JADE.

O domingo começou cedo, muito cedo. O despertador tocou às seis e meia da manhã, e o silêncio na casa era quase palpável. Lembrei-me do quanto havia me arrastado para casa na madrugada anterior, exausta, quase como se cada passo até a cama fosse uma batalha.

Agora, sentada em meio a rostos cansados, ouvia o discurso interminável de Emma Stoker, que se erguia diante de nós como uma rainha em seu trono, sua empolgação ensaiada ecoando pela sala.

“Teremos um ano bem agitado”, ela proclamou, os olhos brilhando com um entusiasmo forçado. “O Eagles é o campeão do Super Bowl, e hoje será anunciada a nova formação da equipe.” A menção a Zach Miller fez com que murmúrios de aprovação e descontentamento circulassem entre os presentes. “Haverá uma coletiva de imprensa nos dirigindo para lá neste momento.”

Levantei-me automaticamente, tentando escapar dos olhares curiosos que me seguiam como sombras. Mas antes que eu pudesse desaparecer pela porta, Escarlete me chamou.

— Jade, preciso falar com você.

Ela estava sentada na cabeceira da mesa, com o cotovelo apoiado enquanto as pessoas se dispersavam. A animação sobre o jogo da noite anterior se misturava ao meu crescente desespero.

— Senhora Brum, eu...

— Acabou, Jade — ela interrompeu, empurrando um envelope em minha direção. O peso do papel parecia arrastar minha alma para baixo.

— Mas...

— Sem mais delongas. Você teve sua chance e perdeu. Tem até amanhã ao meio-dia para retirar suas coisas.

As palavras dela soaram como um eco distante enquanto eu caminhava em direção à mesa. Peguei minha bolsa como se fosse um fardo insuportável e deixei o escritório sem rumo pelas ruas.

A cidade girava ao meu redor até que avistei um táxi parado na calçada. Meu telefone vibrou no bolso.

Era Victória.

— Oi, amiga, onde você está?

— Indo matar aquele idiota! Ele arruinou minha vida.

— Explique o que está acontecendo, por favor? — perguntou Brenda ao lado de Jaque no sofá azul da sala.

Descrevi o pesadelo que se desenrolara na noite anterior; cada palavra era uma avalanche de frustração.

— Jade, não faça mais besteiras! — Jaqueline implorou, mas a raiva já tomara conta de mim.

— Aonde você está indo? — perguntou Victória.

Disse o endereço e desliguei o telefone, meu coração acelerando com a determinação de acabar com tudo.

Lá estava ele, Thomas Carter, e o treinador Maicon Miller sentados à mesa central do auditório, cercados por uma multidão de jornalistas. Ao me ver se aproximar, Zach fez um gesto com a cabeça, como se tentasse me avisar para parar, mas minha determinação só aumentou. Ele ficou de pé quando parei ao seu lado, coloquei-me nas pontas dos pés, segurei seu rosto com mãos trêmulas e beijei-o — uma encenação que rapidamente se transformou em algo mais profundo quando ele me puxou pela cintura e aprofundou o beijo. O gosto de menta invadiu meus sentidos e eu me perdi naquele momento; era como se o mundo ao nosso redor tivesse desaparecido.

Quando finalmente me soltou devagar, abri os olhos e encontrei os dele — confusos como os meus. O que foi que eu fiz?

Os flashes das câmeras começaram a piscar como estrelas em uma noite escura, e as perguntas dos repórteres cortaram o ar tenso.

Uma repórter do New York Post gritou:

— Quem é ela?

Um jornalista independente interveio:

— O que aconteceu com seu relacionamento com Lucy Morgan?

Emma Stoker não deixou por menos:

— Vocês estão namorando? E quem é Jade Peterson para você?

"Jade Peterson?" Meu nome explodiu nas bocas dos repórteres. Emma deu um sorriso malévolo e debochado; ela conseguiu em horas o que eu tentei obter em um mês: um furo envolvendo Zach — e pior, eu ajudei a protagonista.

Senti a mão de Zach segurando minha cintura firmemente.

— Vou te tirar daqui — ele disse em voz baixa, levantando discretamente a mão. Três homens se aproximaram; reconheci-os como os mesmos que estavam com Zaqueu no dia seguinte ao Super Bowl.

Zach começou a sair sem dar explicações, mas eu estava tão consumida pela raiva que esqueci tudo ao meu redor; apenas queria machucar Zach Miller. Percebi então o que tinha feito. E o meu namorado estava ali — Robert — observando tudo com as mãos nos bolsos e uma expressão de incredulidade.

Agora eu não era apenas desempregada; era uma sem namorado também, minha imagem estava manchada e meu coração pesado.

— Robert, eu posso explicar!

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Comments

Hanna

Hanna

Oi?... como assim namorado?? achei que ela fosse solteira...

2025-02-17

3

Hanna

Hanna

WoW... não tava preparada pra isso Brasil....

2025-02-17

3

Ludmila Fraga

Ludmila Fraga

Gente do céu que capítulo foi esse. Estou ansiosa pelos próximos.

2025-02-16

8

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