Casamento Predestinado: A Ressurreição da Deusa

Casamento Predestinado: A Ressurreição da Deusa

Capítulo 1 – A Gaiola Dourada

Júlia

O motor do carro ronrona suavemente enquanto avançamos pela estrada sinuosa. O silêncio dentro do veículo pesa como chumbo, quebrado apenas pelo ruído dos pneus sobre o asfalto. O mordomo de Blackwood mantém os olhos fixos na estrada, sua postura rígida e impecável, como se estivesse transportando algo valioso – ou talvez, algo condenado.

Meu estômago se revira. Tudo isso parece surreal demais. Bizarro demais.

Meus pais… se é que posso chamá-los assim. Não passam de carcereiros disfarçados de família, gente fria que me criou com regras e punições ao invés de amor.

"Ter amigos, Júlia? Nem pensar. Sair e socializar? Isso é uma blasfêmia contra nossos princípios!"

As palavras ainda ressoam na minha mente, como correntes que nunca se romperam. Um passarinho preso – é assim que sempre me senti. Só que agora, a gaiola está mudando de lugar.

E quanto ao velho maldito para quem me venderam feito uma mercadoria? Que me aguarde.

Se ele pensa que vai se casar com uma esposa dócil e submissa, alguém que abaixa a cabeça e aceita essa loucura, está muito enganado. Você não perde por esperar, seu nojento.

— Estamos chegando, senhora Júlia. — A voz do mordomo me arranca dos pensamentos.

Cruzo os braços, afundando no banco do carro. Aos dezoito anos, eu deveria estar por aí, vivendo, aproveitando… beijando gatinhos aleatórios numa festa qualquer. Mas, ao invés disso, estou aqui, sendo levada ao Belzebu dos infernos.

Aos poucos, a enorme propriedade Blackwood se revela diante de mim. O portão se abre lentamente, rangendo como se carregasse o peso de séculos de segredos. O jardim escuro é pontuado por estátuas de lobos de pedra, tão imponentes que parecem vigiar quem ousa atravessar a entrada.

"Esse velho deve ser um sádico doentio."

A noite está fria, e o vento cortante entra pela janela, fazendo minha pele se arrepiar. Deslizo meus dedos pelo vestido de noiva – porque sim, esse doente exigiu que eu viesse vestida assim. Como se essa farsa precisasse parecer mais teatral do que já é.

Eu já não choro mais.

Chorei quando soube que seria vendida.

Chorei quando tentei fugir e me trouxeram de volta.

Chorei até secar todas as lágrimas.

Agora, só me resta o deboche.

E espero que ele tenha lido minhas cartas. Ah, as cartas. Enviei várias, uma pior que a outra. Mas uma em especial me vem à mente, e não consigo conter um sorriso maldoso ao lembrar do trecho final:

"Querido e estimado senhor Blackwood, seu tirano desgraçado de merda! Espero que tenha um infarto ao ler isso e volte para o buraco de onde nunca devia ter saído. Atenciosamente, sua futura esposa."

Ah, se ele realmente recebeu essa… Se sobreviveu à leitura, claro.

O carro reduz a velocidade conforme se aproxima da entrada principal da mansão. O hall de entrada surge à minha frente, iluminado apenas pelo brilho frio dos postes de ferro fundido. O som dos pneus sobre o cascalho faz meu coração acelerar, como se cada metro percorrido me puxasse ainda mais para dentro dessa sentença de vida.

Então, finalmente, o carro para.

— Aqui estamos, senhora Blackwood. — A voz do mordomo soa firme, sem qualquer emoção.

Respiro fundo e solto o ar devagar. Meus olhos correm pelo casarão diante de mim. O lugar é grandioso, sim, mas também tem algo sufocante, como se escondesse segredos que não deveriam ser descobertos.

A porta do carro se abre e o vento frio da noite me envolve. Seguro a barra do vestido e desço devagar, sentindo o chão de pedras gelado sob os pés. Meu futuro marido deve estar tão gagá que nem já aguenta mais andar, só pode.

Considerando que nossa papelada do casamento foi assinada sem ele nem se dar ao trabalho de me ver pessoalmente, casei com esse encosto dentro da minha própria casa.

Agora, sou apenas uma oferenda sendo entregue ao monstro. Em pleno século 21, e parece que não evoluímos merda nenhuma.

— O senhor Blackwood a aguarda. — O mordomo mantém sua expressão impassível. — O jantar de vocês já está servido.

Eu tusso, quase me engasgando com a própria saliva.

Primeiro jantar como um casal?!

Essa é boa. Considerando que meu marido deve ter idade para ser meu avô, o mínimo que espero é que ele esteja tão biruta que não me incomode.

Ajusto o vestido, levanto o queixo e sigo o mordomo para dentro da mansão.

