ZACH.

Continua...

Quando planejei esta noite, a imagem que eu tinha era de Jade e minha mãe trocando abraços calorosos, sorrisos e até números de celular, como se fossem velhas amigas. Mas a presença dos Morgan transformou tudo em cinzas.

Jeffrey não era somente um amigo; ele era sócio do meu pai na M&M Representações Financeiras, o escritório que gerenciava as finanças de atletas. O peso dessa relação tornava tudo ainda mais complicado. Se meu pai tivesse que escolher um lado, com certeza não seria o meu.

Ele começou com um tom cortante: “Minha filha foi sua namorada por cinco anos e nunca ganhou nem um anel de brinquedo. Olha o que essa qualquer conseguiu.” Cada palavra dele ressoava no meu peito como um soco, e a indignação subia como fogo dentro de mim.

Jeffrey Morgan havia cruzado todos os limites. Levantei-me, a adrenalina pulsando em cada fibra do meu ser.  

— Não vou permitir que você ofenda minha noiva! — minha voz saiu firme, mas meu coração parecia querer saltar do peito.

— Sério? Terminamos no sábado e você já está noivo na segunda; isso é muito bizarro e é como se eu não valesse nada! — Lucy disparou, seus olhos brilhando com incredulidade e desprezo.

— Sou um homem livre! Não existe regra que diga que devo esperar para entrar em outro relacionamento.

— Seria educado você ter deixado a cama esfriar primeiro antes de arranjar essa…

Lucy nem terminou de falar.  

— É melhor você se calar, sua vaca! Não preciso de homem para me defender! — segurei Jade pelo braço antes que ela pulasse a mesa em direção à Lucy; não porque Lucy não merecesse, mas porque a palidez da minha mãe me preocupava.

— Lilia, querida, de onde surgiu essa mulher? — Suzan colocou a mão no peito como se estivesse prestes a desmaiar.

Os olhos da minha mãe estavam arregalados, horrorizados com a cena diante dela, enquanto meu pai pegava o copo e enchia de água, dando um gole para minha mãe.

— Acho melhor você sair com sua namorada agora, Zach — ordenou meu pai, sem desviar o olhar. — Ela não é bem-vinda nesta casa.

— Maicon! — exclamou minha mãe, o desespero transparecendo em sua voz.

Passei a mão no rosto, exausto.  

— Entendi.

Puxei Jade pela mão e assobiei para Bob nos seguir; ele veio contente, balançando o rabo inocentemente.

Antes de sairmos, Jade lançou um sorriso provocador:  

— Tchau, querida! — seu tom era ácido; Lucy trincou os dentes em resposta.

Quando bati a porta, ainda ouvimos a voz da mãe chamar meu nome.

Caminhamos em silêncio. Jade estava tão absorta em seus pensamentos que nem percebeu que ainda estávamos de mãos dadas. Ao chegarmos em casa, fui preparar um lanche enquanto ela brincava com Bob na sala.

Sentei-me ao seu lado, o coração acelerado. Era uma sensação estranha; parecia que eu precisava urgentemente de um cardiologista só para entender o turbilhão que ela causava dentro de mim.

— Ele é tão lindo! Por que a Lucy não gosta dele? — perguntou Jade, tentando quebrar o gelo.

— A recíproca é verdadeira! — respondi com um sorriso travesso.

— Sério? Mas ele é um anjinho!

— Às vezes ele pode se transformar em um monstrinho — pisquei para ela com malícia.

Ela riu e meu estômago se contraiu.  

— Às vezes também sou boazinha, mas às vezes sou uma menina muito má!

Ela me olhou e o mundo ao nosso redor desapareceu por um instante. Bob latiu com a bola na boca, quebrando a magia do momento.

— Acho que só conheço a menina má — brinquei, adorando nossa interação. O riso dela era como música para meus ouvidos enquanto mordia uma batatinha crocante.

Posso fazer uma pergunta pessoal?

— Sim! — respondeu ela com a boca cheia.

— Por que Jade Star? — Quando pesquisei as redes sociais dela, encontrei várias citações sobre estrelas e fiquei curioso.

— Meu pai amava estrelas; ele me chamava assim. Na semana em que ele morreu, iríamos ao Parque Estadual de Cherry Springs.

Um brilho sincero iluminou seu rosto quando mencionei o telescópio lá em cima.

— Astronômico 70 mm com Tripé F300. Podemos ver as estrelas juntos, se você quiser, e claro.

— Eu adoraria!

Na hora, me imaginei abraçando-a por trás enquanto a ajudava com o ângulo perfeito para observar as estrelas, sussurrando seus nomes no seu ouvido. Balanço a cabeça; essa mulher estava me deixando maluco!

— A noite está linda, vamos subir? — convidei esperançoso.

— Deixa para a próxima! Vou pedir um táxi; já está tarde. — Ela se levantou para recolher os pratos enquanto eu seguia atrás dela com os copos. Bob somente mexeu as orelhas sem se mover.

— Não precisa; vou te levar — queria aproveitar cada segundo ao seu lado.

— Você deve estar cansado…

— Bobagem! Estou ótimo!

Enquanto dirigia, ela expressou seu desejo de esperar um pouco mais para a festa de noivado; mesmo sendo somente uma farsa, poderia causar desgaste desnecessário para todos nós.

Meu peito apertou quando estacionei. Desci para acompanhá-la até a porta.

— Então, boa noite! — Ela disse, sorrindo.

— Boa noite, Jade. — Respondi, sentindo um aperto no peito. — E sobre a festa…

— Falaremos sobre isso amanhã. — Ela interrompeu, com um olhar doce. — Mas antes, preciso te pedir algo.

— Pode pedir qualquer coisa. — Minha voz saiu rouca e abrupta, igual à de um adolescente com a primeira namorada.

— Um abraço de boa noite.

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Comments

Luiza Oliveira

Luiza Oliveira

O que será que irá acontecer entre os sócios depois deste jantar? Ansiosa por mais capítulos por favorzinho 😘

2025-03-03

9

Hanna

Hanna

esse pai do Zack é um idiota...

2025-03-03

4

Alda

Alda

isso Jade não abaixa a cabeça pra essa gente.

2025-03-04

1

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