O Namorado Perfeito (Ou Nem Tanto)

Isabela passou o restante da noite tentando ignorar as palavras de Noah, mas elas ecoavam em sua mente como um disco riscado. "Seu namorado pode confiar em você. Mas e você? Confia em si mesma?" O que ele queria dizer com isso? Por que sempre conseguia desestabilizá-la com tão pouco?

Na manhã seguinte, ela decidiu que precisava se concentrar em algo positivo. E nada melhor do que passar um tempo de qualidade com Lucas. Afinal, ele era seu porto seguro, a constante em meio ao caos que Noah parecia trazer para sua vida.

Durante o intervalo entre as aulas, Isabela encontrou Lucas no pátio da faculdade, sentado sob a sombra de uma árvore, lendo um livro de economia. Ela sorriu ao vê-lo tão concentrado; ele sempre levava os estudos a sério, uma das qualidades que ela mais admirava.

— Ei, amor — ela disse, sentando-se ao lado dele.

Lucas levantou os olhos e sorriu, fechando o livro.

— Oi, Isa. Como você está hoje?

Ela hesitou por um momento, considerando se deveria mencionar a conversa com Noah. Decidiu que não valia a pena.

— Estou bem. Pensei que poderíamos fazer algo juntos depois das aulas. Que tal um jantar lá em casa? Eu cozinho.

Os olhos de Lucas brilharam.

— Isso seria ótimo. Sinto falta dos seus pratos.

Ela riu.

— Então está combinado. Passa lá às sete?

— Com certeza.

O resto do dia passou rapidamente. Isabela se sentia animada com a perspectiva de uma noite tranquila com Lucas. Cozinhar para ele sempre foi uma maneira de demonstrar seu carinho, e ela queria que tudo fosse perfeito.

Ao chegar em casa, começou a preparar o jantar. Escolheu um prato que sabia ser o favorito de Lucas: frango ao molho pesto com massa fresca. Enquanto picava os ingredientes, sentiu uma presença atrás dela.

— Precisa de ajuda? — a voz de Noah soou próxima demais.

Ela se virou, surpresa e irritada.

— O que você está fazendo aqui?

Ele ergueu as mãos em sinal de rendição.

— Calma, vizinha. Só vim pegar minha moto. Está estacionada aqui na frente.

— E isso te dá o direito de entrar na minha casa?

— A porta estava aberta. Pensei que fosse um convite.

Isabela bufou, apontando para a porta.

— Saia. Estou ocupada.

Noah olhou para a bancada, observando os ingredientes espalhados.

— Jantar romântico?

— Não é da sua conta.

Ele sorriu de lado.

— Lucas é um cara de sorte.

— E você é um intrometido.

— Só estou dizendo. Você se esforça muito por ele.

Isabela cruzou os braços, encarando-o.

— O que você quer, Noah?

Ele deu de ombros.

— Nada. Só achei interessante como você tenta tanto agradá-lo.

— Isso se chama relacionamento. Algo que você claramente não entende.

Noah riu baixo.

— Talvez. Ou talvez eu apenas veja coisas que você prefere ignorar.

Antes que ela pudesse responder, ele se virou e saiu pela porta, deixando Isabela com uma mistura de raiva e confusão.

Por que ele sempre tinha que aparecer nos momentos mais inoportunos?

Sacudindo a cabeça, ela voltou a se concentrar no jantar. Não deixaria que Noah estragasse sua noite.

Às sete em ponto, Lucas chegou com um buquê de flores, fazendo Isabela sorrir. Eles jantaram à luz de velas, conversando sobre assuntos leves e rindo de piadas internas. Por um momento, tudo parecia perfeito.

Após o jantar, sentaram-se no sofá, e Lucas segurou a mão de Isabela.

— Isa, preciso conversar sobre algo.

O tom sério na voz dele fez seu coração acelerar.

— O que foi?

Ele respirou fundo.

— Eu recebi uma oferta de estágio em outra cidade. É uma oportunidade incrível, mas significa que eu teria que me mudar por seis meses.

Isabela sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

— Seis meses? Mas... e nós?

— Eu quero que a gente continue juntos. Podemos fazer funcionar à distância. Eu acredito em nós.

Ela engoliu em seco, tentando processar a informação.

— Quando você iria?

— Daqui a duas semanas.

O silêncio se instalou entre eles. Isabela sentia uma mistura de emoções: tristeza, medo, mas também uma pontada de alívio que ela não queria admitir.

— Eu... preciso pensar sobre isso — disse finalmente.

Lucas assentiu, apertando sua mão.

— Eu entendo. Só quero que saiba que te amo e quero que isso dê certo.

Ela forçou um sorriso.

— Eu também te amo.

Depois que Lucas foi embora, Isabela ficou sentada no sofá, perdida em pensamentos. Seis meses. Muita coisa poderia acontecer nesse tempo. E, no fundo, uma voz sussurrava que talvez essa distância fosse exatamente o que ela precisava para entender seus próprios sentimentos.

Mas então, por que ela se sentia tão culpada por pensar assim?

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