Se esse velho nojento acha que serei um bibelô enfeitando sua casa, está muito enganado.

(...)

A cada passo que dou para dentro da mansão, sinto o ar ao meu redor ficar mais pesado. O silêncio é quase sufocante, cortado apenas pelo som ritmado dos meus saltos ecoando no chão de mármore polido. Frio. Gigantesco. Vazio.

A mansão Blackwood é tudo isso e mais um pouco.

Lustres imensos pendem do teto, suas luzes douradas refletindo em espelhos antigos, criando sombras fantasmagóricas pelas paredes de pedra escura. Retratos antigos me observam de seus lugares, rostos sérios, olhares penetrantes – ancestrais de Blackwood, sem dúvida. Uma linhagem de homens poderosos e, aparentemente, nada amigáveis.

O mordomo caminha à minha frente, seu passo firme e calculado. Eu o sigo sem questionar, sem realmente querer saber para onde estou indo. O cheiro de madeira envelhecida, velas e algo mais – algo terroso, talvez musgo ou floresta molhada – invade minhas narinas.

Minha mente ferve com perguntas. Onde diabos está meu marido?

Um homem que exige um casamento sem ao menos conhecer a noiva, mas que agora nem se dá ao trabalho de me receber pessoalmente? Patético.

— O senhor Blackwood a aguarda na sala de jantar. — O mordomo informa sem emoção, parando diante de uma porta de madeira maciça.

Meu estômago revira. Então é agora.

Minha mente corre a mil, imaginando como será o velho asqueroso que me comprou como se eu fosse um objeto de coleção. Será que ele está enrugado, careca e babando na própria gravata? Ou será que é um daqueles velhacos que tentam parecer jovens, tingindo o cabelo e usando ternos caros para esconder a decadência?

De qualquer forma, não estou pronta.

Mas já que não há escapatória, ergo o queixo, respiro fundo e empurro a porta.

A sala de jantar é tão opulenta quanto o resto da mansão. Uma lareira crepita em uma das extremidades, iluminando o espaço com uma luz quente e tremulante. A mesa é imensa, feita de mogno escuro, com detalhes entalhados à mão – e vazia, exceto por uma única cadeira ocupada na ponta.

E então eu o vejo.

Dante Blackwood.

E, para minha surpresa, ele não é um velho.

Na verdade, ele não poderia estar mais longe disso.

Ele está sentado com uma postura impecável, um copo de vinho entre os dedos. Os cabelos negros caem sobre sua testa de maneira displicente, como se ele não se importasse com a perfeição de sua aparência – o que só o torna ainda mais intimidador. A barba cerrada, bem desenhada, contorna o maxilar forte, e os olhos…

Os olhos.

São de um âmbar profundo, brilhando de um jeito incomum à luz do fogo, como se escondessem algo selvagem dentro deles.

Ele não desvia o olhar quando entro, não se levanta, não se incomoda em me dar boas-vindas. Apenas me observa, estudando-me com uma intensidade que faz minha pele formigar.

Não é nada do que eu esperava.

E, de repente, tenho a sensação de que me meti em algo muito pior do que imaginava.

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Comments

joana Almeida lima

joana Almeida lima

Só acho que essa garota devia ter sido tão rebelde e revoltada com seus pais que a venderam e não com quem a comprou. Ninguém compra se não tem quem ofereça o que vender.

2025-04-01

1

Paula Ferreira

Paula Ferreira

tbm acho, deveria enfrentar era os pais, mais é sempre assim, só desconta nos homens.

