Júlia
Assim que Dante sai, o silêncio que ele deixa para trás pesa no ambiente. Meu olhar ainda está fixo na porta por onde ele desapareceu, meu coração batendo de um jeito estranho dentro do peito. O quê, exatamente, foi aquilo?
Pisco algumas vezes, tentando dissipar a sensação esquisita que ficou em meu corpo.
Então, me viro para meus novos amigos, forçando um sorrisinho sem jeito.
— Bom... isso foi intenso, né?
Joana é a primeira a rir, balançando a cabeça como se já estivesse acostumada com o humor sombrio de Dante. Albert apenas me observa com aquele olhar sério de sempre, e João, o jardineiro, dá de ombros como se fosse só mais um dia comum na mansão Blackwood.
Mas para mim, não é. Para mim, cada passo que dou dentro deste lugar parece uma peça de um quebra-cabeça que eu não sei como montar.
E Dante... bem, ele é a peça mais confusa de todas. Sem pensar muito, saio correndo atrás dele.
Subo as escadas, meus pés descalços mal fazendo barulho contra o chão polido. Meu coração acelera, não apenas pela corrida, mas pelo que estou prestes a fazer.
Preciso entender o que se passa naquela mente atormentada.
Ao chegar à porta do seu quarto, percebo que ela não está trancada. Forço o trinco devagar e a madeira maciça se move com facilidade.
Entro. E imediatamente sou tomada pelo choque. O quarto de Dante não é o que eu esperava.
Para um homem tão intenso, controlador e, às vezes, cruelmente calculista, seu espaço pessoal deveria refletir esse lado dele. Algo escuro, opressor. Mas não.
A primeira coisa que noto é a imponência do lugar. O teto alto, as janelas amplas permitindo que a luz matinal invada o espaço. As cortinas pesadas em um tom de cinza profundo, que contrastam com os móveis de madeira escura.
Mas o que realmente me surpreende são os detalhes.
Há uma estante repleta de livros organizados com um cuidado que não combina com a imagem de um homem bruto. Na mesa ao lado da cama, uma caneca com resquícios de café e um relógio de bolso, que parece muito antigo.
E então há a cama.
Imensa, coberta por lençóis escuros impecavelmente arrumados. Mas é a cabeceira que chama minha atenção: há entalhes nela. Lobos. Muitos lobos.
Antes que eu possa me aprofundar mais, um som me puxa de volta à realidade.
O chuveiro. O barulho da água caindo denuncia que Dante está ali, no banheiro.
Meus olhos correm até a porta entreaberta do banheiro, de onde o vapor começa a escapar. Meu peito sobe e desce em uma respiração instável.
Eu deveria sair.
Eu deveria respeitar seu espaço.
Mas ao mesmo tempo, uma parte de mim quer vê-lo neste instante. Dando um passo hesitante, aproximo-me da porta do banheiro, sentindo o calor do vapor envolver minha pele.
Meu coração martela dentro do peito. E então, sem pensar, bato na porta.
— Dante?
Nenhuma resposta.
O barulho da água continua, abafando qualquer som. Aperto os lábios, indecisa entre ir embora ou... entrar. Mas a verdade é que estou cansada de esperar respostas.
E se ele não quer conversar, então eu vou entrar e fazê-lo me ouvir.
Respiro fundo. E abro a porta.
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Atualizado até capítulo 55
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