Dante
Ela me desafia. Essa garota tenta disfarçar, mas eu sinto. O medo. A raiva. A confusão. Eu sinto tudo isso nela. Ela se inclina para frente, apoiando os cotovelos na mesa, sua respiração controlada.
— E eu não costumo aceitar ordens. — Ela rebate, sua voz doce, mas afiada como lâmina.
Cruzo os dedos sobre a mesa, observando cada reação sua. Seu peito sobe e desce de forma sutil, os dedos crispados sobre o tecido do vestido, a forma como seus olhos correm rapidamente pelo ambiente, como se procurassem uma saída.
Ela não tem nenhuma.
— Você acha que tem escolha? — Pergunto, baixo, calmo.
Ela se inclina mais um pouco, seu olhar se fixando no meu.
— Você acha que pode me obrigar?
Um sorriso mínimo surge nos meus lábios. Ela está testando os próprios limites. E os meus.
Meu tom continua baixo, mas cheio de certeza, ao dizer:
— Eu não preciso obrigá-la, Júlia.
O nome dela sai da minha boca de um jeito que a faz prender a respiração.
Seus olhos se arregalam, pequenos detalhes denunciando que minhas palavras a atingiram mais do que gostaria.
Ela não percebe, mas seu corpo já me responde. O sangue dela ferve. Eu posso sentir.
E essa conexão…
Esse elo primitivo que ela ainda não entende… logo será impossível de ignorar.
— Você é um monstro, Dante Blackwood. — Ela diz friamente, a voz carregada de desprezo.
As palavras dela deveriam me afetar. Mas não afetam. Já ouvi coisas piores. Já fui chamado de besta, demônio, maldição viva.
Monstro? Isso é quase um elogio.
A encaro por um longo momento, permitindo que o silêncio pese entre nós. Quero ver até onde vai essa coragem dela.
Júlia mantém o queixo erguido, os olhos fixos nos meus, como se tentasse me atingir com seu olhar furioso.
— Você diz isso como se fizesse alguma diferença. — Respondo, minha voz calma, controlada. — Como se eu me importasse com sua opinião.
Seus lábios se comprimem em uma linha fina.
— Talvez devesse.
— E por quê?
— Porque eu sou sua esposa.
Sorrio de lado. Ah, isso é adorável.
— Esposa? — Repito lentamente, saboreando a palavra. — Você não passa de um nome assinado em um contrato, Júlia.
Ela arregala os olhos por um instante, surpresa com minha frieza.
Mas logo se recompõe.
— Então por que se deu ao trabalho de me trazer aqui? Se eu sou só um nome no papel, por que esse circo todo?
Cruzo os braços, analisando-a.
Ela quer respostas.
E eu poderia dá-las.
Poderia dizer que seu sangue é valioso, que sua linhagem é a única que pode me dar um herdeiro forte o suficiente para continuar meu legado.
Poderia dizer que, no fundo, eu não queria uma esposa.
Queria uma solução.
Mas algo na maneira como ela me enfrenta, desafiadora, faz com que eu segure essas palavras.
Júlia ainda não está pronta para ouvir a verdade.
Não do jeito que precisa.
— Coma. — Digo simplesmente.
Ela ri, irônica.
— Você realmente acha que pode me dar ordens?
Minha paciência é grande, mas tem limite. E Júlia parece decidida a testar cada parte dela.
— Eu não acho. — Minha voz sai baixa, mas cortante como lâmina. — Eu sei.
Ela engole em seco. Posso ver seu corpo se retesando, seu coração acelerando.
O lobo dentro de mim percebe.
E adora.
Júlia se recosta na cadeira, cruzando os braços.
— Não vou ser sua prisioneira, Dante.
Me inclino para frente, reduzindo ainda mais a distância entre nós. Meus olhos fixam nos dela, frios e sombrios como a noite lá fora.
— Já é.
O choque do líquido frio contra minha pele é imediato. Ela realmente teve a audácia de jogar água na minha cara?
Pisco lentamente, sentindo as gotas escorrendo pelo meu rosto enquanto o silêncio preenche a sala.
Júlia permanece à minha frente, segurando o copo vazio com força, os olhos arregalados como se nem ela acreditasse no que acabou de fazer. Sua respiração está acelerada, o peito subindo e descendo, e posso ver seus dedos tremendo levemente.
Mas não de medo. De pura provocação.
Meus instintos reagem no mesmo instante. O lobo dentro de mim desperta, ansioso, rosnando baixo. Ela ousou me desafiar. Lentamente, passo os dedos pelo rosto, limpando a água sem desviar o olhar dela.
Júlia se mexe na cadeira, tensa, mas se recusa a recuar.
— Espero que isso tenha te despertado para a realidade, senhor Blackwood. — Ela diz, a voz carregada de ironia.
Sorrio de canto, um sorriso lento, perigoso.
— Você acabou de cometer um erro, querida esposa.
Vejo a garganta dela se mover em um engolir seco, mas Júlia não desvia o olhar. Ela quer jogar esse jogo.
Levanto-me lentamente, movendo-me ao redor da mesa até parar ao lado de sua cadeira. Ela acompanha cada passo meu, os dedos se apertando sobre o tecido do vestido, como se se preparasse para fugir.
Mas não há para onde correr.
Seguro o braço da cadeira e abaixo o rosto até que nossos olhos fiquem alinhados. Minha voz sai baixa, controlada, mas carregada de algo mais sombrio.
— Se acha que pode me desafiar e sair impune, está muito enganada.
Ela abre a boca para responder, mas hesita. Finalmente percebe o erro que cometeu. Me afasto lentamente, mantendo meu olhar preso ao dela, e então me viro, chamando Albert o mordomo, com um simples estalar de dedos.
— Leve a senhora Blackwood para seus aposentos. — Digo, ainda de costas para ela. — Agora.
Albert se aproxima, fazendo um gesto educado para que Júlia o acompanhe. Ela hesita. Posso sentir sua indecisão, sua vontade de me desafiar mais uma vez.
Mas ela percebe. Desta vez, é melhor não forçar ainda mais os limites.
Sem dizer uma palavra, Júlia se levanta e sai da sala, a postura rígida, mas sua energia vibrando de frustração.
Eu a observo desaparecer pelo corredor, e só então permito que um pequeno sorriso satisfeito surja no canto dos meus lábios.
A pequena esposa quer brincar?
Então vamos jogar.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Jane Silva
cão e gato kkkkkkkk
2025-03-10
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