JADE.

Não estou gostando nada disso. As últimas 24 horas foram uma verdadeira enxurrada de desastres na minha tentativa de me tornar colunista do Filadélfia POST. Se fosse enumerar minhas tragédias… perdi meu filhinho afogado na privada, perdi a oportunidade de ser contratada pelo jornal, fiz papel de louca em rede nacional, acabei com meu namoro e ainda fui chantageada pelo Zachary Miller para ser sua noiva por contrato.

Mas, como sou doida de pedra, me sento à mesa para jantar com o chantagista. Espeto uma batata e a levei à boca, que desmanchava; fechei meus olhos e suspiro de prazer. A porta abre com um baque na parede. Duas mulheres que conheço pelas redes sociais, Lilia Miller e Lucy Morgan, entram, seguidas por dois policiais.

— Boa noite, policiais. Em que posso ajudar? — diz Zach, levantando-se, e eu faço o mesmo.

A mulher surta ao me ver e pede explicações.

— Se acalma, por favor! — Zach diz para a mãe e se volta para os policiais.

— Chamo-me Dalton. Recebemos uma denúncia de que Jade Peterson estava rondando sua casa há meia hora.

O policial me olha e meu coração dispara.

— Impossível! Jade estava comigo; eu a peguei em casa e a trouxe para cá. Em nenhum momento ela esteve sozinha.

Lucy, vestida com um terninho branco, movia-se como uma felina, seus cabelos loiros balançando de um lado para o outro. Ela se aproxima de Zach e segura seu braço.

— Amor!

Amor? Minha boca se abre e fecha em descrença. A mulher não deu um chute na bunda dele?

— As imagens dela estão espalhadas por todas as redes sociais — diz sua mãe — e todos afirmam que ela estava te perseguindo — questiona com o rosto contorcido.

— Lilia, com certeza ele decidiu dar a entrevista para que ela o deixasse em paz.

Olho para Zach em um pedido de socorro mudo. Só me falta sair daqui direto para a cadeia.

— Senhores, acho que houve um engano. A senhorita Peterson chegou na minha companhia; como vocês podem ver, estávamos jantando pacificamente.

— Como você pode estar com essa louca? Não estou entendendo, meu filho! — a mulher levanta as mãos em incredulidade.

— O senhor terá que assinar um termo dizendo que foi tudo um engano.

— Claro! — Os homens entregam uma folha para Zach, que assina rapidamente e devolve o papel.

— Vou acompanhar os senhores até o portão — diz ele, se desvencilhando do agarro de Lucy.

— Já volto! — ele se dirige a mim. Sua mãe os segue pedindo explicações.

Sento-me, forçando-me a me liberar da paralisia momentânea. Lucy coloca uma mão firme sobre a mesa e me encara.

— O que você está fazendo na casa do meu namorado? Não bastaram tudo que você aprontou hoje?

A simpatia que sentia por ela momentos atrás se transformou em raiva. Levanto uma sobrancelha.

— Jantando?

Ela me olha com desdém.

— Ele me contou que você está chantageando ele com um vídeo gravado no vestiário ontem à noite.

— Ah! O vídeo.

— Não sei o que você está fazendo, mas quero que apague esse vídeo agora! — ela sacode a mão — rápido, garota, me dê o celular.

Dou uma gargalhada.

— Se eu tivesse esse vídeo, não estaria aqui. Não existe vídeo nenhum, sua bipolar.

— Como não existe? Ele disse que você gravou no chuveiro!

— Eu gravei no vestiário e não no chuveiro — esclareço — mas ele jogou meu telefone na privada. Portanto, não tem vídeo nenhum, entendeu?

Lucy ri e o alívio é nítido no seu rosto.

— Então não tem vídeo!

— Foi o que eu disse — respondo, e viramos para a porta ao ouvir o som das botas de Zach ressoando na madeira, seguidas pelos saltos de sua mãe.

