Quando deixamos a joalheria, sacudi minha mão como se os dedos dele estivessem queimando.
— Você quebrou uma cláusula do contrato. Que história é essa de festa de noivado?
Ele segurou meus dedos novamente com firmeza.
— Se comporte! — resmungou.
— Não quebrei!
— Claro que quebrou! Me beijou e o contrato diz que você só pode me tocar com meu consentimento.
— Foi necessário para conferir credibilidade à história. Além disso, Aroldo Portinari é um fofoqueiro; em breve, todo o país vai saber.
— Por que não me avisou antes?
— Porque seria muito engessado, não teria emoção — ele deu um sorriso debochado — e, além disso, você gostou, eu sei!
— Como posso gostar de beijar um homem que odeio? Minhas bochechas coraram, traindo-me, e ele riu.
— Quero que venha jantar em minha casa amanhã. Vou te apresentar aos meus pais. — Ele mudou de assunto.
— Sua ex vai estar lá? — perguntei ironicamente.
— Só estarão meus pais, você e eu. — Ele mexeu no cabelo e eu me vi presa nesse gesto. Preciso me livrar desse homem antes que ele me destrua. Maldita hora em que comecei a persegui-lo; agora estou presa nessa situação.
— Vou deixar você pensar a respeito. — Ele disse.
Bufei e fiz menção de sair do carro.
— Não esqueceu de algo?
Olhei ao redor, sem encontrar nada.
— O quê?
— O beijo do seu noivo.
— Seu, oportunista!
— A festa será no sábado na minha casa.
Ele explicou que o jantar tinha o objetivo de pedir ajuda à sua mãe. Lilia Miller era conhecida como uma das melhores anfitriãs da Filadélfia.
— Não sei, vamos mentir para um monte de gente.
— Vai dar tudo certo! Confie em mim.
Confiar nele? Era a última coisa que eu queria fazer. Pensei enquanto fazia pesquisas, jogada no sofá à tarde.
Com o computador no colo, os dedos dançando sobre as teclas, traçando planos para o meu blog. De repente, a porta se abriu e Jaque irrompeu na sala com Benjamim como um furacão, correndo em minha direção. Num movimento rápido, retirei o computador e coloquei-o na mesinha lateral e peguei o pinguinho de gente que fazia meu mundo mais feliz.
— Como foi seu dia na creche, meu príncipe? — perguntei, envolvendo o pequeno em um abraço caloroso.
— Bem, dindinha! — ele exclamou, dando-me um beijo que deixou um leve borrão de baba na minha bochecha. Eu sorri, mesmo assim.
— Para tudo! — gritou Jaqueline, puxando minha mão com um olhar curioso — que anel é esse?
O calor subiu pelo meu rosto como se uma chama tivesse sido acesa. Meu coração disparou e a vergonha me envolveu.
— Bem, eu e o Zach…
— O que tem o Zach? Meu Deus! — Brenda interrompeu, puxando minha mão com urgência — não me diga que vocês passaram de inimigos declarados a noivos apaixonados em dois dias?
— Amiga, isso não faz sentido — Jaque sentou-se ao meu lado enquanto Benjamim pulava no meu colo e Brenda aguardava por uma explicação que parecia impossível de elaborar.
— Eu… Me apaixonei por ele.— Pronto, soltei a frase, incerta se elas iriam acreditar.
— Isso não faz o menor sentido! — Jaqueline diz com expressão incrédula.
Uma voz dentro de mim gritou: “Foge, Jade! Você não vai conseguir sustentar essa mentira.”
— Não mesmo, no sábado você namorava Robert e ele estava com Lucy Morgan. Eles estavam juntos há tanto tempo e nem pedido de casamento tiveram! E agora você aparece com esse anel maravilhoso que só um homem muito apaixonado poderia dar a uma mulher? — Brenda dispara.
Meus olhos se arregalaram em desespero. Como explicar isso para minhas amigas?
Por sorte, Vitória entrou na sala bem na hora, como uma heroína pronta para me salvar do interrogatório.
— Isso se chama paixão das boas, amor, ódio, uma mistura explosiva. — disse Victoria, balançando a cabeça em aprovação ao ver meu anel.
