Isabela passou a noite em claro. As palavras de Lucas ecoavam em sua mente como um mantra inescapável. "Podemos fazer funcionar à distância. Eu acredito em nós."
Ela queria acreditar também, queria que tudo fosse tão simples quanto ele fazia parecer. Mas algo dentro dela resistia. A ideia de seis meses longe deveria ter sido apenas dolorosa, mas, no fundo, uma parte dela sentia um alívio inquietante.
Isso é errado, pensou. Lucas era o namorado perfeito. Sempre presente, sempre compreensivo. Então por que seu coração parecia inquieto?
Na manhã seguinte, ela acordou com uma mensagem dele:
Lucas: Bom dia, amor. Sei que é muita coisa para processar, mas eu estou aqui. Sempre.
Ela mordeu o lábio, hesitante. Precisava responder, mas antes que pudesse digitar algo, ouviu batidas na porta.
Por favor, não seja quem eu acho que é.
Ela abriu, e lá estava Noah, encostado no batente com aquele sorriso preguiçoso que a irritava tanto.
— Você tem a péssima mania de aparecer sem ser chamado — ela resmungou, cruzando os braços.
— E você tem a péssima mania de deixar a porta destrancada — ele rebateu, inclinando a cabeça. — Dormiu mal, vizinha?
— Não é da sua conta.
Ele riu baixo, apoiando o ombro no batente.
— Deixa eu adivinhar. Problemas no paraíso?
Ela revirou os olhos, mas seu silêncio pareceu dar a resposta que ele queria.
— O que você quer, Noah?
— Vim perguntar se você pode me dar uma carona pra faculdade. Minha moto resolveu não ligar hoje.
— Problema seu.
— Ah, qual é, Isa. Achei que você fosse uma boa vizinha.
Ela bufou, mas pegou as chaves do carro. Quanto mais rápido saíssem dali, melhor.
—
O caminho até a faculdade foi silencioso no início, mas Noah não era do tipo que gostava de silêncio.
— Vai me contar ou vou ter que adivinhar?
Ela manteve os olhos na estrada.
— Contar o quê?
— O que te deixou tão tensa.
Isabela apertou o volante.
— Lucas recebeu uma oferta de estágio em outra cidade. Ele vai ficar seis meses fora.
— Ah… — Noah assobiou baixo. — Isso é interessante.
— Interessante?
— É. Quer dizer que, por seis meses, você vai estar livre.
Ela travou a mandíbula.
— Eu não vou estar livre, Noah. Vamos continuar juntos.
— Claro, claro… relacionamento à distância, essas coisas — ele murmurou, mexendo no rádio. — Você acha que vai funcionar?
— Sim.
— Mentirosa.
Ela pisou no freio com mais força do que o necessário ao parar no sinal vermelho.
— O que?
Ele virou o rosto para ela, os olhos brilhando com diversão.
— Você não tem certeza. Tá fingindo que acredita.
Isabela sentiu o peito apertar. Ele não deveria ser capaz de lê-la assim.
O sinal abriu, e ela arrancou o carro.
— Eu não preciso ter essa conversa com você.
— Tudo bem. Mas quando estiver sozinha, sem ele por perto, vai lembrar do que eu disse.
Ela não respondeu.
O pior era que, no fundo, temia que ele estivesse certo.
—
Depois das aulas, Isabela decidiu ir para casa sozinha. Precisava de tempo para organizar seus pensamentos, mas ao subir as escadas do prédio, viu Noah sentado na porta do apartamento dele, mexendo no celular.
— Sua moto já voltou à vida? — ela perguntou, tentando ignorá-lo.
— Ainda não. Mas não precisa se preocupar comigo.
— Não estou preocupada.
Ele sorriu, levantando-se lentamente.
— Bom saber.
Ela destrancou a porta, pronta para entrar, mas antes que pudesse se conter, virou-se para ele.
— Você realmente acha que não vai dar certo?
Noah arqueou uma sobrancelha, surpreso pela pergunta. Então, aproximou-se.
— Você quer a verdade?
Ela hesitou.
— Quero.
Ele parou na frente dela, próximo demais.
— Se você realmente estivesse certa dos seus sentimentos, não estaria aqui, perguntando isso pra mim.
Ela engoliu em seco.
Noah passou a língua nos lábios, avaliando-a.
— Me avisa quando decidir parar de fingir, vizinha.
E então, ele entrou em seu apartamento, deixando Isabela sozinha no corredor, com o coração martelando no peito.
Fingindo.
Era isso que ela estava fazendo?
Ou será que Noah era apenas mais uma bagunça em sua vida que ela precisava evitar?
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Atualizado até capítulo 29
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