Capítulo 13

Eu dormia profundamente quando um toque gelado e invasivo em minha coxa fez meu corpo despertar em alerta. Antes que pudesse reagir, uma mão áspera se pressionou contra minha boca, abafando qualquer som que eu tentasse emitir. Meu coração disparou, e um frio cortante percorreu minha espinha.

Meus olhos se ajustaram à penumbra do quarto, e então o vi: o soldado que tantas vezes me observava em silêncio. Sua respiração pesada e quente roçava minha pele, carregada de intenções vis.

— Parece que, afinal de contas, você dá pro gasto… — murmurou, com um sorriso cruel.

Eu conhecia muito bem o significado daquelas palavras. O nojo e a fúria se misturaram dentro de mim. Não. Não permitiria mais isso. Não deixaria que me humilhassem novamente.

Seus dedos subiram lentamente pela minha coxa, e minha mente gritou em desespero por uma oportunidade de agir. Então, ele me deu uma.

— Se eu tirar minha mão da sua boca, você não vai gritar, não é? — sussurrou, convencido de sua autoridade sobre mim. — Você não está afim de morrer hoje.

Eu o encarei diretamente, deixando meus olhos transmitirem submissão. E então, devagar, assenti.

Ele relaxou a guarda, confiante em sua superioridade. Foi o erro dele.

Com toda a força que meu corpo enfraquecido ainda possuía, desferi um chute certeiro entre suas pernas. Um grunhido de dor escapou de sua garganta quando ele desabou para o lado, contorcendo-se.

Não esperei. Num salto, saí da cama e corri na direção da porta.

Mas não fui rápida o suficiente.

Uma mão brutal agarrou meus cabelos, puxando-me para trás com violência. Um grito escapou dos meus lábios ao sentir o couro cabeludo arder.

— SUA CADELA! — ele berrou, a voz carregada de ódio. — VADIA! COMO OUSA?!

A dor era intensa, mas o medo não me dominaria. Não mais. Eu lutaria até o fim.

A dor lancinante em meu couro cabeludo não me impediu de reagir. Não podia permitir que aquilo acontecesse. Nunca mais.

Eu girei o corpo com um movimento brusco, usando o próprio impulso do puxão para aliviar a tensão no cabelo. Meu cotovelo subiu rápido, atingindo o rosto do soldado com força suficiente para fazê-lo recuar um passo.

— Desgraçada! — ele cuspiu, segurando o nariz.

Não hesitei. Avancei contra ele, impulsionando meu joelho em seu estômago. Mas eu estava fraca. O golpe não foi tão forte quanto deveria, e ele se recuperou rápido. Sua mão veio como um chicote, acertando meu rosto com violência.

A sala girou. Tropecei para trás, minha visão tremendo com o impacto. O gosto de sangue se espalhou em minha boca, mas a adrenalina me manteve de pé.

O soldado sorriu, satisfeito.

— Você acha mesmo que pode lutar contra mim? — zombou, caminhando em minha direção. — Sua vadia insolente, eu vou te ensinar o seu lugar!

Ele avançou, tentando me agarrar novamente, mas eu deslizei para o lado no último segundo. Usei o peso do meu corpo para empurrá-lo, fazendo-o bater contra a borda da cama. Ele tropeçou, perdendo o equilíbrio, e eu aproveitei.

Agarrei a vela no criado-mudo e a joguei contra seu rosto.

O soldado urrou quando a cera quente queimou sua pele, levando as mãos ao rosto em reflexo. Meu coração martelava no peito, e minha respiração saía em ofegos curtos. Eu precisava terminar isso antes que ele se recuperasse.

Mas então, a porta se abriu com um estrondo.

O frio cortante da noite invadiu o quarto, e junto com ele, uma presença avassaladora.

Kaelion.

