Entre o Ódio e o Amor
O som de um motor barulhento e um baixo estrondoso reverberando pelas paredes fizeram Isabela acordar de sobressalto. Ela olhou no relógio: 00h37. Bufou. Óbvio que era Noah.
Ela empurrou as cobertas, pisou no chão frio e marchou até a janela. Assim que abriu as cortinas, confirmou o que já sabia: Noah, seu vizinho insuportável, estava encostado em sua moto preta, rindo com alguns amigos. O escapamento roncava alto, e a música em seu carro — provavelmente algum rock pesado — parecia sacudir até os quadros na parede do quarto de Isabela.
Ela cerrou os punhos. Era sempre assim. Ele chegava tarde da noite, fazia barulho e não se importava com ninguém ao redor.
Sem pensar duas vezes, ela empurrou a janela e gritou:
— Dá para desligar essa droga de moto?! Algumas pessoas tentam dormir aqui!
Noah ergueu o rosto lentamente, seu olhar azul brilhando sob a luz da varanda. Um sorriso torto surgiu em seu rosto.
— Boa noite pra você também, vizinha.
A provocação na voz dele fez o sangue de Isabela ferver. Ela cruzou os braços.
— Você já reparou que o mundo não gira ao seu redor?
— Isso é discutível — ele respondeu, passando a mão pelos cabelos bagunçados. — E se está acordada para reclamar, quer dizer que já não estava dormindo tão bem assim.
Os amigos dele riram. Isabela revirou os olhos, frustrada.
— Você não tem respeito por ninguém, né?
Noah deu de ombros.
— Só por quem merece.
Ela apertou os lábios, contendo a vontade de jogar alguma coisa nele. Por que logo ele tinha que ser meu vizinho?
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, sentiu o celular vibrar. Olhou para a tela: mensagem de Lucas, seu namorado.
Lucas: Amor, tá tudo bem? Você tá acordada essa hora?
Isabela: Sim, seu amigo Noah resolveu fazer uma festa de madrugada de novo.
Ela apertou o celular com mais força. Lucas e Noah eram amigos desde a infância, o que só tornava tudo mais irritante. Ela nunca entendeu como alguém tão certinho como Lucas podia se dar bem com alguém tão caótico como Noah.
Lucas respondeu rápido:
Lucas: Ele é assim mesmo, mas tenta ignorar, tá? Não deixa ele te estressar. Durma bem, eu te amo.
Isabela suspirou.
Eu te amo. Ela leu aquelas palavras e tentou sentir algo diferente. Mas, nos últimos meses, aquela frase parecia cada vez mais vazia.
— Ei, vizinha!
A voz de Noah a trouxe de volta à realidade. Ela olhou para ele, que agora segurava um cigarro entre os dedos.
— Quer um? Ajuda a relaxar — ele disse, levantando a mão.
— Prefiro relaxar sem o risco de morrer intoxicada — retrucou.
Noah soltou uma risada baixa.
— Você é muito certinha.
— E você é um desastre ambulante.
— Obrigado.
— Isso não foi um elogio.
Ele piscou para ela.
— Ainda assim, gostei.
Isabela revirou os olhos e fechou a janela com força. Típico. Noah adorava irritá-la.
Deitou-se de novo na cama, mas não conseguiu dormir tão cedo. Não só pelo barulho, mas porque, pela primeira vez, se pegou pensando em Noah por mais tempo do que gostaria.
E isso era um problema.
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Atualizado até capítulo 29
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