Isabela sentia como se estivesse presa dentro de um furacão.
Desde a conversa com Noah, tudo dentro dela parecia fora de lugar. As palavras dele ficaram presas em sua mente, ecoando como um segredo que ela não queria admitir.
"Você mexe comigo. De um jeito que ninguém mais mexe."
Ele estava dizendo a verdade? Ou era só mais um jogo?
E se fosse verdade… por que isso a afetava tanto?
Ela queria ignorá-lo. Fingir que nada aconteceu.
Mas era tarde demais.
Porque agora, toda vez que olhava para Noah, não via mais apenas um vizinho insuportável.
Via um problema.
Um problema que, por alguma razão, ela queria entender.
—
Naquela noite, Isabela decidiu que precisava de ar.
Saiu do apartamento sem rumo certo, apenas andando pela rua pouco movimentada do bairro. A brisa fria da noite a ajudava a clarear os pensamentos, ou pelo menos era isso que ela queria acreditar.
Ela não esperava encontrá-lo ali.
Encostado na moto, cigarro entre os dedos, Noah parecia perdido em seus próprios pensamentos.
Por um breve instante, Isabela pensou em voltar. Fingir que não o viu.
Mas era tarde demais.
Ele já tinha notado sua presença.
— Fugindo de novo? — ele perguntou, com um meio sorriso, mas havia algo diferente em sua voz.
Ela cruzou os braços, irritada com a forma como ele sempre parecia saber exatamente o que se passava dentro dela.
— Só precisava esfriar a cabeça.
Noah deu uma tragada no cigarro antes de soltá-lo e pisá-lo no chão.
— E está funcionando?
Ela suspirou, sem responder.
Por algum motivo, seus pés se moveram sozinhos, aproximando-a dele.
Eles ficaram ali, lado a lado, sem dizer nada. Apenas respirando o mesmo ar, dividindo o mesmo silêncio.
Até que Noah quebrou a distância entre eles.
— Me diz uma coisa, Isa…
Ela sentiu um arrepio quando ele a chamou pelo apelido.
— O quê?
Ele virou o rosto para ela, e a intensidade em seus olhos fez seu coração disparar.
— O que você sente quando está comigo?
Ela piscou, surpresa.
— O quê?
— Você sente raiva. Eu sei disso. Mas… é só isso?
O peito de Isabela apertou.
Ela queria dizer que sim. Que ele só a irritava.
Mas o calor que subia por sua pele dizia o contrário.
— Para com isso, Noah — ela sussurrou, desviando o olhar.
— Para com o quê?
Ela mordeu o lábio, sentindo a tensão entre eles crescer.
— De tentar me confundir.
Ele riu, mas não havia diversão em seu tom.
— Você já está confusa.
Foi rápido.
Rápido demais.
Isabela se virou, talvez para protestar, talvez para fugir, mas então Noah também se moveu, e o choque entre os dois foi inevitável.
Seus rostos ficaram próximos demais.
Próximos o suficiente para que ela sentisse a respiração quente dele contra sua pele.
Próximos o suficiente para que seus lábios se tocassem por um segundo.
Por um único segundo.
Mas aquele segundo foi suficiente para bagunçar tudo.
Os olhos de Isabela se arregalaram. Ela recuou como se tivesse levado um choque, o coração disparado.
— N-não…
Noah também parecia surpreso. Seus olhos estavam escuros, a respiração acelerada.
— Foi um acidente — ele disse, mas sua voz saiu rouca, como se ele nem mesmo acreditasse nas próprias palavras.
Foi um acidente.
Mas por que o corpo de Isabela ainda estava tremendo?
Por que seu coração estava batendo tão forte que ela sentia como se ele fosse explodir?
Ela não soube o que dizer.
Não soube como reagir.
Tudo o que sabia era que, naquele momento, toda a sua resistência estava começando a ruir.
E isso era o que mais a assustava.
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Atualizado até capítulo 29
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