Júlia
Sigo o mordomo em silêncio, meus passos ecoando pelo longo corredor. Meus pensamentos ainda estão um caos.
O que diabos foi aquilo no jantar?
Dante Blackwood é um canalha arrogante, frio e controlador. Isso já ficou claro. Mas o que me deixa inquieta não é só isso. É a forma como ele me olha.
Sinto um arrepio subindo pela espinha, e o suor frio escorrendo pela minha nuca.
Será que ele espera…?
Minha garganta seca. Eu nunca fiquei com homem nenhum. Não sou ingênua, sei como o mundo funciona, mas a ideia dele me tocando me dá calafrios.
Se aquele infeliz tentar qualquer coisa, eu juro que arranco um pedaço dele.
— Senhora? Seu quarto. — A voz do mordomo me puxa de volta à realidade.
Só então percebo que paramos diante de uma porta enorme. Ele a abre para mim, e eu entro. Assim que a madeira se fecha atrás de mim, solto um longo suspiro.
Finalmente sozinha.
Meus olhos percorrem o ambiente com incredulidade. Para quê tanto espaço, gente?
Sério, nesse quarto cabem duas famílias inteiras.
Há um imenso lustre pendurado no teto, cortinas de veludo pesado nas janelas, um armário que parece maior que o meu antigo quarto inteiro, e uma cama gigantesca no centro do cômodo.
Me aproximo e afundo a mão nos lençóis. De seda. Óbvio.
Bilionários… Parece que eles têm um prazer em ostentar espaço desnecessário.
Dou um suspiro, sentindo o peso do vestido de noiva sobre mim.
Esse corpete apertado já está me sufocando, e o tecido pesado só piora o calor que começa a se espalhar pelo meu corpo.
Preciso tirar isso. Preciso de um banho.
Caminho até a porta que imagino ser o banheiro e, quando a abro, quase caio dura no chão. O banheiro é maior que a antiga sala de estar, da casa dos meus pais.
Mármore por todos os lados, uma banheira que parece uma pequena piscina e uma ducha de vidro que mais parece saída de um spa.
— Pelo amor de Deus… — resmungo sozinha.
Fecho a porta atrás de mim e começo a soltar os botões do vestido. Ou melhor, tento.
Por que isso tem tantas malditas amarrações?!
Puxo, tento virar o braço para alcançar as fitas nas costas, mas nada.
Ótimo.
Presa em uma jaula de luxo, vestida para um casamento que não escolhi, e agora nem consigo sair dessa roupa idiota.
Isso está ficando cada vez melhor. Então, meu corpo inteiro congela. A voz grave e carregada de ironia dele, ressoa pelo banheiro como um trovão.
— Quer ajuda com isso, querida? Será um enorme prazer tirar.
Meu coração dispara. O espelho reflete a figura dele parado à porta, me observando.
O desgraçado entrou sem nem bater!
Seguro o tecido do vestido contra meu corpo e me viro num movimento brusco.
— O que diabos você pensa que está fazendo?! — minha voz sai mais alta do que planejei, mas não me importo. Ele merece.
Dante apenas ergue uma sobrancelha, os olhos deslizando preguiçosamente por mim, como se estivesse se divertindo com meu desespero.
— Estou apenas sendo um marido solícito. — Ele dá um passo à frente. — Não quer a minha ajuda?
Minha respiração falha por um segundo. A forma como ele se move, tão controlado, tão letalmente calmo, me faz sentir ainda mais presa.
Mas eu não vou recuar.
Endireito meus ombros e encaro esse homem enorme com toda a fúria que tenho dentro de mim.
— Prefiro arrancar esse vestido com às unhas e os dentes do que aceitar sua ajuda.
Se ele esperava que eu abaixasse a cabeça, se decepcionou. O canto da boca dele se ergue, um sorriso quase imperceptível.
— Bem, essa seria uma imagem interessante de se ver.
Meu rosto pega fogo.
Canalha!
Aperto os punhos, pronta para lançar um xingamento, mas Dante apenas gira o corpo com uma calma irritante.
— Boa sorte com o vestido, esposa. — Sua voz carrega diversão.
E então ele se vai, fechando a porta atrás de si. Deixo escapar o ar que nem percebi estar prendendo e encosto na pia, tentando controlar os batimentos acelerados.
Maldito seja, Dante Blackwood.
Se ele acha que pode brincar comigo, vai descobrir que não sou tão fácil de dobrar.
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Atualizado até capítulo 55
Comments
Paula Ferreira
eu realmente não entendo essas mulheres,com os pais abusadores, são mudas e cegas, não reagem a nada, quando é forçada a casar dá de doida com o marido,aparece coragem não sei de onde.
2025-04-03
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