Ele estava ali, parado no limiar da porta, os olhos de um dourado profundo queimando em fúria. Sua expressão era fria, perigosa. Ele analisou a cena em um piscar de olhos: eu, com o rosto marcado pelo tapa, ofegante, e o soldado, ajoelhado no chão, ainda pressionando o rosto queimado.

O príncipe deu um único passo para dentro do quarto, fechei meus olhos, o cansaço me afetou, houve um baque seco e, quando abri os olhos, o soldado estava caído no chão, com o rosto pressionado contra o piso. Acima dele, segurando-o pelo braço torcido de forma grotesca, estava Kaelion.

Ele suspirou, irritado.

— Você é um imbecil — disse, quase entediado.

O soldado se debateu, tentando se soltar, mas Kaelion torceu seu braço ainda mais. O grito que ecoou pelo quarto fez meu sangue gelar.

— O rei ainda precisa dela viva e intacta. Você deveria saber disso.

Havia puro desdém na voz dele, como se não se importasse comigo, apenas com o fato de que eu era uma peça útil demais para ser quebrada.

O soldado arfava de dor, mas Kaelion não demonstrava pressa em soltá-lo.

— Eu… eu achei que não faria diferença — ele tentou argumentar, a voz falhando.

— E é por isso que você é só um verme insignificante.

Sem cerimônia, Kaelion o empurrou para longe. O soldado caiu de bruços, engasgando com o próprio cuspe.

Kaelion olhou para ele como se estivesse cansado daquela situação.

— Saia da minha vista antes que eu decida que você não vale a pena manter vivo.

O homem não hesitou. Cambaleando, saiu do quarto o mais rápido que conseguiu.

Kaelion soltou um longo suspiro e, então, virou os olhos para mim.

— Você está viva?

O tom dele não era de preocupação, mas sim de aborrecimento.

Engoli em seco. Meus braços tremiam, mas me forcei a ficar de pé.

— Sim — respondi, tentando manter a compostura.

Ele me observou por um instante, como se avaliasse se eu valia o esforço. Então, deu de ombros.

— Ótimo. Não me faça ter que salvar você de novo.

Sem esperar resposta, ele saiu, fechando a porta atrás de si.

Fiquei ali, sozinha, sentindo meu corpo inteiro tremer.

Eu tinha vencido uma batalha naquela noite. Mas ainda estava longe de vencer a guerra.

Eu ainda sentia o peso do medo preso no meu peito, minha respiração estava acelerada, e meu corpo tremia sem controle. Me arrastei até a cama, sentando na beirada enquanto tentava processar tudo o que tinha acabado de acontecer.

Kaelion não me ajudou por compaixão. Isso era óbvio. Para ele, eu era apenas um instrumento do rei, algo que ainda tinha utilidade. E, quando eu não tivesse mais… bem, provavelmente ele próprio me descartaria.

Meus dedos apertaram os lençóis com força.

Eu precisava me fortalecer.

O ataque do soldado foi um aviso claro. Agora que minhas condições tinham melhorado, eu não estava mais no fundo do calabouço, esquecida. Eu era um alvo. E, sem magia e com o corpo fraco, não conseguiria me defender.

Respirei fundo, tentando acalmar a raiva crescente. Eu me recusei a ser tratada como um pedaço de carne de novo.

Me levantei, ainda um pouco instável, e fui até a bacia com água no canto do quarto. Me lavei, tirando qualquer vestígio daquele homem da minha pele.

Minha mente girava. O rei queria me ver amanhã. Reagar queria que eu recusasse qualquer coisa que ele pedisse. Isso significava que o que quer que fosse, incomodava os príncipes.

Eu não era tola. Precisava entender o que estava acontecendo antes de tomar qualquer decisão.

Voltei para a cama, mas dormir era impossível. Cada vez que fechava os olhos, sentia de novo aquelas mãos em mim.

Fiquei encarando o teto, planejando.

Se eu quisesse sobreviver, precisava começar a jogar o jogo deles.

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