Capítulo 17

Reagar cruzou os braços, a mandíbula rígida.

— Se Kaelion for, eu também irei.

O rei ergueu uma sobrancelha, avaliando os filhos por um instante antes de rir baixinho.

— Interessante... Agora estão tão preocupados com essa missão? Ou será que não confiam na capacidade de Pérola?

Reagar apertou os punhos.

— Eu não confio nela.

Kaelion assentiu.

— Nem eu.

O rei sorriu, satisfeito com a tensão no ar. Então, se ajeitou no trono e disse:

— Muito bem. Se desejam tanto acompanhar, não irei impedir. Mas lembrem-se: Pérola não estará sozinha. Ela responderá diretamente a mim.

Os príncipes trocaram olhares, mas não contestaram.

Eu, por outro lado, me mantive impassível. Isso estava ficando cada vez mais interessante. Se antes eu era apenas um peão descartável, agora parecia que minha presença era essencial ao jogo deles.

O rei então se inclinou levemente para frente, os olhos brilhando com diversão e estratégia.

— Pérola, espero que esteja preparada. Sua nova vida começa agora.

Pérola então ergueu o olhar e, com um tom calculadamente despreocupado, disse:

— Vossa Majestade, não acha um pouco inadequado que uma mulher solteira viaje acompanhada por dois homens? Creio que seria melhor que eles não fossem.

O salão ficou em silêncio por um instante. O rei inclinou a cabeça, um sorriso divertido surgindo em seus lábios.

— Ah, Pérola... Que argumento interessante. Está preocupada com sua reputação agora?

Ela manteve a expressão serena, mas no fundo sabia que aquela era uma jogada arriscada. Os príncipes não gostavam dela e, se estivessem por perto, poderiam tornar sua missão ainda mais difícil.

Kaelion bufou, cruzando os braços.

— Isso é irrelevante. Não confiamos nela, e nossa presença garantirá que cumpra seu dever.

Reagar, por sua vez, riu com desprezo.

— Além disso, Pérola, você realmente acha que alguém se importa com a sua reputação?

O rei bateu os dedos no braço do trono, observando a troca de farpas com diversão. Então, voltou-se para Pérola.

— Sua preocupação é válida, mas já decidi. Meus filhos irão com você. Afinal, uma dama precisa de proteção, não é?

O tom dele era carregado de ironia. Pérola apertou os lábios, mas manteve a compostura. No fundo, já esperava essa resposta.

Eu realmente não esperava essa resposta do rei. Afinal, não achei que ele fosse concordar com os príncipes indo comigo. Mas eu precisava tentar argumentar que queria ir sozinha.

Foi então que o rei me surpreendeu, dizendo:

— Já que você está tão preocupada em ir sozinha, vou declarar um noivo para você.

Os príncipes Reagar e Kaelion exclamaram ao mesmo tempo:

— O quê?

Eu sabia, sabia que eles não gostavam de mim. Afinal, eu era uma prisioneira de guerra, e eles só queriam ver se eu cumpriria com o objetivo da missão.

Os dois disseram que não queriam ser parte desse tipo de acordo. Não queriam ser meu noivo de mentira para cumprir a missão. Então, o rei respondeu:

— Que pena. Parece que vou ter que escolher alguém.

Os príncipes, cada um à sua vez, se manifestaram:

Kaelion disse: — Não, eu não quero.

E Reagar falou: — Pai, essa loucura não precisa de um noivo.

Foi então que eu disse:

— Vossa Majestade, não será necessário seus filhos. Não quero nenhum dos dois.

Não precisei olhar para saber que os dois estavam extremamente ofendidos com o que eu acabara de dizer.

Kaelion então perguntou:

— Por que não?

Eu respondi com uma expressão vazia e uma risada sem humor:

— Vocês acabaram de dizer que não queriam nenhum tipo de contato comigo. Está bem claro que vocês me odeiam.

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