O Jogo da Negação

A noite estava silenciosa quando Noah entrou sorrateiramente no quarto de Isabela.

Ela estava sentada na cama, abraçando um travesseiro, como se já esperasse por ele.

— Você precisa parar de entrar aqui pela janela — ela disse, cruzando os braços.

Ele sorriu, jogando-se na poltrona ao lado da cama.

— Você precisa parar de deixar a janela aberta.

Ela revirou os olhos, mas não conseguiu esconder um pequeno sorriso.

O silêncio se instalou entre eles por alguns instantes. Noah tamborilava os dedos no joelho, um gesto nervoso que Isabela raramente via nele.

— Por que você tá tão sério hoje? — ela perguntou.

Noah respirou fundo, levantando-se e caminhando até a beirada da cama. Seus olhos encontraram os dela, e havia uma intensidade ali que fez seu coração acelerar.

— Eu não aguento mais, Isa — ele disse, sua voz carregada de sinceridade.

Ela piscou, confusa.

— O quê?

Ele passou a mão pelos cabelos, como se estivesse tentando reunir coragem para continuar.

— Fingir que não me importo. Fingir que não sinto nada. Fingir que não me incomoda te ver com aquele cara — ele bufou, irritado. — Eu gosto de você, Isabela. Muito mais do que eu deveria.

O quarto pareceu encolher ao redor dela.

Seu coração disparou, seu estômago revirou, e, por um momento, ela quis jogar-se nos braços dele e admitir que sentia o mesmo.

Mas não podia.

Não depois de tudo.

Ela fechou os olhos por um segundo, tentando reunir forças.

E então mentiu.

— Você está confundindo as coisas, Noah. Eu… eu não gosto de você desse jeito.

O olhar dele se apagou em segundos.

Noah deu um passo para trás, como se tivesse levado um soco invisível.

— Não gosta? — ele repetiu, com uma risada sem humor.

Ela forçou um sorriso.

— Não. Somos só amigos.

Ele a analisou por alguns segundos, e ela sabia que ele queria acreditar. Mas Noah não era burro.

No fim, ele apenas assentiu, engolindo em seco.

— Entendi.

E então, sem mais uma palavra, ele saiu pela janela.

Dessa vez, sem sorrir.

Nos dias seguintes, Noah começou a se afastar.

Ele não a procurava mais. Não sentava perto dela. Não aparecia em seu quarto.

Ele estava seguindo em frente.

E Isabela odiava isso.

Odiava o vazio que ele deixava. Odiava a sensação de que havia perdido algo que nunca teve coragem de admitir.

Mas o que mais a incomodava era o fato de que, de repente, parecia que todas as garotas da faculdade tinham notado Noah.

Ele sempre fora bonito, claro. Mas agora que ele estava se afastando dela, as meninas começaram a se aproximar.

E Noah… ele não recusava.

Isabela o via sorrindo para outras garotas, ouvindo-as rindo de algo que ele dizia, aceitando os convites que elas faziam.

Ele estava realmente seguindo em frente.

E isso a deixava louca.

Ela estava no corredor quando o viu novamente.

Encostado na parede, Noah conversava com uma garota loira, que ria alto e tocava o braço dele sempre que tinha uma oportunidade.

Ele sorria. Não aquele sorriso presunçoso de sempre, mas um sorriso verdadeiro.

E aquilo apertou o coração de Isabela de um jeito que ela não esperava.

Ela desviou o olhar rapidamente, mas não rápido o suficiente.

Arthur estava ao seu lado, e percebeu tudo.

— Você tá bem? — ele perguntou, analisando seu rosto.

Ela forçou um sorriso.

— Claro.

Mas seu olhar ainda estava preso em Noah.

Arthur seguiu seu olhar e suspirou.

— Isa…

Ela se virou para ele, interrompendo qualquer coisa que ele fosse dizer.

— Tá tudo bem, Arthur. Eu juro.

Mas enquanto ela dizia isso, seu peito doía.

Porque, pela primeira vez, ela se perguntava se havia cometido um erro ao mentir para Noah.

E se agora fosse tarde demais para consertar isso?

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