Capítulo 7

Analisei todos por um momento. Era evidente que duvidavam da minha capacidade de jogar esse jogo perigoso. Mas que subestimassem à vontade. Isso só tornaria minha vitória ainda mais doce.

Kaelion quebrou o silêncio, sua voz carregada de indiferença:

— Pai, não acho que ela seja tão necessária assim.

Queria mandá-lo calar a boca. Que comentário mais desnecessário! Será que ele não percebia que eu estava tentando sobreviver? Apertei os punhos com força, lutando para manter o controle.

Respirei fundo e encarei o rei.

— Majestade, com sua permissão.

Ele gesticulou para que eu falasse, um brilho curioso nos olhos.

— Se eu não sou necessária, por que ainda estou viva?

O rei inclinou a cabeça ligeiramente, os cantos da boca se curvando em um sorriso sutil, quase imperceptível. Algo nele me dizia que aquela resposta o agradou.

O rei soltou uma risada, e seu olhar se voltou para os filhos, com um tom de diversão.

— Não disse, meus filhos? Ela será útil.

Eu não precisava olhar para saber que eles haviam virado os rostos com desdém, como se minha presença fosse uma distração irritante. Ignorando-os, o rei voltou a me olhar diretamente.

— Querida prisioneira...

Eu franzi a testa. O que ele queria agora? Meu corpo tenso aguardava a continuação, e ele não me fez esperar.

— O que acha de ser exilada deste reino?

Para muitos, aquilo poderia parecer uma proposta ridícula, uma barganha onde eu sairia perdendo. Mas, para mim, significava liberdade. Exilada significaria longe daquele lugar, longe da prisão, longe daquelas correntes. Era uma chance de viver, talvez não da melhor forma, mas ainda assim... viver.

O rei me observava atentamente, e eu podia sentir que ele estava esperando uma reação. O sorriso em seu rosto se alargou ligeiramente, como se estivesse se divertindo com minha dúvida interna.

— Mas, é claro — ele completou, com um toque de ironia na voz — você ainda ficará com o colar amaldiçoado.

Claro, ele não deixaria de lado o colar. Era evidente que ele me via como uma ameaça, alguém perigoso demais para o reino. E, devo admitir, ele estava certo. O poder que o colar representava era imenso, e eu não sabia até onde seria capaz de ir para usá-lo a meu favor.

Todos voltaram a tensão para mim, cientes de que, mesmo longe do reino, o rei poderia ir atrás de mim. Mas eu não era tola; assim que tivesse a primeira oportunidade fora daquele lugar, o colar cairia do meu pescoço, sem hesitação. No entanto, antes que pudesse planejar qualquer coisa, uma voz carregada de raiva interrompeu o silêncio.

— Pai, não!

Era Reagar, visivelmente irritado, como se o rei estivesse perdendo o juízo.

— Liberdade, mesmo com o colar, é algo de extrema benevolência, Majestade — ele continuou, com uma expressão de incredulidade.

O rei o olhou com frieza, como se aquele comentário fosse uma afronta, algo que ele não deixaria passar em branco. Reagar se calou imediatamente, o peso do olhar do rei claramente o fazendo recuar.

O rei, então, se reclinou na cadeira, olhando Reagar com um sorriso sutil, mas carregado de uma tensão incômoda.

— Reagar, sabe o que é ingenuidade? — ele perguntou, a voz calma, mas ameaçadora.

O gesto do rei indicou aos criados que ele queria mais vinho. Ele fez uma pausa antes de continuar, a ironia em sua voz se tornando mais evidente.

— Ingenuidade é atacar um reino por puro capricho, sem um plano. Ao menos, eu estou negociando um plano. — O rei então olhou para Reagar, como se estivesse ridicularizando a falta de discernimento do filho. — Como se tornar rei se você não sabe usar as armas que possui?

Reagar permaneceu em silêncio, a mandíbula travada, e seus olhos cheios de frustração. O rei voltou sua atenção para mim, e eu não pude evitar me perguntar o que ele pretendia com isso. Ele me encarava com um interesse quase peculiar, e eu, sem entender completamente o que ele queria, vi meu rosto se transformar em um ponto de interrogação.

O rei, percebendo minha confusão, soltou uma risada, mas sem calor, sem verdadeira diversão.

Olhei para Kaelion e Reagar. Eles trocavam olhares, algo estava acontecendo entre eles, mas eu não sabia o que era. O rei me olhou de volta, um sorriso estranho nos lábios.

— Pérola, você entenderá em breve — ele disse, como se tivesse descoberto algo que eu ainda não sabia.

Percebi que ele pensava que eu estava perdida, e isso parecia ser parte do seu jogo.

Ele continuou, com uma calma fria, como se estivesse resolvendo um problema estratégico:

— Em dois dias, você saberá. Só precisava ter certeza de que chegaríamos a um acordo, mas primeiro, preciso conversar com os príncipes.

Olhei de relance para os dois. Eles pareciam intrigados, mas o que mais me assustava era o fato de que eu não sabia o que estava acontecendo. O rei então virou a taça, fazendo um gesto para que terminassem logo a conversa.

— Agora vá — ele disse, com uma autoridade incontestável. — Acompanhem a senhorita até sua cela.

Fiz uma reverência curta, como me fora ensinado, e fui escoltada até a cela.

Quando estava quase saindo da sala, ouvi Reagar falar em voz baixa para Kaelion:

— O rei está ficando louco.

O comentário ficou ecoando em minha mente enquanto eu era levada de volta para a prisão que, por mais que estivesse livre de correntes, ainda me parecia uma cela.

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