Dante
Eu deveria deixá-la em paz.
Depois de pegá-la naquela cena patética, lutando contra o próprio vestido no banheiro, voltei para o meu quarto e tomei um banho frio. Literalmente.
Mas agora estou aqui novamente.
Paro diante da porta dela, segurando duas gravatas em mãos, girando os dedos ao redor do tecido como um caçador que se diverte com sua presa antes do ataque.
Isso vai ser divertido... e muito prazeroso.
Giro a maçaneta sem pressa e entro.
O que vejo me arranca um sorriso de canto.
Júlia está de pé, o cabelo ainda levemente úmido, a camisola de seda deslizando por suas curvas, terminando na metade das coxas.
Ela não esperava por mim. Mas me vê. E cora. Suas bochechas rosadas são um convite para a provocação.
— Para quê isso? — Sua voz vacila quando vê as gravatas em minhas mãos.
— Relaxa, querida. — Ergo uma delas com um sorriso preguiçoso. — Só para garantir que você não vai fugir.
Seus olhos brilham com algo que me fascina: raiva.
— Seu imundo! Eu ainda sou virgem!
Levanto uma sobrancelha. O modo como ela joga isso na minha cara como se fosse uma carta de defesa me diverte.
— Eu sei que você é intocada. — Dou mais um passo, encurtando a distância. — Isso só torna tudo mais interessante.
Porém, ao invés de recuar, algo muda nela. Ela se endireita, os punhos cerrados. E então ela avança um passo.
— Seu doente. — Seus olhos faíscam em desafio. — Se acha que só porque sou virgem, sou ingênua, está muito enganado. Quer que eu me deite e aceite? Pois bem, irei. E você só faça o que tem que fazer e pronto.
Silêncio.
Meus músculos enrijecem, mas não de fúria. De fascínio. Essa garota realmente acha que pode me desafiar assim?
Ah, querida…
Você não sabe com quem está lidando.
E então eu gargalho.
Não um riso leve, não um sorrisinho satisfeito. Mas uma gargalhada profunda, vinda do peito, reverberando pelo quarto como uma promessa.
Ela se mantém firme, mas vejo seus dedos tremendo levemente.
Aproximo-me até que meu corpo esteja a meros centímetros do dela. Levanto uma mão, lenta e calculadamente, e deixo a ponta dos meus dedos deslizarem por sua bochecha quente, descendo até seus lábios entreabertos.
Então, com a voz firme, digo:
— Se tem uma coisa que preciso admitir, é que você tem coragem.
Meus dedos traçam o contorno de sua boca, sentindo-a prender a respiração. Inclino para mais perto, roçando os lábios em seu ouvido ao sussurrar:
— Irei garantir que você incendeie. Seu corpo vai clamar por mim.
E quando recuo, vejo.
Os olhos dela brilham não apenas de ódio, mas de algo que ela ainda não quer admitir.
Assim, sem mais cerimônia, ordeno:
— Agora retire essa camisola.
O silêncio que se segue é quase palpável.
Júlia pisca, como se não tivesse certeza se ouviu direito. Então, sua boca se abre, provavelmente para me xingar de novo.
Ótimo.
Cruzando os braços, espero.
— Você ficou louco? — Sua voz sai afiada, carregada de incredulidade e fúria. — Em que mundo você acha que pode me dar esse tipo de ordem?!
Dou um passo mais perto, sentindo sua respiração acelerar.
— No mundo onde sou seu marido. — Minha voz sai baixa, rouca. Perigosa. — E no mundo onde você não quer que eu faça isso por você.
Seus olhos brilham com desdém e algo mais…
— Vai sonhando, Blackwood. — Ela cruza os braços, empinando o queixo. Desafiante.
Minha paciência está se esgotando, mas ao mesmo tempo… estou adorando isso.
— Você realmente quer me desafiar, querida? — Inclino-me até que nossos rostos estejam a centímetros de distância. Tão perto que posso sentir o calor exalando de sua pele.
Júlia não recua.
Isso me faz sorrir.
— Escute bem. — Minha mão desliza pelo tecido fino de sua camisola, parando em sua cintura. — Isso não é um jogo que você pode vencer. Mas se quiser brincar...
Pressiono levemente meus dedos contra ela, apenas o suficiente para sentir o arrepio que percorre seu corpo.
— Estou mais do que disposto a jogar.
Seus lábios se entreabrem, e sei que ela quer gritar alguma resposta afiada, mas sua respiração a trai. Ela sente isso tanto quanto eu.
O desejo. O medo. A curiosidade.
Então, sem desviar o olhar, retiro minha própria camisa, deixando-a deslizar pelos meus ombros. Se ela quer um embate, então vamos ver até onde vai a coragem dela.
— Sua vez, Júlia. — Provoco.
Seus olhos se arregalam por um segundo, mas logo sua expressão endurece.
Ela engole em seco.
E então, leva as mãos, lentamente, até a barra da camisola. Agora às coisas irão ficar realmente interessantes.
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Atualizado até capítulo 58
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