Capítulo 12

Saí do banheiro após terminar meu banho e segui até o quarto para me vestir. Peguei a roupa que havia separado e comecei a colocá-la, ajustando cada peça com calma. Estava terminando de amarrar o espartilho quando, de repente, a porta se abriu sem aviso.

Não me virei de imediato, apenas movi levemente a cabeça para o lado, o suficiente para vislumbrar a silhueta que bloqueava a entrada. Ombros largos, postura rígida e um olhar carregado de fúria descomunal. Príncipe Reagar.

Ele me encarava, sua presença preenchendo o quarto como uma tempestade prestes a desabar. Respirei fundo antes de falar, mantendo a voz neutra, mas propositalmente provocativa:

— Perdoe-me, Vossa Graça. Eu até me curvaria, mas estou um pouco ocupada no momento.

Ouvi um pequeno riso escapar dele, mas não havia humor algum naquele som. Era um riso seco, carregado de escárnio.

— Tentando se portar como uma dama, prisioneira? — Sua voz era afiada, como se cada palavra carregasse uma lâmina invisível.

Eu terminei o nó do espartilho e peguei o vestido que estava sobre a cama, posicionando-o à minha frente enquanto amarrava os últimos ajustes, ele viu que eu tinha ignorado.

— Vocês me deram esse vestido para usar. Não estou me portando como uma dama — respondi sem desviar o olhar, erguendo o queixo levemente. — Apenas como sua prisioneira, afinal, foram meus carcereiros que escolheram minha vestimenta.

O maxilar dele se contraiu visivelmente, como se minha resposta o tivesse atingido mais do que ele esperava.

— Qualquer hora, o rei vai notar que você abre demais essa boca insolente.

Seu tom carregava a intenção de me intimidar, mas eu já conhecia esse jogo. Sorri de leve, puxando o vestido sobre meu corpo sem pressa, sem permitir que ele visse qualquer resquício de receio.

Se queriam me vestir como uma dama, então que lidassem com minha língua afiada como uma lâmina.

Mas eu queria saber o verdadeiro motivo de sua presença ali.

— Mas, se Vossa Graça puder me contar a razão dessa honra inesperada, ficarei imensamente grata — minha voz transbordava sarcasmo.

Ele sabia disso. Afinal, já havia deixado claro o quanto não gostava de mim.

— Amanhã, você terá uma audiência com meu pai — disse ele, a expressão dura como pedra. — E tudo o que ele pedir a você, sua resposta deverá ser "não".

Por um momento, achei que tivesse ouvido errado.

Encarei-o, incrédula, antes de soltar uma risada seca, sem nenhum traço de humor.

— Se deseja minha execução, Príncipe, basta pedir diretamente a ele. Como bem sabe, na minha situação, recusar um pedido do rei equivale a assinar minha própria sentença de morte.

Ele deve estar completamente louco. Agora que minhas condições começaram a mudar, ele quer que eu jogue tudo fora?

Mas essa ordem absurda me fez perceber algo ainda mais importante: o que quer que o rei esteja planejando, os príncipes não querem que aconteça.

E isso, sem dúvida, significa que a proposta será interessante para mim.

O príncipe Ragar manteve a mandíbula travada, os olhos faiscando com a mesma fúria contida de sempre.

— Você não entende o que está em jogo — rosnou, cruzando os braços.

— Pelo contrário, Vossa Graça — sorri de lado, ajeitando a manga do vestido. — Acho que estou começando a entender muito bem.

Ele avançou um passo, diminuindo a distância entre nós. O cheiro de couro de sua armadura misturado ao perfume amadeirado que ele usava invadiu meus sentidos. Não recuei.

— O rei não é um homem piedoso — sua voz saiu baixa, quase como um aviso. — Ele não tem consideração por ninguém, muito menos por você.

— E você tem? — arqueei a sobrancelha, desafiadora.

Seu olhar endureceu ainda mais.

— Não se iluda, assassina. Eu apenas prefiro que você morra agora a vê-la causar estragos depois.

Ele girou nos calcanhares e saiu, batendo a porta com força.

Aproveitando que o príncipe havia me dado um raro momento de privacidade, decidi fortalecer um pouco meu corpo. Comecei com alongamentos, sentindo meus músculos rígidos protestarem contra cada movimento. Depois, passei para os exercícios de força. A dor em meus braços e pernas foi imediata, uma lembrança cruel de quanto eu havia enfraquecido enquanto estive presa.

Mas não me deixei abater. Eu ainda era mais forte que uma mulher comum, embora soubesse que não estava em condições de enfrentar alguém como o príncipe Reagar ou Kaelion. Eles estavam em outro nível, e eu precisava recuperar minha resistência o mais rápido possível.

Quando terminei, minha respiração estava pesada, e o suor escorria pela minha pele. Caminhei até a janela e percebi que o céu já estava escuro. Minha percepção do tempo havia se esvaído enquanto eu praticava.

Isso era bom. Significava que, por um breve momento, eu havia me concentrado apenas em mim.

Fiquei parada por um momento, absorvendo a conversa. Meu coração ainda batia acelerado, não pelo medo, mas pela excitação de um novo jogo se formando.

Se o rei queria algo de mim e seus próprios filhos estavam contra isso, então eu tinha mais poder do que imaginava.

Sorri para mim mesma.

— Pois bem, Majestade... estou ansiosa para saber o que quer de mim.

Aproveitando que estava sozinha, vi a oportunidade perfeita para me fortalecer. Meu corpo ainda não estava como antes, e eu precisava estar pronta para qualquer situação.

Olhei pela janela e percebi que a noite já havia caído. O céu escuro era pontilhado por poucas estrelas, e o vento frio atravessava as grades, trazendo consigo o cheiro úmido das pedras do castelo.

Afastei-me da janela e comecei de novo com um alongamento leve. Meus músculos ainda estavam rígidos, mas, para minha surpresa, não tão atrofiados quanto eu temia. Depois de tanto tempo vivendo no calabouço, meu corpo deveria estar mais fraco, mas parecia que algo dentro de mim ainda se recusava a ceder.

Fiz algumas flexões. A primeira foi fácil, mas, à medida que continuei, senti a fraqueza se manifestando. Meus braços tremiam levemente, mas eu não parei. Cada gota de suor que escorria pela minha pele me lembrava de quem eu era.

Respirei fundo e passei para os agachamentos. Meu coração acelerava no peito, e a sensação de esforço fazia meu corpo inteiro despertar.

Depois de um tempo, encostei-me na parede, recuperando o fôlego. Ainda estava longe do meu melhor, mas era um começo.

Passei a mão pelo colar amaldiçoado em meu pescoço, sentindo o metal frio contra minha pele quente. Eu precisava daquele livro. Precisava me libertar.

E precisava fazer isso antes que fosse tarde demais.

Depois de me exercitar, tomei um banho para aliviar a tensão nos músculos. A água quente ajudou a relaxar meu corpo, dissipando parte da dor que se instalava aos poucos. Vesti meu pijama simples, mas confortável, e me aproximei da cama.

Dormir em um colchão macio ainda parecia um luxo inacreditável. Depois de tanto tempo no chão frio e úmido das celas, essa era uma experiência quase surreal.

Deitei-me, sentindo o peso do cansaço tomar conta de mim. Sabia que o dia seguinte seria agitado, e precisava descansar o máximo possível. Fechei os olhos, respirando fundo, preparando-me para o que estava por vir.

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