Capítulo 12

A manhã começou agitada. Desde que recebi o processo de Bianca Paganini, meu humor estava uma verdadeira montanha-russa. Eu entendia que ela estava com raiva pelo que aconteceu, mas me processar? Era exagero. Se ela não fosse tão teimosa, teríamos resolvido tudo ainda lá na delegacia.

Passei o café, ainda meio irritado, enquanto lia algumas mensagens no celular. O grupo dos caras estava movimentado. Dante já tinha mandado uma piada sobre eu ter sido processado, Torres estava só observando para ver até onde isso ia dar, e Gustavo... bem, Gustavo só jogava lenha na fogueira.

Dante: E aí, De Angelis, já achou um advogado ou vai tentar um acordo com a minha irmã?

Torres: O problema é que se ele tentar acordo, ela pode aumentar o valor do processo. Kkkkkkk

Gustavo: E se o acordo for um jantar? Aposto que ela adora um vinho.

Bufei, jogando o celular na mesa.

— Idiotas.

Peguei o café e me sentei no sofá, tentando ignorar os comentários. Mas a verdade é que essa confusão com Bianca estava me incomodando mais do que eu queria admitir.

E como se meu dia não pudesse piorar, meu telefone tocou. Olhei o nome na tela e atendi na hora.

— Melissa? Alguma coisa com a Luna?

— Calma, Arthur. Tá tudo bem. — A voz dela estava mais leve do que quando me ligou do hospital dias atrás. — Só estou te ligando para dizer que a Luna quer falar com você. Ela tá toda enfaixada, mas já voltou a aprontar.

Soltei um suspiro de alívio.

— Coloca ela na linha.

Ouvi um barulho e então a voz animada da minha filha.

— Papai! Já sou a rainha do parque de novo!

Sorri instantaneamente.

— Já? Não era pra você estar de repouso, mocinha?

— Ah, mas eu sou forte. Igual você!

Soltei uma risada, meu peito aquecendo com o jeito dela.

— Fico feliz que esteja melhor. Mas não exagera, hein? Senão a médica do papai vai brigar com você.

— A médica do papai? — Luna riu do outro lado. — Você tem uma médica, papai? Igual a mamãe tem um namorado?

Arregalei os olhos.

— O quê?

Melissa voltou para a linha, rindo.

— Ignore. Ela está curiosa demais ultimamente.

Revirei os olhos.

— Ótimo. Agora preciso me preocupar com perguntas difíceis?

— É, boa sorte com isso. — Melissa riu. — Mas relaxa. Ela só quer saber mais sobre você. Vocês têm um tempo juntos pela frente.

— É, eu sei.

Conversamos mais um pouco e desliguei. Me recostei no sofá, olhando para o teto. Luna era a melhor parte da minha vida. Se eu pudesse, teria ela comigo o tempo todo. Mas minha profissão não permitia.

Suspirei e peguei o celular de novo.

Dessa vez, abri o contato do meu advogado.

Se Bianca queria guerra, eu ia entrar nela.

...[...]...

O dia do julgamento chegou mais rápido do que eu esperava. Eu já tinha comparecido a muitas audiências na minha vida profissional, mas estar do outro lado, como réu, era algo completamente diferente.

Meu advogado, já estava me esperando na entrada do tribunal, folheando alguns papéis. Assim que me viu, me lançou um olhar neutro.

— Pronto pra isso?

— Como se eu tivesse escolha.

Ele soltou um riso curto e ajeitou a gravata.

— Olha, Arthur, te conhecendo, eu sei que você não queria estar aqui. Mas é bom manter a calma. Se a Bianca jogar pesado, precisamos ser estratégicos.

Passei a mão pelo rosto.

— Eu sei. Mas eu não sou um criminoso. Eu só fiz o meu trabalho.

— E ela alega que você não fez direito.

Respirei fundo.

Caminhamos até a sala de audiência, e quando entramos, lá estava Bianca Paganini. Sentada com uma postura impecável, óculos escuros apoiados sobre a mesa e um conjunto todo preto que a fazia parecer ainda mais intimidadora.

Dante estava ao lado dela, braços cruzados e um olhar que deixava claro que, apesar de ser meu amigo, ali ele era irmão dela antes de qualquer coisa.

