O Que Você Quer, Isa?

Isabela ficou parada no meio do pátio, o coração ainda disparado, a mente um completo caos.

Ela não conseguia entender.

Noah queria tanto aquele beijo… ela sentiu isso.

Então por que ele a rejeitou logo depois?

— Isa?

A voz de Arthur trouxe-a de volta à realidade.

Ele se aproximou, franzindo a testa.

— O que acabou de acontecer aqui?

Ela piscou algumas vezes, tentando organizar os pensamentos.

— Eu… não sei.

Arthur cruzou os braços.

— Como assim não sabe? Você beijou o cara no meio do pátio e agora parece que viu um fantasma.

Ela passou as mãos pelo rosto, sentindo o peso da confusão.

— Ele disse que não quer ser minha opção — murmurou, mais para si mesma do que para Arthur.

Arthur suspirou, inclinando a cabeça para o lado.

— E ele tá errado?

Ela olhou para ele, surpresa.

— Você tá do lado dele agora?

Arthur deu de ombros.

— Não é questão de lado, Isa. Mas pensa bem… você empurra o cara pra longe, finge que não sente nada, e quando vê ele com outra, vai lá e beija ele?

Ela abriu a boca para rebater, mas não conseguiu.

Porque, no fundo, sabia que Arthur tinha razão.

Mas isso não mudava o fato de que Noah parecia estar brincando com a cabeça dela também.

E ela precisava entender por quê.

Do outro lado do campus, Noah estava encostado contra a parede perto do estacionamento, um cigarro entre os dedos.

Ele não costumava fumar com frequência, mas hoje precisava de algo para aliviar a tensão que queimava dentro dele.

— Então você me usou?

A voz irritada da garota com quem ele estava conversando mais cedo fez com que ele desviasse o olhar do cigarro para encará-la.

Ela cruzava os braços, claramente ofendida.

— Porque, sinceramente, Noah, você parecia bem interessado em mim antes daquela garota aparecer.

Noah soltou a fumaça lentamente, seu olhar frio.

— Achei que você tivesse entendido a vibe.

Ela deu um passo para frente, deslizando os dedos pelo abdômen dele, como se ainda pudesse fazê-lo mudar de ideia.

— Não brinque comigo — ela sussurrou.

Ele pegou a mão dela e a afastou sem delicadeza.

— Eu não tô brincando.

— Então por que esse joguinho?

Noah riu, sem humor.

— O único joguinho aqui é o que ela tá jogando comigo.

A garota franziu a testa.

— Ela?

Ele ignorou a pergunta, tragando o cigarro uma última vez antes de jogá-lo no chão e pisar nele.

— Escuta, você é bonita e tudo mais, mas eu não tô afim.

A menina o olhou com incredulidade.

— Mas… você estava interessado!

— Achei que estivesse — ele deu de ombros. — Mas já tenho problemas o suficiente na minha vida.

Ela bufou, cruzando os braços.

— Você é um babaca, sabia?

Ele sorriu, sem se importar.

— Já ouvi isso antes.

A garota revirou os olhos e saiu andando, batendo os saltos no chão com raiva.

Noah passou a mão pelos cabelos, soltando um suspiro pesado.

Ele estava irritado.

Irritado com Isabela, com ele mesmo, com a droga dos sentimentos que não conseguia controlar.

Ele queria que ela decidisse logo.

Porque, caso contrário, ele teria que ser forte o suficiente para sair da vida dela.

E essa era a última coisa que ele queria.

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