Isabela achava que estava no controle.
Achava que poderia ignorar o vazio que Noah tinha deixado.
Que poderia fingir que não sentia nada quando via outra garota tocando nele, rindo com ele, olhando para ele do jeito que ela deveria estar olhando.
Mas ela estava errada.
E percebeu isso da pior forma possível.
—
Era hora do intervalo, e Isabela caminhava pelo pátio quando avistou Noah.
Ele estava encostado na parede, braços cruzados, aquele sorriso despreocupado no rosto enquanto conversava com uma garota de cabelos castanhos e olhos brilhantes.
A garota estava claramente interessada.
Ela jogava o cabelo para trás sempre que ria, inclinava o corpo na direção dele e mordia o lábio de vez em quando.
E Noah?
Ele não fazia nada para afastá-la.
Na verdade, ele parecia estar gostando.
O sangue de Isabela ferveu.
Ela sentiu o coração martelar no peito, uma mistura de raiva e algo que ela se recusava a nomear.
Sem pensar, atravessou o pátio e parou bem ao lado dos dois.
— Noah — sua voz saiu mais dura do que pretendia.
Ele levantou os olhos para ela, surpreso no início, mas logo um sorriso divertido apareceu em seus lábios.
— Isa. Algum problema?
Ela ignorou a garota ao lado dele e cruzou os braços.
— O que você acha que está fazendo?
Ele arqueou uma sobrancelha.
— Conversando.
A garota riu, como se aquilo fosse engraçado.
— Então agora você flerta com qualquer uma? — Isabela disparou, sentindo a paciência se esgotar.
Noah inclinou a cabeça, analisando-a por um momento antes de responder:
— Eu não sabia que precisava da sua permissão.
A frase atingiu Isabela como um soco no estômago.
Ele estava certo.
Ela havia dito que não gostava dele.
Ela mentiu para afastá-lo.
E agora ele estava seguindo em frente.
O que ela esperava?
Mesmo assim, ela não conseguia controlar a raiva.
— Você não precisa da minha permissão, mas também não precisa agir como um idiota — ela rebateu, sentindo as emoções borbulharem.
Noah riu, balançando a cabeça.
— Engraçado, Isa. Porque, da última vez que conversamos, você disse que não gostava de mim. Então… o que você tá fazendo aqui?
Ela abriu a boca, mas nenhuma resposta veio.
Porque ele estava certo.
Ela não tinha o direito de estar ali.
Mas isso não significava que aceitaria vê-lo com outra.
Antes que sua mente processasse o que estava prestes a fazer, Isabela segurou Noah pela gola da camisa e o puxou para perto.
E então o beijou.
Foi um beijo forte, intenso, carregado de toda a frustração, desejo e sentimentos não ditos.
Noah demorou um segundo para reagir, mas quando o fez, suas mãos deslizaram para a cintura dela, puxando-a para mais perto, aprofundando o beijo de uma maneira que fez Isabela perder o fôlego.
Ela sentiu a eletricidade percorrer seu corpo, como se finalmente estivesse fazendo o que deveria ter feito desde o início.
Mas então…
Ele se afastou.
Isabela abriu os olhos, ofegante, olhando para ele.
Noah encarava-a com uma expressão séria, seu olhar queimando contra o dela.
— Não — ele disse, sua voz baixa, firme.
Ela franziu a testa, confusa.
— O quê?
Ele passou a língua pelos lábios, ainda sentindo o gosto dela, mas seu olhar estava decidido.
— Eu não aceito isso, Isa.
Ela piscou.
— Como assim?
Ele respirou fundo.
— Eu não aceito ser só uma opção. Eu não aceito te beijar agora e te ver mentindo para mim amanhã.
Ela engoliu em seco.
Noah se aproximou, sua voz ficando mais suave, mas igualmente firme.
— Se você me quiser, Isa, tem que ser só minha. Nada de joguinhos. Nada de eu não gosto de você.
Ele ergueu a mão e roçou os dedos na bochecha dela, o toque tão leve que fez seu coração disparar.
— Eu não sou seu brinquedo, Isa. Decide o que você quer… ou me deixa ir de vez.
E com isso, ele se afastou, deixando-a ali, no meio do pátio, sentindo como se o mundo estivesse desmoronando ao seu redor.
Porque, pela primeira vez, Noah tinha tomado o controle.
E agora, a decisão era dela.
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Atualizado até capítulo 29
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