2025-04-02

0

Elizabeth Gomes

Elizabeth Gomes

tô gostando muito

2025-03-08

1

Ver todos
Capítulos
1 Capítulo 1 – A Gaiola Dourada
2 Capítulo 2 – Sangue e Legado
3 Capítulo 3 – Presa e Predador
4 Capítulo 4 – Brincando com o Perigo
5 Capítulo 5 – Uma Jaula de Luxo
6 Capítulo 6 – O Jogo Começou
7 Capítulo 7 – O Caçador
8 Capítulo 8 – Transformação Letal
9 Capítulo 9 – A Revelação
10 Capítulo 10 – Conflito Interno
11 Capítulo 11 – Momento Decisivo
12 Capítulo 12 – Incandescente
13 Capítulo 13 – Primeira vez, Posse e Reivindicação
14 Capítulo 14 – Verdades Ocultas
15 Capítulo 15 – Entre Almoço e Discussões
16 Capítulo 16 – A Festa da Lua
17 Capítulo 17 – Um Aviso e Uma Provocação
18 Capítulo 18 – Rumo a Festa
19 Capítulo 19 – Chamado Ancestral
20 Capítulo 20 – O Despertar
21 Capítulo 21 – Dor
22 Capítulo 22 – Revelações
23 Capítulo 23 – Fora de Controle
24 Capítulo 24 – Prazer e Entrega
25 Capítulo 25 – karaokê
26 Capítulo 26 – Visitantes Desconhecidos
27 Capítulo 27 – A Comandante
28 Capítulo 28 – Algo está Vindo
29 Capítulo 29 – Missão Terra
30 Capítulo 30 – A Reencarnação da Deusa
31 Capítulo 31 – Vida Passada
32 Capítulo 32 – A Líder
33 Capítulo 33 – Rumo a Londres
34 Capítulo 34 – Enfrentando o Perigo
35 Capítulo 35 – Luz Celestial
36 Capítulo 36 – Jogo de Interesses
37 Capítulo 37 – Doce Provocação
38 Capítulo 38 – Loucos de Paixão
39 Capítulo 39 – Juntos até o Fim
40 Capítulo 40 – A Grande Missão
41 Capítulo 41 – A Batalha
42 Capítulo 42 – Entre Cinzas e Redenção
43 Capítulo 43 – Destinos Opostos
44 Capítulo 44 – Start no Jogo
45 Capítulo 45 – Uma Nova Vida
46 Capítulo 46 – Inquietação
47 Capítulo 47 – Estranha
48 Capítulo 48 – Proteção em Meio ao Caos
49 Capítulo 49 – Avaliados
50 Capítulo 50 – A Preparação da Deusa
51 Capítulo 51 – O Renascer da Deusa
52 Capítulo 52 – Verdade Esmagadora
53 Capítulo 53 – O Preço a se Pagar
54 Capítulo 54 – Jogo Perigoso
55 Capítulo 55 – A Grande Fonte
56 Capítulo 56 – Uma Promessa Silenciosa
57 Capítulo 57 – Um Momento Apenas
58 Capítulo 58 – Acordo Selado
Capítulos

Atualizado até capítulo 58

1
Capítulo 1 – A Gaiola Dourada
2
Capítulo 2 – Sangue e Legado
3
Capítulo 3 – Presa e Predador
4
Capítulo 4 – Brincando com o Perigo
5
Capítulo 5 – Uma Jaula de Luxo
6
Capítulo 6 – O Jogo Começou
7
Capítulo 7 – O Caçador
8
Capítulo 8 – Transformação Letal
9
Capítulo 9 – A Revelação
10
Capítulo 10 – Conflito Interno
11
Capítulo 11 – Momento Decisivo
12
Capítulo 12 – Incandescente
13
Capítulo 13 – Primeira vez, Posse e Reivindicação
14
Capítulo 14 – Verdades Ocultas
15
Capítulo 15 – Entre Almoço e Discussões
16
Capítulo 16 – A Festa da Lua
17
Capítulo 17 – Um Aviso e Uma Provocação
18
Capítulo 18 – Rumo a Festa
19
Capítulo 19 – Chamado Ancestral
20
Capítulo 20 – O Despertar
21
Capítulo 21 – Dor
22
Capítulo 22 – Revelações
23
Capítulo 23 – Fora de Controle
24
Capítulo 24 – Prazer e Entrega
25
Capítulo 25 – karaokê
26
Capítulo 26 – Visitantes Desconhecidos
27
Capítulo 27 – A Comandante
28
Capítulo 28 – Algo está Vindo
29
Capítulo 29 – Missão Terra
30
Capítulo 30 – A Reencarnação da Deusa
31
Capítulo 31 – Vida Passada
32
Capítulo 32 – A Líder
33
Capítulo 33 – Rumo a Londres
34
Capítulo 34 – Enfrentando o Perigo
35
Capítulo 35 – Luz Celestial
36
Capítulo 36 – Jogo de Interesses
37
Capítulo 37 – Doce Provocação
38
Capítulo 38 – Loucos de Paixão
39
Capítulo 39 – Juntos até o Fim
40
Capítulo 40 – A Grande Missão
41
Capítulo 41 – A Batalha
42
Capítulo 42 – Entre Cinzas e Redenção
43
Capítulo 43 – Destinos Opostos
44
Capítulo 44 – Start no Jogo
45
Capítulo 45 – Uma Nova Vida
46
Capítulo 46 – Inquietação
47
Capítulo 47 – Estranha
48
Capítulo 48 – Proteção em Meio ao Caos
49
Capítulo 49 – Avaliados
50
Capítulo 50 – A Preparação da Deusa
51
Capítulo 51 – O Renascer da Deusa
52
Capítulo 52 – Verdade Esmagadora
53
Capítulo 53 – O Preço a se Pagar
54
Capítulo 54 – Jogo Perigoso
55
Capítulo 55 – A Grande Fonte
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Capítulo 56 – Uma Promessa Silenciosa
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Capítulo 57 – Um Momento Apenas
58
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