Só me senti em paz quando finalmente pude me trancar na segurança do meu quarto.
No dia seguinte,
Um barulho incessante invadia minha mente; parecia uma confusão de vozes e imagens distorcidas de Zach surgindo e desaparecendo. Um sorriso involuntário brotou ao lembrar do gosto doce dos lábios dele. A inquietude aumentava, como se mil borboletas tivessem tomado conta do meu estômago.
Despertei à força.
— Esse homem é muito inconveniente! — pensei, enquanto a frustração ameaçava explodir em mim.
Com os olhos ainda fechados, peguei o celular e murmurei:
— Me deixe em paz!
— É a Scarlett! Como vai? Preciso falar com você urgentemente.
A incredulidade tomou conta de mim; balbuciei:
— Scarlett… Acho que você ligou para o número errado.
— Liguei para a pessoa certa! Jade, te aguardo às nove horas. Não se atrase!
— Por que quer falar comigo?
— Cometi uma injustiça, quero reparar — ela disse antes de desligar abruptamente.
Olhei para a tela do celular; eram oito e dezenove.
— Caramba! Será que finalmente vou conseguir minha coluna?
Meu coração disparou ao tirar o pijama rapidamente; as mãos tremiam levemente enquanto a adrenalina me dominava. Corri em direção ao chuveiro, tentando encontrar equilíbrio dentro de mim.
Cheguei ao jornal em tempo recorde; faltavam somente dois minutos para as nove quando vi Scarlett me esperando na porta.
— Bom dia — cumprimentei nervosa.
— Entre, por favor. — A voz dela soou calorosa como nunca. Caminhei até ela, tentando disfarçar minha ansiedade.
Scarlett sentou-se na sua cadeira forrada com tecido que imitava couro de leopardo, apontando a cadeira à sua frente. Observei ao redor; a mesa de vidro estava impecavelmente organizada com amostras de reportagens de jogadores famosos a serem publicadas. Scarlett era responsável por definir o grau de relevância de cada matéria.
Sentei-me devagar, colocando minha bolsa ao lado.
Scarlett foi direta.
— Estou disposta a te dar a coluna se você trouxe a exclusiva do Zach para nosso jornal. Quero uma foto dele na intimidade usando os anéis.
Zach Miller era uma lenda viva aos 30 anos: oito anéis de campeão e quatro MVPs do Super Bowl e centenas de troféus. Um verdadeiro ícone no esporte, enquanto muitos terminavam suas carreiras sem conseguir metade das conquistas dele.
Os olhos vagaram para as paredes decoradas com matérias jornalísticas emolduradas. Uma moldura vazia chamou minha atenção; o que aquilo significava? Fui tantas vezes naquela sala, porém eu estava sempre tão nervosa que não havia notado.
— Infelizmente, já estou comprometida com um novo projeto! — As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse pensar melhor nelas; talvez um pouco vingativas demais.
A mulher voltou ao seu olhar agressivo, direto para minha mão direita. Puxei minha mão, escondendo o anel.
O olhar estreito de Scarlett fez um arrepio gélido percorrer meu corpo.
— Você vai se arrepender se não voltar — ela avisou com um tom carregado de ameaça velada.
— Por que eu faria isso? — respondi desafiadora.
— Você não percebeu que Zachary Miller só está se divertindo com você? — Sua voz suave cortou o ar como lâmina afiada.
Mordi o lábio inferior, segurando a indignação que fervia dentro de mim. Que mulher louca!
— Está me ameaçando? — perguntei, deixando transparecer toda a incredulidade na minha voz.
— Claro que não; só estou te advertindo — respondeu ela com serenidade suficiente para aumentar ainda mais minha inquietação.
— Agradeço pelo convite, mas ele veio tarde demais.
E saí daquele lugar com os olhos dela queimando nas minhas costas. Que bobagem pensar assim! O que ela poderia fazer contra mim?
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Hanna
e tu louquinha pra que ele se divertisse contigo também... nojenta
2025-03-02
6
Hanna
ah, sim .. nós acreditamos. /Smug//Grimace//Shy/
2025-03-02
0