Isabela não conseguia esquecer.
O beijo foi um acidente. Um maldito acidente.
Mas seu corpo não parecia entender isso.
Desde aquela noite, ela sentia a pele arrepiar só de lembrar o toque dos lábios de Noah nos seus. O jeito como ele a olhou depois. O silêncio pesado entre eles.
E o pior de tudo?
A culpa.
Lucas não merecia isso. Ele era bom para ela. Sempre foi.
Então por que ela não conseguia parar de pensar no homem errado?
—
O dia seguinte foi um desastre.
Isabela se esforçou para agir normalmente, mas a culpa pesava como um fardo invisível. Quando encontrou Lucas na faculdade, sentiu um nó no estômago.
— Bom dia, amor — ele disse, beijando sua testa.
Ela fechou os olhos por um segundo, tentando absorver o conforto familiar do toque dele.
— Bom dia.
— Tá tudo bem? Você parece distante.
Ela forçou um sorriso.
— Só estou cansada.
Lucas a estudou por um momento, mas não insistiu.
Mas ele percebeu.
Isabela sentiu isso no olhar dele.
E foi nesse momento que ela soube: não importava o quanto tentasse esconder, algo dentro dela já havia mudado.
—
À noite, Lucas foi até sua casa.
Ela tentou agir naturalmente, mas a tensão entre eles era palpável.
Até que, finalmente, ele quebrou o silêncio.
— Isa… o que tá acontecendo?
Seu coração disparou.
— Como assim?
Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos.
— Você tá diferente. Desde ontem.
Ela engoliu em seco.
— Eu já disse, só tô cansada.
— Não. Não é só isso.
Ela desviou o olhar, mas Lucas pegou sua mão, forçando-a a encará-lo.
— Tem alguma coisa que você não tá me contando?
O ar pareceu escapar de seus pulmões.
E então, veio a pergunta que ela temia:
— Isso tem a ver com o Noah?
Isabela sentiu o corpo inteiro gelar.
Ele sabia.
Não dos detalhes, mas sabia que algo entre ela e Noah estava errado.
Ela poderia mentir. Dizer que não, que Noah não significava nada.
Mas uma parte dela sabia que, se fizesse isso, estaria enganando não só Lucas… mas a si mesma.
Ela puxou a mão, afastando-se um passo.
— Lucas, eu…
Ele fechou os olhos por um momento, como se estivesse reunindo coragem.
— Você sente alguma coisa por ele?
A pergunta ficou pendurada no ar, como uma bomba prestes a explodir.
E pela primeira vez, Isabela percebeu que não podia responder com um "não" sem hesitar.
E essa hesitação dizia tudo.
Lucas riu sem humor.
— Entendi.
— Não é assim… — ela tentou dizer, mas sua voz saiu fraca.
— Não? Então como é, Isa?
Ela ficou em silêncio.
Lucas soltou um suspiro pesado, balançando a cabeça.
— Eu te amo, Isabela. E eu achei que nós dois estávamos na mesma página.
Ela sentiu os olhos arderem.
— Eu também te amo, Lucas.
Ele deu um passo para trás.
— Mas isso não te impede de pensar nele.
Foi uma afirmação. E doeu, porque era verdade.
Lucas passou a mão no rosto, parecendo frustrado, magoado.
— Eu não quero ser o cara que implora pelo amor de alguém, Isa.
Ela sentiu o peito apertar.
— Não é assim…
— Então me diz, Isa. Olha nos meus olhos e me diz que é só a gente. Que o Noah não significa nada.
Ela abriu a boca, mas a resposta não veio.
Porque, por mais que tentasse, não conseguia dizer aquilo.
Lucas soltou uma risada amarga.
— Eu sabia.
O silêncio foi a confirmação que ele precisava.
Ele pegou suas coisas e caminhou até a porta. Antes de sair, parou e olhou para ela uma última vez.
— Eu nunca imaginei que seria ele.
E então, ele foi embora.
Isabela sentiu o coração despedaçar.
Porque, naquele momento, percebeu que tinha acabado de perder a única coisa que sempre acreditou ser certa.
Mas então, por que a dor da culpa se misturava com um alívio que ela não queria admitir?
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Atualizado até capítulo 29
Comments
Thaliaa Vieira
Deixa de ser covarde e fala logo!! Não adianta falar e pensar por pensamentos e nem ficar muda. Fale a verdade pra ele
2025-03-31
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Thaliaa Vieira
Tu foi fraca e covarde por não falar e admitir
2025-03-31
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