Júlia
Alguns dias depois...
Os dias passaram e, com eles, minha paciência para Dante foi se esgotando. Desde nossa discussão sobre a Festa da Lua, tenho evitado qualquer contato direto com ele, e confesso que isso tem sido até divertido.
Dante Blackwood, o homem que sempre teve tudo sob controle, agora anda pela casa como uma fera irritada, os maxilares travados, os olhos queimando de frustração.
Ele está furioso, e eu? Eu apenas aproveito o espetáculo.
Hoje é o dia da festa. Meu corpo inteiro vibra de antecipação. Nunca me permitiram nada. Meus pais me trancaram em uma redoma até o momento em que me entregaram a um homem que eu sequer conhecia.
Mas, por mais que minha vida tenha sido uma história gótica e sufocante, algo dentro de mim nunca morreu: minha curiosidade, minha crença de que o mundo ainda guarda beleza e mistério.
Quero ver essa festa com meus próprios olhos. Quero sentir a energia das danças, o calor das chamas, o brilho da lua testemunhando tudo.
Estou tão perdida nesses pensamentos que quase pulo de susto quando ouço batidas firmes na porta.
Tum. Tum. Tum.
A voz grave de Dante ressoa logo em seguida, carregada de irritação contida:
— Júlia, abra essa droga de porta antes que eu a derrube.
Reviro os olhos, soltando um suspiro exagerado. Meu marido pode ser um homem incrivelmente intenso e misterioso, mas às vezes parece apenas uma criança birrenta.
Levanto-me da cama e caminho até a porta, girando a maçaneta com lentidão proposital antes de finalmente abri-la.
Assim que nossos olhares se encontram, vejo o fogo arder nos olhos dele. Ele está furioso. Tenso. E, de alguma forma, tentadoramente perigoso.
— O que foi, Dante? — pergunto, cruzando os braços, fingindo desinteresse.
Os olhos dele percorrem meu rosto, depois meu corpo, e percebo seu maxilar se contrair.
— Você ainda me pergunta o que foi? — Ele dá um passo à frente, invadindo meu espaço, e sua voz sai grave, quase um rosnado. — Você tem me evitado, Júlia. E eu preciso de você. Especialmente na minha cama.
Um arrepio percorre minha espinha, mas eu o ignoro, soltando uma risada curta e debochada.
— Nossa, essa sua declaração de amor logo cedo realmente aquece meu coração, querido. — Minha voz transborda sarcasmo, enquanto inclino a cabeça, o desafiando.
Os olhos de Dante brilham com algo escuro e indomável. Por um instante, tenho certeza de que ele vai me agarrar, reivindicar o que quer aqui mesmo.
Dante me encara por longos segundos, seus olhos queimando em fúria contida, como se lutasse contra o impulso de simplesmente me jogar sobre seus ombros e me trancar no quarto com ele.
Vejo quando sua respiração se torna mais pesada, quando seu peito sobe e desce com um controle quase animalesco.
— Você realmente quer brincar comigo, não é, Júlia? — Sua voz é baixa, perigosa.
Eu mantenho meu sorriso provocador, cruzando os braços com falsa inocência.
— Eu? Brincar? Imagine, querido. Só estou tentando entender essa sua súbita necessidade de me ter por perto.
Ele avança mais um passo, e agora estamos tão próximos que posso sentir o calor irradiando de seu corpo.
— Não é súbita. — Ele praticamente rosna. — Desde que coloquei os olhos em você, desde que senti seu cheiro, seu gosto... — Sua mão desliza até minha cintura, seus dedos apertando minha pele por cima do vestido. — Você é minha, Júlia. E não gosto quando tenta se afastar de mim.
Minha respiração falha por um instante, mas não me permito vacilar. Eu conheço esse jogo. E estou disposta a jogá-lo até o fim.
— Se eu sou sua, então talvez devesse aprender a me tratar melhor. — Minha voz é baixa, provocante. — Quem sabe até me deixar sair de casa.
Os olhos dele se estreitam. Sei que toquei exatamente onde queria.
— Você ainda está com essa ideia ridícula da festa?
Reviro os olhos, soltando um suspiro dramático.
— É claro que estou. Vou à Festa da Lua, Dante, você querendo ou não.
— Não vai. — Sua voz sai fria, cortante.
Eu sorrio, inclinando a cabeça para o lado.
— E quem vai me impedir? Você?
A tensão cresce no espaço entre nós. Sinto a eletricidade vibrando no ar. O peito de Dante sobe e desce em um ritmo contido, controlado, mas seus olhos... ah, seus olhos me dizem que ele está à beira de perder esse controle.
E talvez seja exatamente isso que eu queira.
— Júlia... — Ele sussurra meu nome como um aviso, mas não me assusta.
Em vez disso, dou um passo à frente, grudando meu corpo no dele.
— Você pode trancar portas, pode até tentar me prender nessa mansão... — Minha voz sai baixa, quase um sussurro, enquanto meus dedos deslizam levemente por seu peitoral. — Mas uma coisa eu garanto...
Ele me observa como um predador prestes a atacar.
— O quê? — Ele praticamente rosna.
Eu sorrio, me colocando na ponta dos pés, minha boca quase roçando na dele.
— Eu sempre consigo o que quero.
Antes que ele possa reagir, eu me afasto, saindo do quarto com um último olhar provocador.
Hoje à noite, eu vou à Festa da Lua.
E nada poderá me impedir.
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Atualizado até capítulo 58
Comments
Edvania Oliveira da Rocha
nossa como o enredo da estória mudou após o encontro deles no quarto dela no dia em que ela chegou!!
2025-03-24
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