Dentro daquela casa, o silêncio era como uma nuvem densa, pairando sobre nós. Jaqueline e Brenda desviavam o olhar toda vez que me encontravam.
Suas expressões carregadas de descontentamento por eu não ter revelado a verdade. Meu coração se contorcia, pesado pela culpa de enganar minhas amigas; aquele noivado de mentira era um fardo insuportável, mas seria difícil manter segredo se todas soubessem.
Pelo menos a temperatura estava ajudando: o frio cortante deu lugar a um final de tarde ameno e suave, típico do fim do inverno. Faltava somente um mês para as flores voltarem a colorir o mundo.
Zach vinha me buscar. Optei por um tubinho azul-marinho com mangas, três quartos, sapatos nudes e cabelos presos na lateral. Fiz uma maquiagem que acentuou meus olhos. Na noite anterior, ele me ligou e, após uma conversa de meia hora, a única coisa que consegui gravar foi que ele amava meus olhos.
Olhei de um lado para o outro para conferir o resultado.
— Você está gatinha! — Um pensamento bobo fez borboletas dançarem no meu ventre. Será que ele vai me beijar na frente dos pais?
Peguei minha bolsa e conferi o celular, chaves e batom antes de ir encontrar Zach no carro.
Enquanto descia os degraus da rua, comparei Zach e Robert. Era a terceira vez que Zach me buscava em casa, mas, ao contrário do que Robert fez no último ano, eu sempre ia dirigindo ou de táxi quando combinamos de sair.
— Boa noite! — cumprimentei.
— Noite maravilhosa! — falou com duplo sentido. Meu coração galopou no mesmo instante em que ele deu um sorriso torto.
No caminho, o silêncio reinou. Ele só voltou a falar quando parou em frente a uma mansão branca de três andares.
— Não se preocupe, vou estar com você o tempo todo.
Minhas pernas tremeram levemente ao descer do carro. Zach se colocou ao meu lado, entrelaçando nossos dedos e os apertou levemente.
A casa estava localizada em uma linda rua arborizada, onde casas de luxo exibiam o elevado padrão de vida dos moradores.
Zach abriu a porta para mim e caminhamos pelo corredor até chegarmos a uma sala iluminada por um lindo lustre de cristal com centenas de gotas. Em uma das paredes, fotos em preto e branco retratavam jogos de futebol americano. Os pais dele não estavam sozinhos; havia um casal da mesma idade ao seu lado.
Ao entrarmos, notei uma mulher elegante e bonita, com cabelos castanhos-escuros e corte moderno. O sorriso fácil dela provavelmente indicava que era a mãe de Lucy. Ela se diferenciava de Lilia, que era muito loira, com olhos sem brilho e ombros caídos à frente.
O burburinho das vozes cessou quando nos viram. A mãe de Zach trocou um olhar com o seu marido, que na mesma hora fechou o rosto. Lilian Miller levantou-se elegantemente e se aproximou para nos receber. Suas sobrancelhas se ergueram enquanto me avaliava de cima a baixo, como se eu não fosse bem-vinda.
— Me diga que você avisou que eu viria jantar — murmurei entre os dentes, minha voz carregada de descontentamento.
— Não, queria causar um choque de realidade — respondeu Zach com um sorriso provocador.
— Fala sério!
— Zach, pode me auxiliar na cozinha? — interpelou sua mãe, ignorando completamente minha presença.
— Espere aqui, já volto — disse ele antes de me deixar sozinha naquela sala estranha.
Ela saiu sem esperar por ele, como se eu não estivesse ali. O silêncio era pesado; ninguém trocou palavras comigo. O olhar do pai de Zach me atravessou com desdém enquanto outra mulher cochichava algo para Lucy, que soltou uma risadinha. Uma funcionária uniformizada apareceu com uma bandeja repleta de petiscos e desapareceu tão rapidamente quanto chegou.
Um barulho de gelo tilintando me fez virar o pescoço, a moça colocou o balde em cima da mesa e voltou apresada.
— Boa noite! Onde fica o banheiro? — perguntei, tentando quebrar aquele gelo desconfortável.
— Por aqui — respondeu à mulher com um gesto, seguindo na mesma direção em que Zach havia ido com sua mãe. Um longo corredor se estendia à minha frente; nenhuma palavra foi dita.
Entrei no banheiro e tranquei a porta, desejando me recompor. Enquanto lavava minhas mãos sob a água morna do lavatório, encarei meu reflexo no espelho e murmurei para mim mesma:
— Que povo grosseiro!
Não poderia ficar ali o resto da noite; suspirei. Ao abrir a porta e olhar para os lados na esperança de encontrar alguém para me ajudar a voltar, fui atraída por vozes elevadas ao final do corredor.
— Essa mulher está infiltrada em sua vida a mando de Scarlett Brum — dizia Lilia com um tom acusatório.
— Mamãe! — protestou Zach com firmeza — Tenho idade suficiente para saber o que é certo e errado.
— Não parece! Não basta o que aconteceu há cinco anos, Zacary?
As palavras dela ecoaram em minha mente:
— A Jade não trabalha mais para o Filadélfia POST — ela respondeu, algo a seguir, mas não consegui entender o que dizia.
O que teria acontecido entre Zacary Miller e Scarlett Brum para Lilia estar tão alterada?
Meu modo jornalista havia sido ativado, a curiosidade me corroía.
Quando me virei para voltar à sala, um rosnado profundo cortou o ar, fazendo meu coração disparar. Um labrador retriever negro, com os olhos fixos em mim, exibia os dentes brancos como se fossem lâminas afiadas. Minhas pernas vacilaram, quase se dobrando sob o peso daquela presença imponente.
O som aterrorizante reverbera em meus ouvidos enquanto eu buscava apoio na parede fria de cimento contra minhas costas.
— E agora você vai me atacar? — minha voz saiu trêmula, mal conseguindo esconder o medo que se instalava em meu peito.
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Atualizado até capítulo 51
Comments
Hanna
põe grosseiro nisso..... não gostei da atitude do Zack também. jogou ela aí e simplesmente deixou...
2025-03-02
9
Hanna
não foi quando o irmão dele morreu?? vixi. nesse angu tem caroço e dos grandes ...
2025-03-02
1
Luiza Oliveira
mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais 😘
2025-03-01
1