ZACH.

Durante todo o trajeto da casa dela até a minha, meu coração pulsava como um tambor, seu ritmo acelerado ecoando em meus ouvidos a cada curva que fazíamos. A presença dela ao meu lado fazia arrepios percorrerem meu corpo, me remexo.

Estacionei o BMW conversível cinza chumbo sob a casa e, ao descer, vi que ela também o fazia. Seus olhos brilhavam, curiosos, explorando cada canto ao nosso redor.

— Achei que você morasse com seus pais — ela comentou, subindo as escadas atrás de mim, os saltos das suas botas fazendo barulho na madeira, sua voz leve contrastando com a tensão no meu peito.

— Na verdade, estou apenas nos fundos da propriedade — respondi, gesticulando para indicar a direção. — Essa rua é mais isolada; aquele portão ali é exclusivo da minha casa.

Ela parou por um instante, a expressão de surpresa iluminava seu rosto.

— Não conhecia essa parte da cidade e nem sabia que havia propriedades rurais por aqui.

— É semi-rural — expliquei com um sorriso tímido. — Tínhamos problemas com os cachorros…

A lembrança dos latidos e das corridas pela grama verde fez um sorriso involuntário surgir nos meus lábios. O cheiro da terra molhada e das árvores ao redor parecia mais intenso naquela noite, como se o ambiente estivesse sintonizado com a nossa conversa.

Abri a porta, dando entrada para ela. 

— Fique à vontade, quer beber alguma coisa? — pergunto, jogando o peso da minha perna direita para a esquerda, lutando para sustentar meu peso sem querer mancar um pouco. Se ela percebeu, não comentou nada.

— Não estou bem.

A conduzo para a cozinha; tenho que terminar o jantar. Caminhamos e eu apontei a bancada de mármore com quatro banquetas de couro marrom. Ela se senta e coloca a bolsa ao lado.

— Que cozinha incrível! O sonho de toda mulher! 

— Na verdade, de todo chefe! Aqui sou o cara.

— Entendi — ela aponta para a porta celeiro — lembra uma casa de fazenda.

— Ela é toda nesse estilo, misturando o novo e o velho.

— Estou preparando o jantar para você! — minha voz sai rouca. As bochechas dela ficaram vermelhas e ela ficou mais linda.

— Não sou muito de comer fora de casa — anunciou, como para si mesma, enquanto colocava os cotovelos na bancada e apoiava o rosto nas mãos.

— Relaxa, comprei no local onde você indicou: “Vida digna”, natural e sempre, né?

— Como você sabe que sou naturalista?

— Fácil, bisbilhotando suas redes sociais.

— Você se deu a esse trabalho? — pergunta, surpresa.

— Claro, como vamos fingir que estamos noivos se não nos conhecemos? Não iria dizer a ela que estava super curioso para saber quem era.

— Verdade, as redes sociais são como os lixos das pessoas de antigamente.

— Não entendi essa comparação.

— Antigamente, muitos paparazzis, investigadores e até fãs alucinados remexiam os lixos de pessoas famosas ou suspeitas. Muitas matérias de jornal, provas criminais e itens colecionáveis foram adquiridos assim.

— Agora é só vasculhar as redes sociais. Interessante. — Me virei para colocar a carne no forno para terminar de assar, mas não queria quebrar a conexão com Jade.

— O mundo virtual tem seus dois lados. Ele te conecta com o mundo, mas, ao mesmo tempo, junta provas que podem ser usadas contra você no tribunal do cancelamento.

— Então, você tem medo de ser cancelada? — Ela não responde e muda de assunto.

— Preciso saber por que você não pediu a Lucy em casamento. Você realmente acredita que ela é a mulher certa para você?

Parei, como se o tempo tivesse congelado. A imagem do casamento dos meus pais invadiu minha mente. Lembrei da minha mãe, radiante de felicidade, enquanto meu pai a puxava para dançar. O som dos corpos se movendo juntos ecoava na memória, e eu quase podia sentir o calor do amor que os envolvia. Antes das riquezas, das festas em celebração às conquistas do campeonato, antes da dor da perda e da traição, éramos apenas uma família feliz — cozinhando juntos, dançando na sala e rindo. Mesmo com as exigências rigorosas do meu pai, a alegria era real. Mas tudo mudou quando aquela mulher entrou em nossas vidas e desfez nosso mundo.

— Porque não vejo a necessidade de ninguém casar atualmente — respondi, com a voz cortante. Uma dor atravessou meu peito e um nó se formou na minha garganta.

— Por quê? Todo mundo sonha em ter alguém para dividir a vida.

— Fazemos tudo que um casal faz. Para que vou casar?

— Você é igual a um dos robôs do Bob Hudson, tenho certeza!

— Tenho uma lista de razões para não me casar.

— Você está brincando, né? Ninguém tem uma lista de reclamações!

— Existe sim. Depois que vi a lista de queixas das mulheres no New York Times, fiz a minha.

Um silêncio pesado paira entre nós, como se o ar estivesse carregado de tensão. Ela faz que não com a cabeça.

— Você sabe qual é a primeira na lista de reclamações das esposas contra seus maridos?

— Não!

— “Ele não quer assumir as responsabilidades da casa.” Seguido por “Não consigo sair de um relacionamento infeliz.” Depois vem “ele não é criativo”, “Falta romantismo” e assim por diante.

— Mas os casais não deveriam dividir tudo? Se não estão felizes, deveriam conversar!

— O cara se ferra o dia inteiro e, no final, só ouve reclamações. Estou fora disso.

— Eu te entendo, mas e o que a Lucy quer? Isso não deveria pesar na balança?

O olhar dela deixava claro que não compreendia, mas talvez também sentisse compaixão por Lucy, e gostei disso. Ela estava ali sozinha comigo; quantas mulheres não aproveitariam a oportunidade de ser o centro das atenções? De tentar me conquistar? Mas ela permanecia sentada, comportada, um pouco triste, talvez pela perda do namorado, e isso me agradou muito mais do que se estivesse se insinuando para mim. Seu perfume suave ficou gravado nos meus sentidos desde o primeiro dia em que nos encontramos. Fechei os olhos e respirei.

Quebrei o silêncio. 

— Sou o melhor para ela, pode acreditar. Tenho certeza disso, como sei que ela é o melhor para mim.

— Não parece. Se fosse, ela não teria aceitado se casar com… como é mesmo o nome?

— Jack. Sei lá o que.

— Você nem sabe o sobrenome dele? Podíamos ver nas redes sociais, conhecer o que ele faz, o que ele come, como ele vive — brincou, e pela primeira vez, até mesmo um pequeno sorriso surgiu no canto de sua boca.

— Ela não disse. Talvez esteja com medo de tentar algo contra a vida dele. Você sabe como é.

— Você é violento? — indagou ela, com um tom de humor ácido.

Bufei, impaciente; não estávamos chegando a lugar nenhum.

— Então vamos assinar o contrato ou não? — Esse questionamento está me levando ao limite.

— Nem a pau! Não estou interessado. Você é um robô sem sentimentos, tenho certeza.

— Vou te processar por invasão de privacidade e assédio sexual!

Continua.

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Comments

Hanna

Hanna

Autora, querida.... eu sei que vc tem sua vida, família.... e tudo bem. Mas poderia postar uns 3 capítulos por dia. se não é pedir muito....kkkkkkkk /Pray//Pray/ está ótima sua estória..... falta só algumas correções, pontuação,...

2025-02-18

10

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