O Que Eu Não Posso Ter

Noah nunca foi do tipo que se importava demais.

Desde pequeno, aprendeu que a vida era cruel e que sentir demais só trazia dor. Por isso, construiu barreiras, se tornou indiferente, e viveu conforme suas próprias regras.

Mas então Isabela apareceu.

E, de repente, ele estava preso em um jogo que nunca quis jogar.

Deitado na cama, ele encarava o teto, sentindo um peso estranho no peito. Não conseguia tirá-la da cabeça. Era irritante. Ela era irritante.

Os olhos dela, que refletiam raiva e confusão ao mesmo tempo.

A forma como sua voz tremia quando ele se aproximava.

O jeito como, mesmo dizendo que o odiava, nunca conseguia se afastar de verdade.

Ela estava em sua mente como uma maldita tatuagem que ele nunca pediu para ter.

Ele queria entender por quê.

Por que se importava tanto?

Por que gostava de provocá-la?

Por que cada expressão dela o afetava mais do que deveria?

Noah soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto.

Isso era um problema.

No dia seguinte, Noah chegou à faculdade com o mesmo ar despreocupado de sempre, mas por dentro sentia-se mais inquieto do que nunca.

Ele a encontrou no corredor, conversando com Lucas.

O namorado perfeito.

O cara certo para ela.

E Noah sabia disso.

Mas então por que sentia essa irritação crescente toda vez que os via juntos?

Por que seu peito apertava ao ver o jeito que Lucas a olhava?

Por que ele queria ser aquele cara, mesmo sabendo que não podia?

Isabela notou sua presença. Seus olhos encontraram os dele por um instante, e Noah sentiu o impacto como um soco no estômago.

Ela desviou o olhar rapidamente, voltando sua atenção para Lucas, mas já era tarde demais.

Ele viu.

Ele viu a hesitação.

Viu o conflito.

Viu que, por mais que ela tentasse fingir, havia algo ali.

E isso foi o suficiente para bagunçá-lo ainda mais.

Mais tarde, Noah estava sentado em uma das mesas externas da faculdade quando sentiu uma sombra se aproximar.

— Precisamos conversar.

Ele ergueu o olhar e encontrou Isabela parada à sua frente, os braços cruzados e uma expressão que misturava determinação e nervosismo.

Ele sorriu de canto.

— Que milagre é esse? Você veio até mim sem que eu precisasse te irritar primeiro.

Ela revirou os olhos.

— Não estou para brincadeiras, Noah.

Ele inclinou a cabeça, analisando-a.

— Tá bom. Fala.

Ela respirou fundo antes de continuar.

— O que você quer de mim?

Ele piscou, surpreso pela pergunta direta.

— Como assim?

— Você fica me provocando, me analisando, tentando me fazer duvidar dos meus sentimentos. Mas por quê? O que você quer com isso?

Noah ficou em silêncio por alguns segundos.

A verdade? Ele não sabia.

Mas, naquele momento, olhando para ela, sentiu que precisava dar uma resposta.

Ele se levantou devagar, reduzindo a distância entre eles.

— E se eu disser que eu também não sei?

Isabela franziu a testa.

— Como assim?

— Eu só sei que… — Ele hesitou, coisa que nunca fazia. — Você mexe comigo. De um jeito que ninguém mais mexe.

Ela ficou imóvel.

— Noah…

— Eu sei que não devia. Sei que você tem um namorado perfeito, que eu sou o cara errado. Sei que você me odeia.

Ele soltou uma risada sem humor.

— Ou pelo menos tenta odiar.

Isabela abriu a boca, mas não disse nada.

Noah deu um passo para trás, como se quisesse se afastar do que acabara de admitir.

— Mas, independente do que eu faça, eu sempre volto pra isso.

Ele passou a mão pelos cabelos, frustrado.

— Você me enlouquece, Isa.

Ela parecia tão confusa quanto ele se sentia.

— Isso… isso não faz sentido.

— Eu sei.

O silêncio entre eles era denso.

Noah queria quebrá-lo. Queria dizer algo que aliviasse o nó em sua garganta.

Mas não havia nada a ser dito.

Porque, no fundo, ele sabia que desejava algo que nunca poderia ter.

E, mesmo assim, não conseguia parar.

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