O Primeiro Encontro Forçado

Na manhã seguinte, Isabela acordou com o som do despertador e uma leve dor de cabeça. A noite mal dormida por culpa de Noah a deixou exausta, mas ela não podia se dar ao luxo de faltar às aulas.

Depois de se arrumar rapidamente, pegou sua bolsa e saiu de casa, fechando a porta com mais força do que o necessário. Ao descer a pequena escada da varanda, quase trombou com alguém.

— Uau, vizinha, está sempre com tanta pressa?

A voz debochada era inconfundível. Noah

Ela levantou os olhos e encontrou aquele sorriso cínico que tanto odiava. Ele usava uma jaqueta de couro, uma camiseta preta e jeans rasgados. Como sempre, parecia ter acabado de sair de um ensaio fotográfico para algum catálogo de rebeldes sem causa.

— Não tenho tempo para você hoje, Noah — resmungou, tentando passar.

Mas ele deu um passo para o lado, bloqueando sua passagem.

— Nem um bom dia?

Isabela cerrou os dentes.

— Bom dia. Agora me deixa passar.

Ele sorriu, satisfeito, e finalmente se afastou.

— Até logo, vizinha.

Ignorando-o, Isabela entrou no carro e dirigiu até a faculdade. No estacionamento, avistou Lucas encostado em seu carro, esperando por ela. Seu namorado tinha aquele ar impecável de sempre — cabelo arrumado, camisa polo e um sorriso tranquilo no rosto.

— Ei, amor — ele disse assim que ela se aproximou, segurando sua mão.

— Oi — respondeu, sentindo um conforto familiar em estar ao lado dele.

— Você parece cansada.

— Culpa do seu amigo — murmurou.

Lucas riu, balançando a cabeça.

— Você precisa parar de se estressar com o Noah. Ele só provoca porque sabe que consegue te irritar.

— Isso não torna menos irritante — retrucou, cruzando os braços.

— Que tal um café antes da aula? — ele sugeriu, mudando de assunto.

Ela concordou e os dois seguiram para a cafeteria do campus. Enquanto tomavam café, conversaram sobre as aulas e os trabalhos que precisavam entregar. Isabela tentava se concentrar, mas sua mente insistia em voltar para Noah e a forma como ele sempre encontrava um jeito de provocá-la.

Foi só quando seu celular vibrou que ela conseguiu se distrair. Uma mensagem de seu melhor amigo, Caio.

Caio: Isa, você já sabe sobre o trabalho de sociologia?

Isabela: Que trabalho?

Caio: Sério? A professora mandou um e-mail ontem à noite. Trabalho em dupla.

Isabela sentiu um frio na barriga. Ela odiava trabalhos em dupla porque sempre acabava fazendo tudo sozinha.

Isabela: Já escolheram as duplas?

Caio: Sim… e você não vai acreditar em quem é seu parceiro.

Antes que ela pudesse perguntar, sentiu alguém se aproximar.

— Ah, aí está você, vizinha.

O coração de Isabela afundou. Lentamente, ela ergueu os olhos e viu Noah parado ao seu lado, com um olhar divertido.

— O que você quer? — perguntou desconfiada.

— Acho que já recebeu a notícia — ele disse, jogando a mochila no ombro.

— Que notícia?

— Você e eu, parceirinhos no trabalho de sociologia — anunciou, satisfeito.

Isabela arregalou os olhos.

— Não. Isso deve estar errado.

— Ah, mas não está. Pode conferir o e-mail da professora se quiser.

Ela pegou o celular e abriu o e-mail. Lá estava a lista de duplas. E, claro, seu nome ao lado de Noah Santiago.

— Isso só pode ser um pesadelo — murmurou, esfregando o rosto.

— Relaxe, vizinha. Vai ser divertido.

— Para você, talvez — resmungou.

Lucas, que estava assistindo à cena em silêncio, finalmente interveio.

— Noah, não estrague isso para ela. Sei que você gosta de irritá-la, mas esse trabalho é importante.

Noah colocou a mão no peito, fingindo indignação.

— Quem disse que vou estragar alguma coisa? Vou ser um excelente parceiro.

Isabela bufou.

— Isso significa que vai realmente trabalhar ou só vai me fazer perder tempo?

Ele piscou para ela.

— Vamos descobrir juntos.

Ótimo. Isso vai ser um desastre.

***

Depois das aulas, Isabela não conseguiu evitar o encontro com Noah para discutir o trabalho. Como ambos moravam ao lado um do outro, não havia escapatória.

Sentados na sala da casa dela, ela já se arrependia de tê-lo deixado entrar. Noah parecia descontraído demais, como se estivesse ali para uma visita casual.

— Certo, precisamos definir um tema — ela disse, tentando ignorar o fato de que ele parecia mais interessado em observar sua casa do que no trabalho.

— Você sempre foi tão séria assim? — ele perguntou de repente.

Ela estreitou os olhos.

— Sim. Agora, podemos focar no trabalho?

Noah riu, se inclinando para frente.

— Certo. Qualquer tema, é isso?

— Sim. Mas precisa ser algo que nos interesse.

Ele ficou em silêncio por um momento, depois sorriu de lado.

— Que tal… as diferentes formas de amor?

Isabela piscou, surpresa com a sugestão.

— Amor?

— Sim. Amor romântico, platônico, proibido… — ele fez uma pausa dramática, olhando diretamente para ela — e até aquele que surge entre duas pessoas que, aparentemente, se odeiam.

Ela sentiu um frio na espinha.

— Isso foi uma indireta?

— Você que sabe.

Isabela cruzou os braços, tentando não demonstrar que as palavras dele a afetaram.

— Escolha um tema de verdade, Noah.

— Esse é um tema de verdade. É sociologia. Amor influencia a sociedade, casamentos, famílias… e até vizinhos.

Ela revirou os olhos.

— Se eu concordar, promete levar isso a sério?

Noah sorriu.

— Você está falando sério? Vai mesmo me deixar escolher?

— Melhor isso do que passar horas discutindo.

Ele se recostou no sofá, satisfeito.

— Perfeito. Então vamos falar sobre o amor, vizinha.

Ela sentiu que havia cometido um erro. Mas, por algum motivo, parte dela estava curiosa para ver aonde aquilo levaria.

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