Nossos olhares se cruzaram por um instante.

O juiz entrou na sala, e todos se levantaram. Assim que ele se sentou, a audiência começou.

— Dra. Bianca Paganini, sua cliente deseja manter a acusação contra o réu? — o juiz perguntou, olhando para a advogada de Bianca.

— Sim, excelência. Meu cliente sofreu danos morais ao ser injustamente detida, tendo sua reputação afetada e seu emocional abalado por um erro da Receita Federal, representado pelo auditor Arthur De Angelis.

Meu advogado se inclinou para falar comigo.

— Se prepara, vai ser um jogo duro.

Olhei para Bianca novamente. Ela não desviou o olhar, determinada como sempre.

Tudo bem.

O juiz deu início à audiência e pediu que a advogada de Bianca apresentasse seus argumentos.

— Excelência, minha cliente, Bianca Paganini, foi vítima de um erro grosseiro e negligente por parte da Receita Federal. Ela foi detida injustamente, teve sua dignidade questionada e passou por um constrangimento que poderia ter sido evitado com uma verificação mais cuidadosa dos documentos. O réu, o auditor Arthur De Angelis, foi o responsável por essa falha, ignorando o comprovante de despacho correto e permitindo que minha cliente fosse tratada como criminosa.

Eu mantive minha expressão impassível, mas por dentro, minha paciência estava sendo testada.

O juiz se voltou para o meu advogado.

— Dr. qual a defesa do seu cliente?

Meu advogado se levantou calmamente.

— Excelência, a fiscalização da Receita Federal segue protocolos rígidos. O nome na bagagem batia parcialmente com o da senhora Bianca Paganini, e a inspeção era necessária. Além disso, a droga foi encontrada na mala, o que tornava essencial a detenção temporária para esclarecimento. O réu seguiu o protocolo padrão e agiu conforme o esperado em uma situação suspeita.

Bianca soltou uma risada irônica e cruzou os braços.

— Seguiu protocolo? Ah, por favor. Você mal olhou o comprovante de bagagem! Se tivesse feito isso, teria visto que o nome estava diferente. Eu fui detida, algemada e tratada como criminosa sem direito sequer a questionar a situação. Isso não é seguir protocolo, isso é abuso de autoridade.

O juiz ergueu a mão pedindo silêncio.

— Senhorita Paganini, peço que se contenha.

Ela respirou fundo, mas vi que sua perna balançava de leve debaixo da mesa.

O juiz então pediu que testemunhas fossem chamadas. O primeiro a depor foi um dos analistas que estava comigo no dia da inspeção. Ele confirmou que seguimos o procedimento padrão, mas que talvez tenha havido uma falha na verificação do comprovante de despacho.

Quando foi a vez de Bianca falar, sua voz estava firme.

— Eu entendo que vocês estavam fazendo o trabalho de vocês. O problema é que erraram, e quem pagou fui eu. Vocês não tiveram o mínimo de cuidado em checar a veracidade dos meus documentos antes de me tratar como criminosa. Isso afetou minha imagem e me causou um transtorno enorme.

Ela se virou diretamente para mim, e por um segundo, não vi apenas a mulher irritada que queria me processar. Vi o cansaço, a frustração e, principalmente, a mágoa.

Eu nunca tinha parado para pensar no impacto pessoal que isso teve para ela.

O juiz suspirou e disse que analisaria os depoimentos antes de tomar uma decisão.

A audiência foi encerrada, e assim que nos levantamos, Bianca pegou sua bolsa e se aproximou de mim.

— Espero que tenha valido a pena para você, De Angelis.

Eu a encarei, percebendo que, por trás daquela pose dura, havia alguém que tinha sido de fato machucada pela situação.

— Você tem todo o direito de estar brava. Mas eu só fiz meu trabalho.

— E fez mal.

Ela se afastou sem me dar chance de responder.

Saí do tribunal com a sensação de que aquela guerra estava longe de acabar.

Mais populares

Comments

Dulce Gama

Dulce Gama

KKK quero vê em que vai dá essa guerra KKK 👍👍👍👍👍🎁🎁🎁🎁🎁🌹🌹🌹🌹🌹❤️❤️❤️❤️❤️

2025-02-15

1

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!