Capítulo 10

Três dias depois...

Cheguei em casa exausto depois de um dia cheio no trabalho. Tudo o que eu queria era tomar um banho, comer alguma coisa e dormir. Mas assim que vi um envelope timbrado da Justiça Federal na minha correspondência, percebi que meu dia estava longe de terminar bem.

Rasguei o envelope e li as primeiras linhas.

"Ação por danos morais contra Arthur De Angelis..."

Soltei uma risada incrédula. Não, não pode ser sério. Continuei lendo até encontrar o nome da autora do processo.

Bianca Paganini.

A loira insuportável.

Passei a mão no rosto, respirando fundo. Então era assim? Ela realmente decidiu me processar? Depois que a confusão com a mala foi esclarecida, achei que o máximo que ela faria seria me xingar mais um pouco e seguir em frente. Mas não. Ela queria levar isso para os tribunais.

Peguei meu celular e liguei para meu advogado.

— Eduardo, preciso de você. Acabei de receber uma intimação.

— Sobre o quê?

— Uma mulher está me processando por danos morais.

— Qual o motivo?

— Lembra do caso da mala trocada no aeroporto? A mulher que foi detida?

Eduardo fez um som de compreensão.

— Ah, sim. Aquela confusão. Ela está alegando abuso de autoridade?

— Exato.

— Vai ser difícil isso ir para frente, Arthur. Você seguiu o protocolo da Receita.

— Eu sei, mas quero resolver isso rápido.

Eduardo suspirou.

— Passa no meu escritório amanhã cedo. Vamos analisar o caso e traçar uma estratégia.

— Fechado.

Desliguei o telefone e joguei o processo na mesa.

Aquela mulher tem o diabo no corpo.

Eu estava acostumado a lidar com criminosos, traficantes, gente perigosa. Mas Bianca Paganini… Ela era um tipo diferente de problema. Um problema que, pelo visto, não iria embora tão cedo.

Meu celular vibrou sobre a mesa, e quando olhei para a tela, o nome Melissa apareceu. Meu coração acelerou por um segundo. Sempre que ela ligava, era por algo relacionado à Luna.

Atendi imediatamente.

— Luna?

Do outro lado da linha, ouvi um suspiro cansado antes de Melissa responder:

— Não se assusta, mas estamos no hospital.

Minha postura se enrijeceu.

— O quê? O que aconteceu? Cadê a Luna?

— Ela está bem, Arthur. Quer dizer, dentro do possível. Mas caiu no parque e quebrou o braço.

Meu estômago despencou.

— Como assim quebrou o braço? Como foi isso?

— Estávamos no parque da Disney, e ela quis subir em uma estrutura de escalada. Eu estava do lado, mas quando ela pulou pra descer, perdeu o equilíbrio e caiu errado.

Fechei os olhos por um instante, tentando controlar o turbilhão de emoções que me atingia. Luna era minha vida, e só de imaginar minha pequena sentindo dor, meu peito apertava.

— Ela está chorando? Está assustada?

— Ela chorou muito no começo, mas já acalmaram ela. O médico engessou o braço, e ela está assistindo desenho no tablet agora. Mas ficou pedindo para falar com você.

Passei a mão no rosto, frustrado por estar a milhares de quilômetros de distância. Tudo o que eu queria era pegar o primeiro voo para Orlando e estar ao lado dela.

— Coloca ela na linha.

Ouvi um barulho de movimentação, e então a vozinha de Luna ecoou pelo telefone:

— Papai?

Meu peito apertou ainda mais.

— Oi, minha pequena. Como você está?

— Meu braço dói um pouquinho, mas o médico falou que vai ficar tudo bem. Eu sou forte, né?

Sorri, mesmo com a preocupação me consumindo.

— Muito forte, minha princesa. Você é a menina mais corajosa do mundo.

— Eu ganhei um gesso rosa com glitter!

— Agora sim! Você vai ter o gesso mais estiloso da escola!

Ela riu baixinho, e eu soltei um suspiro aliviado. Se ela estava rindo, significava que o pior já tinha passado.

— Papai, você vem me ver?

Engoli em seco. Eu queria. Deus, como eu queria.

— Assim que eu puder, meu amor. Eu prometo. Mas você vai me ligar todos os dias para me contar como está, combinado?

— Combinado!

— E quando eu for te ver, vamos fazer um desenho bem bonito no seu gesso, tá?

— Tá bom!

Ela bocejou, e Melissa voltou para a linha.

— Ela está com sono. Vamos pra casa daqui a pouco.

— Me avisa de qualquer coisa. Qualquer coisa, mesmo.

— Pode deixar, Arthur.

Desliguei o telefone e soltei um longo suspiro, sentindo a exaustão do dia inteiro me atingir. Entre o processo ridículo da Bianca e a queda de Luna, eu só queria uma pausa.

Mas parecia que ultimamente a vida não queria me dar descanso.

Eu passei a mão no rosto, soltando um suspiro pesado. Minha filha estava com o braço quebrado, Bianca estava me processando, e eu ainda tinha que voltar ao trabalho naquela tarde. Algum dia eu teria paz?

Levantei do sofá, fui até a cozinha e enchi um copo com água, tentando clarear os pensamentos. A preocupação com Luna ainda martelava na minha cabeça. Eu sabia que Melissa cuidaria bem dela, mas não estar lá para segurar sua mão e garantir que ela estivesse segura me corroía por dentro.

Minha mente logo voltou para a outra dor de cabeça do momento: Bianca Paganini.

Ela realmente abriu um processo contra mim. Tudo bem que eu podia entender a frustração dela – ninguém queria ser preso injustamente –. Será que ela realmente achava que eu era um incompetente? Que eu fiz aquilo por diversão?

Peguei os papéis do processo de cima da mesa e li novamente as acusações. "Negligência", "abuso de autoridade", "danos morais". Suspirei. Eu já esperava por algo do tipo, mas ver tudo formalizado me irritava.

Eu ainda me lembrava da forma como ela me encarou na delegacia, os olhos azuis pegando fogo, prometendo me processar. E realmente me processou. Um ponto pra você, Bianquinha.

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Comments

Dulce Gama

Dulce Gama

KKK vc não acreditou na palavra dela a gora aguente as consequências viu KKK🎁🎁🎁🎁🎁🌹🌹🌹🌹🌹👍👍👍👍👍

2025-02-12

1

Ivanete Rozati

Ivanete Rozati

Isto já está com cara de casal apaixonado kkk

2025-02-12

0

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