Silêncio Ensurdecedor

Uma semana.

Sete dias inteiros sem uma palavra.

Isabela nunca imaginou que o silêncio de Noah pudesse doer tanto.

No primeiro dia, ela pensou que ele estava apenas irritado. No segundo, começou a se perguntar se ele estava esperando que ela desse o primeiro passo. No terceiro, percebeu que talvez ele estivesse falando sério quando disse que não aceitaria mais joguinhos.

Agora, no sétimo dia, a ausência dele era como um peso constante no peito dela.

Ela não o via encostado no portão da faculdade como sempre fazia. Não o via provocando os colegas ou jogando olhares em sua direção. Ele simplesmente… desapareceu da rotina dela.

E isso a deixava furiosa.

Porque, se ele queria provar algo, estava conseguindo.

— Você vai ficar encarando ele ou vai falar alguma coisa?

Isabela piscou, despertando dos seus pensamentos, e olhou para Arthur, que estava sentado ao seu lado no refeitório.

— Eu não estou encarando ninguém.

Arthur riu, mexendo na comida com o garfo.

— Ah, não? Então por que parece que seus olhos vão queimar um buraco na cabeça dele?

Ela apertou os lábios e desviou o olhar.

Noah estava do outro lado do refeitório, cercado por um grupo de amigos. Ele parecia relaxado, rindo de alguma coisa. Mas havia algo diferente nele.

Ele não a olhava nem uma vez.

Nem por um segundo.

Isso doía mais do que ela queria admitir.

Arthur suspirou e apoiou o cotovelo na mesa, analisando-a.

— Isa, você sabe que só tem um jeito de acabar com isso, né?

Ela revirou os olhos.

— E qual seria?

— Parar de ser teimosa e falar com ele.

Ela cruzou os braços, como se estivesse se protegendo.

— Não sou eu que estou evitando ele.

Arthur riu de novo.

— Sério? Porque, pelo que eu lembro, foi você que negou seus sentimentos primeiro.

Ela ficou em silêncio.

Porque ele estava certo.

Noah sabia que ela estava olhando.

Ele podia sentir.

Podia sentir a presença dela a cada momento, a cada passo que dava no campus.

Mas não olhava de volta.

Não podia.

Porque, se olhasse, não teria forças para manter essa distância.

E ele precisava manter.

Ou perderia o pouco de sanidade que ainda restava.

— Cara, aquela ruiva ali tá te olhando — um dos amigos comentou, dando um leve empurrão no ombro dele.

Noah apenas balançou a cabeça.

— Não tô interessado.

O amigo riu.

— Desde quando você recusa atenção feminina?

Noah deu um gole na bebida e olhou para ele.

— Desde que percebi que atenção de qualquer uma não me interessa.

O amigo ergueu as mãos em rendição.

— Beleza, cara. Do jeito que você tá na defensiva, parece até que ainda tá apaixonado por…

Ele parou de falar no momento em que Noah lançou um olhar mortal.

A verdade?

Ele ainda estava apaixonado.

Mas não deixaria Isabela brincar com isso.

Se ela quisesse ele de verdade, teria que provar.

Naquela noite, Isabela estava deitada na cama, olhando para o teto.

Ela estava cansada.

Cansada de fingir que não sentia falta dele.

Cansada de se segurar.

Ela pegou o celular, hesitante, e abriu a conversa com Noah.

A última mensagem havia sido dele, há uma semana:

“Decide o que você quer.”

Ela digitou.

Apagou.

Digitou de novo.

E, finalmente, enviou:

“Podemos conversar?”

O tempo pareceu congelar enquanto ela esperava uma resposta.

Então, a notificação apareceu.

Noah está digitando…

O coração dela disparou.

E foi assim que o silêncio entre eles finalmente começou a se romper.

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