ZACH.

O sol começava a se pôr quando chegamos à casa. Meu intuito de garantir a segurança emocional da minha mãe durante essa fase de transição na minha vida me levou a decidir convidar Jade para um jantar com meus pais. Era fundamental observar como elas se comportavam na presença uma da outra; lá, no fundo, queria que minha mãe e Jade se tornassem amigas. Apesar da doença, minha mãe era uma mulher inteligente e ligada nos acontecimentos do mundo, mesmo vivendo trancada em casa.

Para minha surpresa, os Morgan vieram jantar. Receber visitas em uma terça-feira era algo incomum; meus pais costumavam reservar os sábados e domingos para isso.

Meus olhos se fixaram em Lucy, que brilhava em seu terninho roxo, uma verdadeira obra-prima da elegância. Seus cabelos loiros, sempre em um corte médio moderno, emolduravam um sorriso forçado. Este encontro foi como um espelho, refletindo verdades que eu não queria encarar: estava apaixonado por Jade. Eu conhecia Lucy desde sempre e, de certa forma, havia um carinho ali; ela era uma mulher desejável. Mas, ao contrário do que esperava, não senti aquele turbilhão de emoções: meu coração não acelerou, minhas mãos permaneceram secas e meu estômago não dançou como fazia quando Jade entrava em cena.

Quando Jade percebeu que eu não havia avisado meus pais sobre o jantar, seus olhos se tornaram súplices e um leve toque nas minhas costelas me fez sorrir involuntariamente.  

— Pare de me cutucar!

O olhar insistente da minha mãe buscava respostas; não pude resistir e deixei Jade sozinha. Um misto de proteção e frustração fervia dentro de mim.

No meio da conversa tensa com minha mãe, um rosnado profundo cortou o ar como um aviso sombrio. Saí apressado do escritório, batendo o cotovelo na maçaneta com descuido. Minha mãe me seguia com um olhar fulminante dirigido a Jade, como se ela fosse uma destruidora de lares.

A cena à minha frente parecia saída de um filme: Jade estendeu a mão hesitante em direção a Bob. Ele avançou lentamente, cheirando os dedos macios dela por alguns segundos antes de lambê-los com curiosidade canina.  

— Bom garoto! — exclamou ela num tom doce, abaixando-se para acariciar suas orelhas peludas. — Qual é seu nome?

— Bob, e ele deveria estar preso — respondi com ironia entre dentes enquanto a irritação começava a borbulhar dentro de mim.

— Ele é uma gracinha! — comentou Jade com um sorriso encantador.

Abaixei-me ao seu lado, a preocupação transparecendo em minha voz.  

— Por sofrer maus tratos, ele é territorialista. Quando recebemos visitas, o tratador o mantém no canil.

— O que você está fazendo aqui? — disparou minha mãe com uma acusação velada.

Jade ergueu-se respeitosa e respondeu rapidamente:  

— Fui ao banheiro.

Ela explicou que pedira à moça que a estava servindo para mostrar onde ficava. Ao sair do banheiro, encontrou Bob vindo em sua direção. Jade recuou até colidir com um móvel atrás dela. O dilema era claro: fazer amizade ou arriscar uma mordida indesejada.

— Não vê que ela está assustada? — Entrelacei meus dedos nos dela; seus olhos brilhavam num misto de desafio e esperança enquanto lançava um olhar vitorioso para minha mãe. Surpreendentemente, Bob não rosnou quando ela se aproximou de mim.

Minha mãe balançou a cabeça em desaprovação e se virou em direção à cozinha.

Apresentei as portas daquela parte da casa a Jade:  

— Ali é o escritório… aquela leva ao jardim… aquela outra vai para a cozinha… e aquela você já sabe que é o banheiro.

Um peso me acompanhava por deixá-la sozinha; qualquer ferimento seria uma sombra eterna na minha consciência.

— Mas não estou, né, bebezinho?

— Bebezinho? Fala sério! Ele é meu garotão! — O safado ignorou meu comentário e abanou o rabo, latindo para ela como se estivesse aprovando seu novo apelido carinhoso. Jade se encantou e abaixou-se para acariciá-lo.

— Perdi o cachorro — resmunguei, fingindo indignação enquanto ela sorria, iluminando seus belos olhos.

Minha mãe apareceu novamente na porta da cozinha, acompanhada por Ione, a copeira, que trazia pratos e talheres para acomodar Jade e a mim na mesa.

— Desculpe, não queria dar trabalho — disse Jade, ruborizada, enquanto seu olhar era tímido.

Uma vontade alucinante de beijar sua boca me atingiu; fechei os punhos para conter a avalanche de sensações que ela me causava.

A sobrancelha da minha mãe se ergueu, me olhando incrédula.  

— Não tem importância. Vamos para a sala.

Meus olhos passearam pela mesa, onde tudo estava meticulosamente arrumado. O arranjo de flores, com suas cores vibrantes, ocupava o centro, um testemunho do carinho diário da minha mãe. Após dar algumas instruções a Ione, ela se retirou.

— Venham para a mesa — chamou minha mãe, e meu pai se levantou, acompanhado pelos, Morgan.

Puxei a cadeira para Jade se sentar e me acomodei ao seu lado. O olhar de Lucy e Suzan era raivoso.

— Boa noite, Zach! Estávamos falando de você — disse Jeffrey, o sorriso dele carregando um tom irônico que me fez sentir um frio na barriga.

— Esta é Jade Thompson, minha noiva. Amor, você já conhece minha mãe e Lucy do outro dia? Meu pai é Maicon Miller; Jeffrey e Suzan são amigos dos meus pais.

— Meu Deus! Esse cachorro assassino está solto! — exclamou Suzan, levantando o pé como se estivesse com medo de ser atacada a qualquer momento.

Bob ignorou e se acomodou aos pés de Jade. Inclinei-me sobre ela, para acariciar as orelhas macias de Bob.  

— Muito bem! Cuida dela, amigão!

— Sabe que ele é inconstante; mande-o ser preso — ordenou Lucy, seu tom raivoso.

— Estou aqui; nada vai acontecer — tentei acalmar todos, mas minhas palavras pareciam soar em vão.

— Não, não, não! — Lucy se alterou, seus olhos ardendo com uma intensidade que deixava claro que sua raiva ia além de Bob. — Você sabe que esse cachorro é louco. Deixe de ser irresponsável, Zach! — desdenhou, sabendo que eu odiava aquele adjetivo.

— Ele está bem; não vai atacar ninguém! — As palavras saíram da minha boca carregada de uma mistura de raiva e humilhação. O olhar curioso e confuso de Jade me fez sentir nu e exposto sob os holofotes da sala.

— Maicon, põe algum juízo na cabeça do seu filho — Jeffrey disparou um olhar desafiador em minha direção.

— Como se eu pudesse. Pensa que não tentei? — A frustração brotava nas minhas veias. — Há homens que crescem e tomam atitudes; outros permanecem meninos.

Suspirei impaciente enquanto sentia Jade segurar minha mão sob a toalha. Nossos dedos se entrelaçam num gesto sutil e firme.

Virando-se para mim.  

— Acho melhor irmos embora — sugeriu Jade, levantando-se com graça.

Lucy Morgan.

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Comments

Hanna

Hanna

até parece que a casa é dela néh?

2025-03-03

9

Luiza Oliveira

Luiza Oliveira

mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais mais 😘

2025-03-03

4

Ver todos

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