem problemas. Podemos nos encontrar no meu escritório daqui a uma hora?
— Perfeito. Vejo você lá.
Desliguei e soltei um longo suspiro. Eu queria deixar toda aquela situação para trás, mas não sem antes garantir que os responsáveis respondessem pelos erros que cometeram.
Liguei o carro e dirigi até um café próximo ao escritório dele. Se ia passar as próximas horas lidando com burocracias e estratégias legais, ao menos faria isso depois de um bom café.
Depois de tomar meu café e respirar fundo algumas vezes para não deixar a raiva me dominar, segui para o escritório de Henrique. Assim que cheguei, a secretária me conduziu até a sala dele.
— Bianca, sente-se. — Henrique me cumprimentou com um aperto de mão firme e um sorriso profissional. — Imagino que queira falar sobre o processo contra a companhia aérea.
— Sim, mas não apenas isso. — Cruzei as pernas e joguei meu cabelo para o lado, mantendo o tom decidido. — Quero abrir um processo também contra o auditor fiscal que me prendeu sem sequer conferir meu cartão de despacho.
Henrique arqueou as sobrancelhas.
— Está falando do Arthur De Angelis?
— Exatamente.
Ele soltou um suspiro e pegou um bloco de anotações.
— Bianca, você tem total direito de processá-lo, mas precisa entender que ele estava cumprindo um protocolo. Sim, houve falha ao não verificarem o cartão corretamente, mas o procedimento padrão para casos assim…
— Não me interessa o que era “padrão”. — O interrompi, sentindo minha irritação voltar. — Ele me humilhou, me tratou como criminosa e sequer me deu o benefício da dúvida. E sabe o que é pior? Ele não demonstrou o menor remorso.
Henrique me observou por alguns segundos antes de voltar a falar.
— Se for para frente com isso, será um processo por danos morais. Podemos alegar abuso de autoridade e constrangimento ilegal, com base na negligência dele na checagem das informações.
— Ótimo. Faça o que for necessário.
Ele anotou algumas coisas antes de me encarar novamente.
— Você está certa disso? Não quer pensar mais um pouco?
Me inclinei para frente e apoiei os cotovelos na mesa.
— Henrique, esse cara me algemou em público, me tratou como bandida e só me soltou porque o delegado confirmou que eu não era culpada. Ele achou que eu era uma mula de tráfico sem sequer olhar para mim direito. Então sim, eu estou certa.
Henrique soltou um longo suspiro antes de acenar com a cabeça.
— Certo, então eu vou preparar a documentação e dar entrada no processo.
Sorri, satisfeita.
— Ótimo. E eu quero que ele saiba que isso está acontecendo.
Porque se Arthur De Angelis achava que eu ia simplesmente esquecer o que ele fez, estava muito enganado.
.........
...Ps: Você já ouviu falar sobre a teoria do "fio invisível"?...
...Acredito profundamente nela....
...Duas pessoas podem frequentar os mesmos lugares, dividir a mesma sala de aula, trabalhar no mesmo ambiente ou até estudar na mesma faculdade. Mas, se não for o momento certo para se encontrarem, elas simplesmente não vão se notar....
...No entanto, isso não significa que nunca estiveram conectadas. Pelo contrário, sempre estiveram ligadas, mesmo sem saber....
...Então, chega o instante perfeito—quando o universo alinha os caminhos e faz com que elas finalmente se encontrem. No momento exato, quando mais precisam uma da outra....
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Michele Pereira Pacheco de Oliveira
Aconteceu isso comigo e meu esposo,quando crianças morávamos perto , estudamos na mesma escola, mais só quando adultos que nós conhecemos,namoramos,noivamos e casamos
2025-03-06
1
Lice
já vir tdo . rsss
2025-02-17
0