Estamos no final do jogo, com as arquibancadas cheias e a torcida vibrando. O tempo avança, e precisamos conquistar trinta jardas. Como quarterback, sinto o peso da responsabilidade. A adrenalina corre nas minhas veias enquanto olho para o Kevin, que está posicionado à frente, pronto para receber a bola. Cada segundo é crucial; preciso coordenar as jogadas com precisão.
Com um movimento rápido, analiso a defesa adversária. Eles estão bem posicionados, mas não posso hesitar. Tomo impulso e corro com todas as minhas forças, meu coração batendo forte.
— Vamos lá! — grito mentalmente, pedindo que meus joelhos me obedeçam. Mas, de repente, sinto uma fraqueza e meus joelhos falham.
A cena se desenrola em câmera lenta: o campo se estende diante de mim e a pressão aumenta como uma tempestade prestes a eclodir. Um jogador do time adversário se aproxima rapidamente, e a frustração me invade. Ninguém merece isso! O desejo de terminar me consome enquanto vou ao chão, a grama fria contra minha pele.
Sou obrigado a sair de campo. A dor intensa toma conta do meu corpo; meu único desejo é entrar em uma banheira de gelo e sentir tudo adormecer.
Os gritos de vitória dos Eagles já não têm o mesmo sabor; meu peito se contrai e a sensação de peso só aumenta. Por um momento, ninguém diz nada. Eles apenas me olham com desapontamento. As equipes se dispersam, indo para o vestiário. Meu time ganhou e estava comemorando, mas eu me sentia o maior derrotado da noite.
Meu joelho me trai novamente, uma dor aguda que ecoa em cada movimento. Enquanto isso, as palavras vazias de conforto de conhecidos ressoam na minha mente: “relaxar é só uma fase, logo vai passar”. Mas essa fase parece se prolongar.
Fiquei um tempo no corredor escuro até que todos saíssem para comemorar. Só então entrei, esperando que estivesse vazio, mas, para meu azar, meu pai e Lucy estavam lá.
— E aí? — perguntei, a voz mais fraca do que eu gostaria. Meu pai se virou, com um olhar de desapontamento. A porta se fechou com um baque, como se selasse também qualquer esperança de compreensão. Era o ápice de um dia cheio de frustrações. E, para piorar, havia algo no ar entre mim e Lucy que me deixava inquieto.
Me aproximei de Lucy, fingindo que ia abraçá-la, mas ela deu um passo para trás e torceu o nariz.
— Você está fedendo a suor, vai tomar um banho.
Ela se sentou para esperar.
Nos últimos dias, uma sombra pairava sobre nós. Mesmo quando estava longe, viajando com o time, sempre que voltava, ela estava lá, pronta para mim. Mas agora, essa familiaridade parecia ter se transformado em estranhamento.
Mudanças não eram fáceis para mim; eu gostava do nosso relacionamento como era. Estável e constante. Conhecê-la desde sempre me dava uma segurança que eu não queria arriscar.
Entrei no chuveiro, deixando a água levar o suor e um pouco da tensão dos meus músculos doloridos. O que antes era fácil agora exigia três vezes mais esforço. Pensei em me aposentar antes de me tornar um fracasso, mas tinha medo da reação do meu pai.
Um homem de trinta anos com medo do pai. Ele sempre me exigiu muito; se sou o número um, é porque ele nunca aceitou menos.
— Vamos. — chamei-a para irmos embora.
— Podemos conversar.
— Aqui? — perguntei, olhando ao redor do vestiário vazio. Talvez fosse mesmo um bom lugar para uma conversa séria.
Lucy hesitou antes de responder.
— Aqui é um bom lugar — deu de ombros.
— Então, o que aconteceu? — perguntei, querendo voltar ao meu lugar seguro, onde poderia lamber minhas feridas sem plateia.
— Quero terminar.
Uma onda de frustração me invadiu.
— Terminar? — fiquei confuso. — Estou percebendo que você está estranha há dias, mas você disse que não era nada. O que está passando pela sua cabeça?
— Droga! Quero um relacionamento sério! Alguém que esteja disposto a deixar tudo por mim. — Ela arqueou a sobrancelha, desafiadora.
Aquilo era um chamado para eu agir?
— Esse “deixar tudo” é sobre eu sair da casa dos meus pais, certo?
— Também! Você tem dinheiro e idade para isso, Zach.
Quase falei, mas não tive vontade; achei melhor ficar em silêncio. O ar ficou pesado entre nós. — Você sabe o porquê! — respondi, sentindo a defensividade surgir.
— Saber não significa que eu concorde. — Ela disse, cruzando os braços como se quisesse se proteger da verdade.
— Você conheceu alguém? — perguntei, apenas por desencargo de consciência. Já sabia a resposta: claro que não, ela namorava um astro do futebol americano, o cara legal e fiel. O que mais ela poderia querer?
— Sim. Desde que conheci o Jack, percebi o quanto ele é atencioso, charmoso e dedicado. Acabei me afeiçoando a ele e ele a mim, e ele me pediu em casamento.
Aquilo foi um soco no meu estômago.
— Quem é Jack? E desde quando isso está acontecendo?
— Eu ainda não aceitei. Resolvi primeiro conversar com você; jamais te trairia.
— Como se chama? Jack do quê? Você está pensando em aceitar o pedido dele?
— Zach, nós já temos 30 anos. Quero uma família. Quero um homem que se dedique a mim e não ao filhinho da mamãe. Você me entendeu? — Ela colocou as mãos nos quadris.
— Não sou um filhinho da mamãe, só não quero deixá-la. Você sabe que ela sofre desde a perda do meu irmão.
— Sei e respeito. Amo a sua mãe, mas está na hora de eu seguir meu caminho, com ou sem você.
— Casar? Isso estava fora de cogitação. Senti um arrepio percorrer minha espinha, um arrepio que fez meu corpo estremecer. Eu tinha aversão a casamento; já bastavam ver meus pais que suportavam mutualmente, mas vendiam a imagem de casal perfeito para a sociedade.
— Você tem certeza de que quer fazer isso? — Sabia a resposta, mas não queria que ela dissesse que eu não tentei.
— Pensei muito e essa é a minha decisão final.
Eu não esperava por isso. Demorei cerca de cinco minutos para conseguir me levantar. Quando finalmente estou saindo, ouço um barulho vindo de um dos boxes. Curioso, me aproximo e vejo que está trancado. Ao olhar por baixo, avisto sapatos femininos.
— Já vi esses sapatos? — Claro que sim, uma raiva me invade. Coloco minhas mãos na porta e, com um impulso, consigo subir. E lá está ela!
— Peste! O que você está fazendo aqui?
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Hanna
O mais triste do relacionamento do Zack e da Lucy, é que terminaram porque ele não quer casar, e logo depois vai "praticamente casar" com a jade ...
2025-02-16
6
Hanna
kkkkkkkkkk
2025-02-16
1
Hanna
é.... não tem muito como defender o prota, desse jeito
2025-02-16
1