— Meu amor! Posso te ajudar com a entrevista? O que acha de acabarmos com esse mal-entendido? — Lucy se lança em seus braços.

— Isso seria ótimo, querida! Essa garota já causou estrago demais na imagem do meu filho — diz sua mãe.

Desvencilhando-se de Lucy, sinto Zach se aproximar de mim, passando o braço pela minha cintura. Meu estômago ganha vida e parece que o tempo para.

— Vocês duas estão loucas? — pergunta Zach. — Quem chamou a polícia?

— Você enlouqueceu, meu filho! — retruca sua mãe.

Sua mãe balança a cabeça incrédula e explica que estavam jantando quando os policiais apareceram.

— Fui grosseiro, amor! Essas são minha mãe, Lilia, e Lucy, minha ex.

A proximidade forçada me deixa sem ar; seus braços musculosos me apertam contra ele. Tento erguer meu braço para retirar seu braço da minha cintura, mas meus dedos sentem a textura firme e quente do seu corpo. Ele me puxa para mais perto e seu cheiro de sândalo invade meus sentidos, causando uma tontura deliciosa. Lembro-me do gosto da sua boca e percebi que todos estão me olhando. Limpo a garganta.

— Você está bem? Suas pernas tremeram! — pergunta Zach, debochado.

Disfarço.

— Você pode chamar um táxi?

— Vou te levar depois que terminarmos de jantar.

— Estou satisfeita, obrigada! Estava tudo uma delícia! — digo sinceramente.

— O que você quer dizer com “amor”? — Sua mãe pálida puxa uma cadeira e senta-se, a confusão estampada em seu rosto.

— Ai, amor, desculpa! Mamãe, Jade e eu decidimos ficar noivos!

— Isso é uma piada de péssimo gosto? — A voz de Lilia sai alta enquanto suas mãos tremem.

— Que história é essa, Zachary Miller? Você só pode estar louco — diz Lucy, fazendo uma pausa antes de continuar — Você estava me traindo com esse lixo?

— Lixo? Quem você está chamando de lixo, sua lambisgoia? — Sinto meu sangue ferver; passo de pacífica a agressiva em segundos.

— Calma, Jade, por favor!

— Então, controle sua “ex”! Deixo isso explícito — penso em como, momentos atrás, estava defendendo essa cretina!

— Que história é essa de “EX”, Zach? — A mãe dele segura a mão de Lucy, que agora chora.

Um suspiro ruidoso escapuliu da garganta de Zach enquanto ele narrava para a mãe nossa história de amor, quem pôs fim ao relacionamento. Seus olhos, normalmente tão seguros, agora estavam cheios de um misto de alívio e ansiedade.

Enquanto ele falava, percebi sua voz se transformando. A luz que antes parecia apagada agora começava a brilhar; era como se ele tivesse finalmente se libertado de um peso. O namoro com Lucy havia sido uma barreira, mas agora que ela não estava mais ao seu lado, algo novo e vibrante estava surgindo.

Enquanto dirigia até aqui, as palavras fluíam entre nós, como um rio que finalmente encontra seu caminho para o mar. Ele falava sobre sentimentos que antes pareciam impossíveis, e eu podia ver a esperança em seus olhos. Quando o táxi estava prestes a chegar, ele virou-se para mim com uma intensidade que fez meu coração acelerar.

— Quer namorar comigo? — perguntou ele, seu olhar implorando por uma resposta.

Aquelas palavras pairam no ar como uma promessa. Fiquei em dúvida por um momento; o peso da decisão me fez hesitar. Só consegui dar minha resposta na manhã seguinte, durante a coletiva, quando o peso da expectativa finalmente se dissipou.

Preciso reconhecer: ou ele era incrivelmente bom em improvisar, ou já tinha pensado em cada passo que daria. Pois convenceu até a mim.

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Comments

Alice

Alice

Aí aí que homem forte kkk

2025-02-27

5

Luiza Oliveira

Luiza Oliveira

mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais 😘

2025-02-19

6

Ver todos

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