Dante
O cheiro dela invade o ambiente antes mesmo de seus passos ecoarem na sala.
Algo quente, feminino… e puro.
Meus músculos retesam. O instinto lateja em minhas veias, algo primitivo e voraz rugindo dentro do meu peito. Minha respiração se torna irregular. Tento manter o controle, a pose de sempre – fria, inabalável – mas tudo dentro de mim grita para possuí-la.
Para marcá-la.
Para fodê-la o mais rápido possível.
Minha mandíbula se contrai. Engulo em seco. Maldição.
Desde que soube que teria que tomar uma esposa, imaginei que seria algo mecânico, necessário apenas para preservar meu legado. Eu sou o último da minha linhagem. O único descendente puro dos Blackwood. Isso significa que meu dever é maior do que eu. Maior do que meus desejos, minhas vontades.
Preciso de herdeiros.
E ela… Júlia Mildren…
Ela é quem vai me dar esses filhos.
Ela é minha.
O pensamento me atinge como um soco no peito quando a vejo finalmente pisar na sala.
De vestido de noiva, como pedi. Os cabelos soltos, o rosto marcado pelo desprezo e pela revolta.
Tão jovem. Tão teimosa. E, droga, tão bela.
Ela para na entrada, hesitante. Seus olhos me encaram, arregalados, cheios de desafio e confusão. Provavelmente esperava um velho decrépito como dizia em algumas de suas cartas, um tirano caquético com cheiro de morte.
Que ironia.
Se ela soubesse quem eu realmente sou.
Se soubesse que, sob essa pele civilizada, mora uma fera faminta...
Mas não há para onde ela possa fugir.
Minha voz sai firme, cortante:
— Sente-se e coma. Preciso de você forte e saudável para me dar filhos.
O silêncio que se segue é absoluto.
Júlia pisca algumas vezes, como se tentasse processar minhas palavras. Seus lábios entreabrem-se, mas nenhum som sai no primeiro instante. Ela respira fundo, o peito subindo e descendo em um ritmo acelerado.
Então, finalmente, sua voz ecoa na sala.
— Vo-você se casou comigo apenas para me engravidar? É isso mesmo?!
Há incredulidade em seu tom. Fúria.
Seus dedos apertam a saia do vestido, os ombros tensos como se estivesse pronta para lutar.
Eu a encaro, imóvel.
Claro que essa seria sua reação. Claro que ela se sentiria ultrajada. Mas isso não muda os fatos. Ela foi feita para mim.
E ela vai entender isso. Cedo ou tarde. Ela me olha como se eu fosse um monstro.
Não que isso seja uma novidade.
Júlia ainda está parada na entrada da sala de jantar, os punhos cerrados, a respiração curta. Seus olhos brilham de indignação, e por um instante, quase posso ouvir os pensamentos fervilhando dentro de sua cabeça.
Nojo. Raiva. Medo.
Ela sente tudo isso agora. Mas acima de tudo, ela sente revolta.
— Você não respondeu. — Ela avança um passo, o queixo erguido, desafiadora. — Eu sou apenas um útero para você?
Sorrio de lado. Pequeno, discreto.
Essa garota…
Ela é corajosa.
Isso me agrada.
Mas coragem não significa nada diante da realidade.
— Sim. — Digo, sem rodeios.
A palavra soa como um golpe no ar. Direta. Crua. Sem nenhum esforço para suavizar a verdade.
Sei que poderia mentir. Que poderia usar palavras mais delicadas, fingir que este casamento é algo mais do que um acordo necessário. Mas não vejo sentido nisso.
Ela precisa entender o que somos um para o outro.
Ela não é minha esposa por amor.
Ela é minha esposa porque eu a escolhi para carregar minha linhagem.
— Seu desgraçado. — Ela cospe as palavras, dando mais um passo adiante. Seus olhos queimam de ódio, o peito subindo e descendo com a força da emoção. — Você acha que pode simplesmente… me usar? Me tratar como um objeto?
Minha mandíbula se contrai. Tolo engano dela.
Eu não a vejo como um objeto.
Vejo como uma necessidade.
Ela não faz ideia do que está em jogo aqui. Do que sou. Do que carrego.
Não pode compreender que minha espécie está à beira da extinção. Que sou o último lobo puro da linhagem Blackwood. Que, sem filhos, minha raça morre comigo.
Que minha própria maldição se tornará meu fim.
— Não finja que não sabia, Júlia. — Minha voz sai baixa, mas firme. — Seus pais venderam você para mim. Você já era minha antes mesmo de pisar aqui.
Ela treme.
Seu corpo enrijece, como se minhas palavras tivessem finalmente atingido a profundidade que deveriam.
A realidade pesa sobre ela.
Mas, ao invés de chorar, de ceder, de recuar…
Ela ri.
Baixo, seco, carregado de amargura.
— Eu já odiava você sem nem te conhecer. — Ela murmura, os olhos cravados nos meus. — Mas agora? Agora eu desprezo você com todas as forças que tenho.
Algo dentro de mim se agita. Uma parte sombria, primitiva… perigosa.
Ela está brincando com fogo. E não faz ideia do que isso significa.
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Atualizado até capítulo 57
Comments
joana Almeida lima
Só queria saber como chegaram até ai, porque ela foi escolhida? Papais sabem que o Blackwood é um lobisomem? São tantas perguntas...
2025-04-01
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