O silêncio se instalou entre eles depois que Noah jogou sua proposta no ar.
Isabela o encarava, tentando decifrar suas intenções. Ele estava apenas brincando ou realmente queria falar sobre amor? A ideia de ter que discutir sentimentos profundos com Noah Santiago parecia absurda.
Ela suspirou, pegando um caderno.
— Certo. Se vamos fazer isso, precisamos definir qual abordagem vamos usar.
Ele sorriu.
— Eu sabia que você ia aceitar.
— Não se ache. Só não quero perder tempo discutindo.
— Mas discutir comigo é o seu passatempo favorito, vizinha.
Isabela ignorou a provocação e rabiscou algumas palavras no caderno.
— Podemos começar definindo os diferentes tipos de amor na sociedade. Amor romântico, fraternal, platônico...
— Proibido — Noah completou, sua voz carregada de diversão.
Ela parou a caneta no papel, sentindo a tensão no ar. Levantou os olhos para encará-lo.
— Você realmente quer seguir por esse caminho?
— Você tem medo desse assunto, Isabela?
Ela bufou.
— Medo? Por favor.
— Então, por que sua mão tremeu quando escrevi ‘amor proibido’?
Ela franziu a testa, olhando para a própria mão. Não tremia. Ou tremia?
— Você está vendo coisas — respondeu.
Noah apenas sorriu, como se soubesse algo que ela não.
— Então, já que estamos no mesmo time agora, vamos nos conhecer melhor. Como você define o amor, vizinha?
Ela cruzou os braços.
— Amor é compromisso, lealdade. É confiar e se sentir segura com alguém.
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Parece mais uma lista de regras do que uma emoção.
— Amor precisa de base sólida para funcionar. Sem confiança, ele desmorona.
— Interessante — ele disse, apoiando o queixo na mão. — E você confia no seu namorado?
A pergunta a pegou de surpresa.
— Claro que sim.
— Hm. E acha que ele confia em você?
Ela hesitou.
— Por que a pergunta?
— Só estou curioso. Lucas parece o tipo de cara que gosta de ter controle. Ele aceita bem a ideia de você fazer um trabalho comigo?
Ela mordeu o lábio.
— Ele não tem ciúmes.
— Mesmo?
— Não que isso seja da sua conta, mas sim.
Noah riu baixo.
— Então ele é mais idiota do que eu pensava.
Isabela revirou os olhos.
— E você? Como define o amor?
Ele ficou em silêncio por um momento, depois inclinou a cabeça para o lado.
— O amor? Eu acho que é caótico. Instável. Algo que te pega de surpresa e vira sua vida de cabeça para baixo.
— Isso não é amor. Isso é drama.
— E quem disse que amor não tem drama?
Ela suspirou, exausta da conversa.
— Isso não vai nos levar a lugar nenhum. Melhor dividirmos o trabalho em partes.
— Concordo. Eu fico com a parte do amor proibido.
Ela ergueu as sobrancelhas.
— Você quer mesmo falar disso, não é?
Ele deu de ombros.
— É o mais interessante. Afinal, as pessoas sempre desejam o que não podem ter.
As palavras dele pairaram no ar, carregadas de um significado que Isabela tentou ignorar.
Ela anotou algumas tarefas no caderno e o entregou a ele.
— Aqui. Sua parte do trabalho. Quero isso pronto até o fim da semana.
Ele pegou o caderno, analisando a página.
— Mandona.
— Organizada — corrigiu.
— Isso é o que você diz.
Ela se levantou, indicando que a reunião havia acabado.
— Pode ir agora.
Ele se levantou devagar, como se não tivesse pressa.
— Foi um prazer, vizinha.
Ela o acompanhou até a porta, sentindo-se aliviada quando ele finalmente saiu.
Mas o alívio durou pouco, porque antes que pudesse fechar a porta, Noah se virou e disse:
— Ah, mais uma coisa…
— O quê?
Ele sorriu de lado.
— Seu namorado pode confiar em você. Mas e você? Confia em si mesma?
E então ele se afastou, deixando Isabela sem palavras.
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Atualizado até capítulo 29
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