Capítulo 18

Reagar então me olhou com uma certa raiva e disse:

— Não, não se faça de vítima, prisioneira.

Kaelion falou:

— Tem razão, não há necessidade de você ter um noivo de mentira.

Olhei para os dois e falei:

— O próprio rei disse que Cristália está vigiando vocês de perto. Então, não seria meio suspeito eu chegar lá com dois homens e nenhum deles ter qualquer tipo de contato sentimental comigo?

O rei, analisando a situação, bateu palmas para chamar nossa atenção. Voltei imediatamente a minha atenção para ele. E o rei disse:

— Pérola tem razão. Seria muito estranho dois homens e uma mulher, e nenhum deles ser seu marido, noivo ou, pelo menos, seu irmão. Vamos fazer o seguinte: Como vocês dois vão ir juntos, um vai ser seu noivo e o outro vai ser o irmão do noivo.

O rei me olhou de cima a baixo e perguntou:

— Que tal assim, senhorita?

Eu queria dizer que não estava de acordo, mas era melhor do que nada. Afinal, os dois realmente queriam ir juntos. Então, eu disse:

— Perfeito. Pelo menos agora temos uma história um pouco mais plausível, Vossa Majestade.

Mas do nada os príncipes começaram uma discussão entre os dois.

A discussão entre os irmãos continuava, mas agora eu realmente já não me importava mais com o que eles tinham a dizer. A arrogância de Reagar e o falso bom humor de Kaelion estavam começando a me cansar.

Reagar, com seu tom desdenhoso, disse:

— Eu sou o mais velho, logo, sou a melhor escolha. Você, Kaelion, não tem o que é necessário para essa missão.

Kaelion, com um sorriso forçado, retrucou:

— Claro, porque ser mais velho te torna mais capaz, não é? Não acho que a idade seja um fator tão importante. Eu, ao contrário de você, sei como lidar com as situações difíceis, então sou a melhor opção.

Ambos se olhavam com tanto desprezo que eu mal podia suportar. Eles estavam mais preocupados em se provar um ao outro do que em, de fato, cumprir a missão.

Olhei para eles com um sorriso cínico, já decidida. Não valia a pena prolongar essa discussão patética.

— Eu escolho Kaelion. Ele parece me odiar menos do que você, Reagar.

A expressão de Reagar ficou ainda mais impaciente, e ele rosnou com desprezo:

— Então você prefere o irmão mais novo? Patético.

Kaelion, por sua vez, parecia surpreso, mas não tanto quanto Reagar. Ao menos ele sabia como esconder o desdém. Era algo mais sutil, mais calculado, o que me fazia escolher ele. Reagar, por outro lado, deixava claro o quanto me via como uma prisioneira inútil. Eu não tinha tempo para isso.

— Não é uma questão de preferência, Reagar. É uma questão de quem parece ter mais controle sobre a situação, e você, francamente, está se mostrando incapaz de entender isso. — respondi, minha voz cortante, sem esconder o desdém.

Os dois ficaram em silêncio por um instante. Reagar parecia pronto para explodir, mas Kaelion o interrompeu, falando calmamente:

— Não vamos transformar isso em um espetáculo, irmão. Pérola fez sua escolha. Não há mais o que discutir.

Reagar olhou para Kaelion com raiva, mas sabia que a situação estava perdida. Ele bufou, virando-se para o rei e dizendo:

— Isso vai dar errado, vocês sabem disso, não é?

O rei apenas observou a cena com um olhar frio e calculista. Não parecia interessado no drama entre os irmãos. Eu, por outro lado, já estava cansada de toda aquela teatrilidade. Era apenas mais uma missão, e, como sempre, os homens ao meu redor pareciam achar que podiam jogar seus jogos e ainda sair vitoriosos. Bem, eu estava jogando meu próprio jogo agora.

O rei observou a cena com um olhar atento, analisando a dinâmica entre os irmãos e minha escolha. Ele estava quieto por um momento, como se estivesse ponderando a situação, talvez até achando graça do meu desdém. Mas, ao contrário de Reagar, ele parecia entender que a situação já estava definida.

Finalmente, ele falou, com uma voz profunda e firme:

— Interessante... Aceito.

Eu quase ri por dentro. Ele parecia não se importar com as brincadeiras de poder entre os dois irmãos. Para ele, a decisão estava tomada e era o fim de qualquer discussão.

Reagar se manteve em silêncio, claramente irritado, mas aparentemente aceitando a decisão. Kaelion, por outro lado, não disse nada. Apenas olhou para mim com uma expressão difícil de decifrar. Não sei se estava surpreso ou, de alguma forma, satisfeito, mas de qualquer maneira, ele não protestou. Talvez porque soubesse que, no fundo, essa era a única escolha sensata.

Eu não olhei para os dois irmãos. Já tinha feito minha escolha, e a aprovação do rei não mudava minha decisão. Eles que lidassem com as consequências, não eu.

O rei então, como se fosse a coisa mais natural do mundo, concluiu:

— Está decidido. Kaelion será o noivo, e Reagar será o irmão do noivo. Que comecem os preparativos.

Eu apenas acenei com a cabeça, desinteressada, minha mente já no que viria depois. Não estava ali para jogar suas regras, mas para seguir a missão e

 garantir que tudo fosse cumprido da maneira mais eficiente possível. O resto? Era só uma formalidade.

Derrepente o rai olhou para os dois príncipes, que ainda estavam esperando ansiosamente, e com um gesto tranquilo, fez um sinal para que se retirassem.

— Reagar, Kaelion, vocês podem se retirar. Preciso conversar com Pérola a sós.

Os dois se entreolharam, surpresos, e Reagar foi o primeiro a protestar.

— Pai, por que nos manda sair? Precisamos estar presentes para qualquer decisão.

Kaelion, sempre mais contido, também se manifestou.

— Isso não é necessário, meu senhor. Podemos ajudar no que for preciso.

O rei olhou-os com calma, mas a voz foi firme.

— Não, o assunto agora é privado. Confio em que entendam.

Reagar bufou, claramente irritado, mas, sem mais palavras, fez uma reverência rápida e se retirou. Kaelion, embora com uma expressão indecifrável, seguiu o exemplo do irmão e saiu também, deixando-me sozinha com o rei.

Fui pega de surpresa quando o rei dispensou os dois príncipes. Eles perguntaram por quê, e ele respondeu que queria conversar comigo a sós.

Reagar e Kaelion trocaram olhares rápidos, claramente desconfortáveis, mas não ousaram contestar. Eles saíram, deixando-me sozinha com o rei, que agora parecia mais sério do que nunca.

O silêncio se arrastou por um momento, e eu me preparei para o que viria a seguir. O rei me observou atentamente, como se estivesse avaliando algo importante, antes de finalmente falar:

— Pérola, você fez uma escolha interessante.

Eu não sabia se estava sendo elogiada ou apenas analisada. Isso me fez hesitar por um instante, mas mantive a postura.

— Eu só fiz o que era mais sensato. — respondi, tentando manter a calma, embora uma pontada de curiosidade se formasse em mim sobre o que ele realmente queria.

O rei balançou a cabeça lentamente, como se concordasse com minha lógica. Mas então, com um sorriso enigmático, ele acrescentou:

— Sensato ou não, é bom ver alguém tão determinado em suas escolhas. Mas agora, precisamos conversar sobre o próximo passo.

Aquelas palavras me fizeram tensionar. A missão estava apenas começando, e eu sabia que muitos desafios ainda estavam por vir.

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