Dante
A noite já caiu. O estalo do interruptor é o único som além dos fogos de artifício estourando no céu, refletindo em seus olhos. Júlia congela no meio da sala, segurando as sandálias nas mãos, pega no flagra.
A cena seria cômica se eu não estivesse tão furioso.
Cruzo uma perna sobre a outra, me recostando na poltrona com um olhar preguiçoso.
— Vai a algum lugar, querida?
Ela aperta os lábios, respirando fundo antes de responder.
— Dante…
Mas em vez de me encarar, seus olhos são atraídos para a janela, onde o céu se ilumina com tons dourados e prateados. O som dos fogos ecoa pela cidade, vibrando no ar, celebrando uma tradição que é muito mais do que uma simples festa.
— Já começou… — Ela murmura para si mesma, um misto de encantamento e frustração em sua voz.
Então, finalmente, ela se vira para mim. E quando o faz, há um brilho determinado em seus olhos.
— Por favor, Dante, não seja o que você não nasceu para ser.
Ergo uma sobrancelha, intrigado.
— E o que exatamente eu nasci para ser?
Ela dá um passo à frente, o maxilar tenso.
— Não alguém que aprisiona os outros.
Sua resposta me atinge de um jeito que não espero.
Júlia ainda não entende. Ainda não sabe. Se soubesse, jamais teria dito isso.
Eu não a estou aprisionando. Estou protegendo-a.
Mas, claro, ela não enxerga dessa forma.
— Me deixe ir, ou me leve até lá. — Sua voz vacila, mas há firmeza na sua postura. — Por que quer me fazer sofrer?
Essa pergunta me atinge mais do que deveria.
Solto um suspiro pesado, massageando as têmporas.
— Você não entende, Júlia…
Ela cruza os braços.
— Então me faça entender.
Por um momento, apenas a encaro. Ela está tão obstinada, tão ingênua… e tão irritantemente linda sob a luz amarelada da sala. Seu vestido simples se ajusta perfeitamente ao corpo, e posso sentir sua determinação vibrando no ar entre nós.
Eu poderia simplesmente negar de novo. Poderia dar uma ordem e encerrar isso aqui.
Mas a verdade é que eu a conheço. Sei que, se não permitir que vá, ela encontrará outro jeito. Júlia não é do tipo que se rende fácil.
E pior… parte de mim quer levá-la.
Parte de mim quer vê-la sob a luz da Lua. Quer ver sua reação ao descobrir a verdade.
Meu coração martela contra o peito, e a fera dentro de mim ruge, inquieta.
Ela não deveria estar lá.
Mas talvez… apenas talvez… fosse hora de Júlia entender exatamente no que estava se metendo.
Me levanto devagar, sentindo seus olhos me acompanharem com expectativa. Caminho até ela, parando tão perto que sinto sua respiração prender.
Então, baixo a voz.
— Eu levo você.
Seus olhos se arregalam, surpresa evidente.
— Sério?
Deslizo os dedos pelo seu queixo, erguendo seu rosto para mim.
— Mas com uma condição.
Ela pisca, confusa.
— Qual?
Meu olhar se prende ao dela, a intensidade queimando entre nós.
— Você não sairá do meu lado. Nem por um segundo.
Júlia hesita, mas assente.
— Certo.
Eu solto um suspiro baixo, sabendo que talvez esteja cometendo um erro.
Mas já é tarde demais.
Porque esta noite, eu vou levá-la à Festa da Lua.
E nada mais será como antes.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 55
Comments
Vivi
como Júlia reagirá ansiosa para os próximos capítulos
2025-03-21
1