A manhã começou como qualquer outra para Isabela. Ou, pelo menos, era o que ela esperava.
Ela entrou na sala de aula e foi direto para o seu lugar, focada em organizar suas anotações antes que o professor chegasse. Mas, assim que ergueu os olhos, viu um rosto familiar no fundo da sala.
Um rosto que não via há anos.
— Arthur? — ela murmurou, surpresa.
O garoto, que estava conversando com um grupo de alunos, virou a cabeça ao ouvir o nome. Seus olhos encontraram os dela e, no instante seguinte, um sorriso largo se abriu em seu rosto.
— Isa!
Antes que ela pudesse reagir, ele já estava vindo em sua direção.
— Não acredito que te encontrei aqui! Quanto tempo!
Ela piscou algumas vezes, tentando processar aquilo.
Arthur havia sido seu melhor amigo na infância. Passaram anos juntos até que, de repente, a família dele se mudou para outra cidade. O contato entre eles foi se perdendo com o tempo, mas agora… ali estava ele.
Mais alto, com um sorriso ainda mais charmoso do que ela se lembrava, e com a mesma energia animada de sempre.
— Você estuda aqui agora? — ela perguntou, ainda surpresa.
— Sim! Acabei de me transferir. E parece que o destino resolveu nos colocar na mesma turma de novo.
O brilho nos olhos dele era evidente, e Isabela sentiu uma onda de nostalgia misturada com algo novo e desconhecido.
— Isso é incrível! — ela sorriu.
Mas então, sentiu um olhar pesado sobre ela.
Na porta da sala, Noah observava tudo de longe.
E ele não parecia nem um pouco feliz.
—
Noah não sabia explicar, mas algo naquele tal de Arthur não lhe descia bem.
Talvez fosse o jeito como ele olhava para Isa. Como se já tivesse decidido que queria algo dela.
E Noah definitivamente não gostava disso.
Então, quando o intervalo chegou e ele viu Arthur saindo da sala sozinho, soube que era sua oportunidade.
Seguiu o garoto até o corredor mais vazio do prédio e, antes que Arthur pudesse notar sua presença, chamou sua atenção.
— Ei.
Arthur se virou e arqueou a sobrancelha ao ver Noah parado ali, de braços cruzados e um olhar nada amigável no rosto.
— Opa — Arthur disse, casual. — Noah, né?
— E você é Arthur — Noah respondeu, a voz carregada de uma falsa indiferença. — O amigo de infância da Isa.
Arthur sorriu.
— Isso mesmo. A gente era inseparável quando crianças.
— Que conveniente você aparecer agora — Noah disse, estreitando os olhos.
Arthur soltou uma risada leve.
— O que você quer dizer com isso?
Noah deu um passo à frente, sem tirar os olhos dele.
— Quero dizer que não gosto de coincidências. E muito menos quando envolvem a Isa.
O sorriso de Arthur diminuiu um pouco, mas ele manteve a expressão tranquila.
— Então você e ela…?
— Eu e ela nada — Noah cortou rapidamente. — Mas isso não significa que eu não me importe com quem aparece do nada na vida dela.
Arthur cruzou os braços, analisando Noah.
— Você parece um pouco possessivo para alguém que não tem nada com ela.
Noah deu uma risada seca.
— E você parece rápido demais para alguém que acabou de chegar.
Arthur abriu a boca para responder, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, uma voz feminina interrompeu a conversa.
— O que está acontecendo aqui?
Isabela apareceu no corredor, olhando de um para o outro com uma expressão desconfiada.
Arthur deu um passo para trás, colocando as mãos nos bolsos.
— Nada demais. Só uma conversa entre colegas.
Isabela olhou para Noah, esperando uma confirmação.
Ele apenas deu de ombros.
— Conversa. Debate. Chame como quiser.
Ela suspirou, massageando as têmporas.
— Vocês dois… sério, eu não tenho paciência para isso.
Ela puxou Arthur pelo braço.
— Vem, vou te apresentar para o resto do pessoal.
Arthur lançou um último olhar para Noah antes de se afastar com Isabela.
Noah ficou parado ali por alguns segundos, observando os dois irem embora.
E algo dentro dele dizia que essa história estava longe de acabar.
—
Aquela noite, Isabela estava no quarto, deitada na cama, quando ouviu um barulho vindo da janela.
Ela se levantou rapidamente, o coração acelerado, e foi até lá.
Para sua surpresa, encontrou Noah do lado de fora, apoiado no parapeito com um sorriso travesso.
— O que você tá fazendo aqui?! — ela sussurrou, chocada.
— Visitando uma amiga — ele respondeu, casualmente.
Ela cruzou os braços.
— Pela janela?
— Você teria me deixado entrar pela porta?
Ela abriu a boca para responder, mas percebeu que a resposta provavelmente seria "não".
Suspirando, abriu a janela um pouco mais.
— Entra logo antes que alguém te veja.
Noah entrou com agilidade, aterrissando no chão do quarto sem muito esforço. Ele olhou ao redor, analisando o ambiente.
— Então é aqui que você passa suas noites chorando de saudade de mim?
Ela revirou os olhos, mas um pequeno sorriso escapou.
— Você é tão convencido.
Ele se jogou na cama dela sem cerimônia.
— E confortável também. Sua cama é ótima.
— Noah!
Ele riu e se sentou, apoiando os braços nos joelhos.
— Relaxa, só queria conversar um pouco.
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Sobre?
— Sobre o seu novo amiguinho.
Isabela suspirou.
— Você realmente tem problemas com ele, né?
— Eu tenho problemas com caras que chegam do nada e agem como se tivessem algum direito sobre você.
Ela riu, se sentando ao lado dele.
— Arthur é meu amigo, Noah. E, para sua informação, eu não tô interessada em ninguém agora.
Ele virou o rosto para ela, os olhos intensos.
— Mesmo?
Ela sustentou o olhar por um instante.
A resposta estava na ponta da língua.
Mas, por algum motivo, ela hesitou.
E Noah percebeu.
Ele sorriu de lado, mas não disse mais nada.
Apenas se jogou na cama de novo, fechando os olhos como se estivesse em casa.
— O que você tá fazendo? — ela perguntou, desconfiada.
— Passando a noite aqui.
— O quê?!
Ele riu.
— Calma, eu saio antes de alguém notar. Mas tá tarde e sua cama é realmente confortável.
Ela balançou a cabeça, mas não conseguiu conter um sorriso.
E, pela primeira vez em dias, sentiu que as coisas pareciam… certas.
Mesmo que ela não quisesse admitir.
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Atualizado até capítulo 29
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